quinta-feira, 18 de julho de 2024

Tim-Tim repórter d’O Papagaio


Se a publicação de Tintin, a criação máxima de Hergé, ficou como o grande feito de O Papagaio, os seus leitores tiveram que esperar quase um ano, até ao nº 49, de 19 de Março de 1936, para o herói ser anunciado na revista, como seu repórter na “América do Norte, país civilizadíssimo, donde nos chegam as maiores invenções e belas afirmações de espírito artístico” mas que é também “infelizmente, um território onde o banditismo impera, no qual indivíduos da pior espécie e de todas as nacionalidades estabeleceram de há muito arraiais”. A Milu, seu companheiro de sempre, a revista trocava o nome e o sexo, anunciando-o(a) como “a cadelinha Pom-Pom” porque, explica José Azevedo e Menezes em “O Papagaio – Um estudo do que foi uma grande revista infantil portuguesa”, citando Dias de Deus: “n' O Papagaio já havia uma Milu (...); Simões Müller entendeu que não ficaria bem dar o nome de uma menina conhecida a uma cadela”… Dois números depois, em novo anúncio, já na capa, o seu nome passava a Rom-Rom mas o sexo trocado manter-se-ia até ao fim da revista. (...)

Finalmente, no nº 53, logo na capa, com cores vivas (e hoje exageradas) começavam as “Aventuras de Tim-Tim na América do Norte”, pela primeira vez em policromia em todo o mundo. Sinal de outros tempos, o respeito pelos originais de Hergé era pouco ou mesmo nenhum, sendo normal as pranchas serem retalhadas e remontadas, em função do espaço disponível ou a ocupar. 

Artur Correia, autor português de BD, ainda em actividade, numa entrevista publicada no Mundo de Aventuras 248 (5ª série, de 1978) lembra que n'O Papagaio “alargava juntamente com um talentoso moço chamado Soares, os desenhos das histórias do Tim-Tim para virem publicados na página central. Nós é que fazíamos os acrescentos para transformar uma página única numa dupla”...

Modificações que também se faziam sentir ao nível dos textos, a começar logo com “Tim-Tim na América”: na fase final da história, os operários ausentes da fábrica onde o herói sofre um atentado, em greve (proibida no nosso país) no original, tinham saído para almoço… 

Seguir-se-ia “Tim-Tim no Oriente” (Os Charutos do Faraó, publicado do #115 ao #161), no qual o vendedor de banha da cobra Oliveira de Figueira, o único figurante luso de relevo criado por Hergé, era apresentado como… espanhol! 

Depois, viriam as “Novas Aventuras de Tim-Tim” (“O Lótus Azul”, #166-#205) e a aventura africana do “repórter que nunca escreveu uma linha”, que o levou a pisar solo (colonial) português em “Tim-Tim em Angola” (“Tintin no Congo”, #209-#244). 

Já em “O Mistério da Orelha Quebrada” (#247-#298), o general Alcazar é rebaptizado de Manduca, para não ser associado ao episódio, então recente, do cerco do Alcazar de Toledo durante a Guerra Civil espanhola.

No episódio seguinte, “A Ilha Negra” (#301-#359), o adversário do herói deixou de ser o Dr. Müller (para não ser entendido como piada ao então já ex-director da revista), transformando-se num banal Dr. Silva, e em “Tim-Tim no deserto” (“O caranguejo das tenazes de ouro”, #366-#426), Haddock, que no original se sentia mal depois de beber um copo de água (por não ser de uísque) nas páginas de O Papagaio, sente-se mal mas melhora depois de beber a água!

A aventura seguinte (“A Estrela Misteriosa”, #435-#540) é publicada sem título e a presença de Tintin na revista portuguesa terminaria com “O Segredo da Licorne” (#617-#679).

Para além disso, Tintin surgiu em muitas capas de O Papagaio (cujas revistas correspondentes são hoje avidamente disputadas pelos coleccionadores), em desenhos originais ou feitos por autores portugueses, como boneco articulado de montar e mesmo noutras histórias, como é o caso da primeira aventura do “Boneco Rebelde”, de Sérgio Luiz [e Guy Manuel], em que contracena com o protagonista nas páginas iniciais, e como despoletador da acção em “Na pista de Tim-Tim”, de Diniz de Oliveira e Rodrigues Neves.

