sábado, 5 de novembro de 2016

Revista Tintin


A revista dos 7 aos 77 anos

De Tintin a Corto Maltese, passando por Astérix, Buddy Longway, Michel Vaillant, Blake & Mortimer, Simon du Fleuve e muitos mais, nas páginas da revista Tintin coube o melhor da banda desenhada franco-belga. As aventuram acabavam quase sempre com o «continua».

Para os primeiros adolescentes autorizados a usar cabelo comprido e calças de boca-de-sino, a revista Tintin representou algo semelhante ao que O Cavaleiro Andante tinha significado para a geração anterior. Publicada pela primeira vez em Portugal a 1 de Junho de 1968, prolongou-se ao longo da década seguinte e acompanhou a transição para a democracia, aguentando a inflação e as oscilações económicas da época, ao mesmo tempo que se submetia ao crivo apertado dos leitores. Na secção «Tu escreves... Tintin responde», a correspondência publicada dá uma ideia das mudanças sociais e revela um povo de súbita vocação contestatária. A todos, Tintin (ou alguém em seu lugar) trata por «tu» e responde às cartas sem grandes floreados: «De resto, como queres tu que na sociedade capitalista em que vivemos uma revista como a nossa não insira publicidade? Até lamentamos que não haja mais páginas de publicidade, pois este facto ajudaria a equilibrar o nosso orçamento.» Palavras esclarecidas do ano da graça de 1977.

As opções da Tintin portuguesa, seguidora da revista original belga, iniciada em 1946, nem sempre foram aplaudidas pelos leitores, que fizeram de Corto Maltese um dos maiores bombos da festa. «De vanguarda», para uns, «detestável», para outros, a continuação da obra-prima de Hugo Pratt nas páginas semanais da Tintin foi apenas um exemplo da qualidade editorial assumida até 2 de Outubro de 1982, data em que «a revista dos jovens dos 7 aos 77 anos» cessou a sua publicação. Não mais o leitor iria ficar preso à expectativa do «continua», justo no momento em que o vilão sacava da pistola.

CARLA MAIA DE ALMEIDA, Notícias Magazine, 10/08/2011



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