Pelo meio, ficaram também as tentativas goradas de Simões Müller de o levar consigo para o “Diabrete” (o que só conseguiu após o fim de O Papagaio), onde teve de se contentar com “Trovão e Relâmpago” (aliás “Quick et Flupke”), inicialmente publicados sem conhecimento de Hergé, e o facto de parte dos direitos de Tintin terem sido pagos em géneros, mais exactamente em latas de sardinhas, enviados para a Alemanha onde estava preso o irmão do desenhador belga.

Pedro Cleto (Texto publicado no dia 17 de Abril de 2010 na revista NS, distribuída ao sábado com o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias)

Foi a 18 de Abril de 1935 que O Papagaio abriu pela primeira vez, se não as suas asas, pelo menos as suas páginas às mãos e olhos ávidos dos miúdos a quem a revista se destinava, como se lia por baixo do seu cabeçalho, ao lado do qual também estava o preço – elevado para a época - de 1$00. No interior desse número inaugural – como durante o resto da sua vida, onde nunca ocupou mais de um terço das páginas - a banda desenhada – então chamada histórias aos quadradinhos pois o francesismo só entraria em uso décadas depois – era pouca, limitada a uma prancha de Tom (Thomaz de Melo, um dos responsáveis pela capa e pelo grafismo atraente da novel publicação), intitulada “Sabichão em calças pardas”, e meia prancha de Stuart Carvalhais, com os seus Quim e Manecas. Nas suas páginas, a preto e branco, uma ou várias cores, a prioridade era dada a contos, curiosidades, passatempos e concursos, tudo com um forte pendor didáctico e formativo, algo perfeitamente normal na época.

Publicação católica, semanal, com saída às quintas-feiras, propriedade da Renascença, tinha como director um dos maiores nomes que o jornalismo infanto-juvenil português conheceu, Adolfo Simões Müller.

A revista viria a durar 722 números, com altos e baixos, como é incontornável, e dela ficou como principal imagem de marca ter servido de modelo a muitos dos títulos infanto-juvenis lançados nos anos seguintes e o ter publicado – como estreia fora da francofonia e pela primeira vez a cores em todo o mundo – as aventuras de um certo Tintin. Hergé, o seu autor, no entanto, seria um dos poucos autores estrangeiros publicados em O Papagaio, juntamente com Jacobsson, Urátegui, Gordillo, Walter Booth e poucos mais, uma vez que a aposta principal de Müller foi sempre para os autores nacionais, alguns dos quais começaram ainda adolescentes nas suas páginas. Foi o caso de José Ruy, hoje um veterano, especialista em temas históricos, e o autor português com mais álbuns editados, que lá publicou as suas primeiras histórias aos quadradinhos quando contava apenas 14 anos, curiosamente todas no domínio da ficção.

Outros nomes nacionais que desempenharam um papel significativo no sucesso de O Papagaio, para além do já citado Tom, foram José de Lemos (responsável por toda a parte gráfica, após a saída daquele), Arcindo Moreira, Meco ou Rodrigues Neves. Mas, afirmam João Paiva Boléo e Carlos Bandeiras Pinheiro em “A Banda Desenhada Portuguesa 1914-1945” (Fundação Calouste Gulbenkian, 1997), deve-se aos irmãos Sérgio Luiz e Guy Manuel, precocemente desaparecidos, “a mais imorredoira criação de O Papagaio”, o Boneco Rebelde, protagonista de quatro aventuras.

Como casos peculiares há que citar ainda José Viana, o actor e humorista, autor de diversas bandas desenhadas de crítica de costumes, e Júlio Resende, hoje pintor de renome, então animador das festas e das emissões radiofónicas e criador do “emblemático Fagundes Arrepiado” que, escrevem Boléo e Pinheiro, revelava “um humor subtil e desconcertante, inteligente e invulgar, com uma originalidade que lhe vem de uma ironia natural”, e que também engrossaram, com engenho e mérito, o número de colaboradores da publicação. Por ela passariam ainda, embora de forma breve, nomes depois consagrados da 9ª arte nacional como Artur Correia, Vítor Péon ou José Garcês.

Com o modelo consolidado, apoiado também em separatas com banda desenhada ou construções de armar, concursos variados, no incentivo à correspondência por parte dos leitores e num programa radiofónico que alcançou grande sucesso, Simões Müller sairia no número 302, para dirigir o novo “concorrente” Diabrete, sendo o cargo de director assumido sucessivamente por Artur Bivar, José Rosa Ferreira e Laurinda Borges Magalhães.

Se, consensualmente, os primeiros cinco anos foram os melhores, os últimos foram de natural declínio, provocado também pelo aparecimento de novas propostas de uma concorrência forte (Mosquito e Diabrete), tendo O Papagaio, enquanto publicação autónoma, calado a sua voz a 10 de Fevereiro de 1949, 14 anos mais tarde, no nº 722. Teria ainda uma segunda vida, como secção da revista Flama, durante 96 números, até 9 de Fevereiro de 1951, mas já sem grande relevância.

Pedro Cleto (Texto publicado no dia 17 de Abril de 2010 na revista NS, distribuída ao sábado com o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias)

https://outrasleiturasdopedro.blogspot.com/2010/04/ha-75-anos-voava-o-papagaio.html


(#251; 1 Fevereiro 1940; Capa; Tim-Tim, Rom-Rom e Zigue e Zague, autor Sérgio Luiz)


(#237; 26 Outubro 1939; Banda Título; Tim-Tim e Rom-Rom; Guy Manuel)


(#199; 2 Fevereiro 1939; Banda Título; Tintim; Sérgio)

Comentários:

(...) julgo que convinha sobretudo não repetir ou transmitir a falsa ideia (que se encontra noutros sítios) de que o Abel Varzim alguma vez teria frequentado ou conhecido o próprio Georges Remi, ou sequer se correspondia com ele. Claro que não foi esse o caso e isso está patente logo na primeira carta que lhe endereçou para se apresentar, um escasso mês apenas depois do começo da publicação d’O Papagaio, para explicar o que era a novel revista católica infantil e solicitar os direitos de reprodução da série, de preferência a preço reduzido, epístolas e detalhes que conhecemos graças à reprodução pelo holandês Jan Aarnout Boer em “De Avonturen van Kuifje in Portugal”.

Na realidade, Abel Varzim conheceu quando estudante em Louvain apenas a “obra”, ou seja as próprias histórias do Tintin, através da versão original no Petit Vingtième, de que era assinante (nem menciona os primeiros álbuns da Casterman, porque claramente não os conhecia). E jamais se encontrou com o desenhador nem se correspondia de todo com ele, mas graças àquele contacto por carta — chamemos-lhe profissional — tivemos o Tintin em primazia em Portugal e ainda por cima em quadricromia! 

Já agora, antes da estreia nacional da própria história [Tim-Tim na América do Norte, em 16/04/1936,] no nº 53, a primeira menção ocorreu n’O Papagaio num anúncio na separata do nº 49 e depois na capa do nº 51 da revista infantil O Papagaio, ligada à revista católica Renascença e não [...] à emissora Rádio Renascença que ainda nem sequer existia quando do aparecimento da publicação em 1935 - note que as emissões de rádio d’O Papagaio começaram por isso mesmo na Emissora Nacional. 


ARTUR CORREIA :

Iniciou a carreira “aos 14 anos, no “Papagaio”, após o curso na Machado de Castro”, mas desde “os sete que copiava tudo o que era bonecada, influenciado pelo “Mosquito” que era mentor e substituía o cinema, enquanto influenciador da nossa fantasia”. No site que o filho lhe dedicou evoca que “na altura recebia 7$50 por ilustração e 20 escudos por página ou capa” e confessa que era um dos que “alargava os desenhos das histórias do Tim-Tim” (era assim que então se escrevia), “transformando uma prancha única numa dupla, para ocupar a página central”!

(em artigo de Pedro Cleto)

Artur Correia, autor português de BD, ainda em actividade, numa entrevista publicada em Mundo de Aventuras 248 [5.ª série, de 1978], lembra que em O Papagaio «alargava, juntamente com um talentoso moço chamado Soares, os desenhos das histórias do Tim-Tim para virem publicados na página central. Nós é que fazíamos os acrescentos para transformar uma página única numa dupla»...


AVENTURAS PUBLICADAS NA REVISTA

Tim-Tim na América do Norte (Tintin na América, #53-#110)
Tim-Tim no Oriente (Os Charutos do Faraó, #115-#161)
Novas Aventuras de Tim-Tim (O Lótus Azul, #166-#205)
Tim-Tim em Angola (Tintin no Congo, #209-#244)
O Mistério da Orelha Quebrada (#247-#298)
Tim-Tim Na Ilha Negra (A Ilha Negra, #301-#359)
Tim-Tim no deserto (O Caranguejo das Tenazes de Ouro, #366-#426)
A Estrêla Misteriosa (A Estrela Misteriosa, #435-#540)
O Segredo da Licorne (O Segredo do Licorne, #617-#679)

Datas de Publicação:

4º Congo - O Papagaio (1939) #209 de 13 de Abril de 1939 ao #244 de 14 de Dezembro de 1939 (Tim-Tim em Angola)

1º América - O Papagaio (1936) #53 de 16 de Abril de 1936 ao #110 de 20 de Maio de 1937 (Tim-Tim na América do Norte)

2º Charutos - O Papagaio (1937) #115 de 24 de Junho de 1937 ao #161 de 12 de Maio de 1938

3º Lotus - O Papagaio (1938) #166 de 16 de Junho de 1938 ao #205 de 16 de Março de 1939

5º Orelha - O Papagaio (1940) «Tim-Tim e o mistério da orelha quebrada») #247 de 4 de Janeiro de 1940 ao #298 de 26 de Dezembro de 1940

6º Ilha - O Papagaio (1941) (Tim-Tim na ilha negra) #301 de 16 de Janeiro de 1941 ao #359 de 26 de Fevereiro de 1942

7º Caranguejo - O Papagaio (1942) «Tim-Tim no deserto») #366 de 16 de Abril de 1942 ao #426 de 10 de Junho de 1943

8º Estrela - O Papagaio (1943) #435 de 12 de Agosto de 1943 ao #540 de 16 de Agosto de 1945

9º Licorne - O Papagaio (1947) #617 de 6 de Fevereiro de 1947 ao #679 de 15 de Abril de 1948

Leitura recomendada:

+ O Papagaio - O Jornal da Rapaziada Endiabrada (5ª edição, 2022) de José Azevedo e Menezes

Índice: Introdução; Ficha técnica; Edições diferentes; Erros; Separatas; Clube; Festas; Emissões Radiofónicas; Diabruras; O Tim-Tim de O Papagaio; A introdução de Tim-Tim em Portugal; A Correspondência entre Hergé e O Papagaio; As nove histórias de Tim-Tim publicadas n'O Papagaio; “Pastiches”; As adaptações de O Papagaio; Quadradinhos alterados e desaparecidos; Milou e Rom-Rom; Secções; O que eu queria ser; Concursos; Colaboradores nacionais; Colaboradores estrangeiros; Colaboração dos leitores; Raridades; O Papagaio da Flama; Colaboradores de O Papagaio da Flama; Índice das histórias aos quadradinhos.

+ Edições comparativas MC (Tim-Tim na América do Norte, Tim-Tim em Angola)

+ Artigo de Rita P. Ramos sobre Tim-Tim em Angola (Ópio - 1995; revista Quadrado - 2000)


Tim-Tim repórter de O Papagaio

Dos nomes das personagens ao sexo do cão: a vida atribulada da primeira versão portuguesa das aventuras do herói.

Se a publicação de Tintin, a criação máxima de Hergé, ficou como o grande feito de O Papagaio, os seus leitores tiveram de esperar quase um ano, até ao n.º 49, de 19 de Março de 1936, para o herói ser anunciado na revista, como seu repórter na «América do Norte, país civilizadíssimo, donde nos chegam as maiores invenções e belas afirmações de espírito artístico» mas que é também, «infelizmente, um território onde o banditismo impera, no qual indivíduos da pior espécie e de todas as nacionalidades estabeleceram de há muito arraiais».

Milu, seu companheiro de sempre, na revista trocava o nome e o sexo, anunciando-o(a) como «a cadelinha Pom-Pom» porque, explica José Azevedo e Menezes em O Papagaio – Um Estudo do Que Foi Uma Grande Revista Infantil Portuguesa, citando Dias de Deus: « Em O Papagaio já havia uma Milu, Maria de Lurdes Norberto, (1) que recitava e cantava aos microfones das emissões infantis; Simões Müller entendeu que não ficaria bem dar o nome de uma menina conhecida a uma cadela»…

Dois números depois, em novo anúncio, já na capa, o seu nome passava a Rom-Rom mas o sexo trocado manter-se-ia até ao fim da revista. [Também o capitão Haddock e o professor Tournesol foram rebaptizados, passando, respectivamente, a capitão Rosa e a professor Pintadinho…] (2) (3)

Finalmente, no n.º 53, logo na capa, com cores vivas (e hoje exageradas) começavam as Aventuras de Tim-Tim na América do Norte, pela primeira vez em policromia em todo o mundo. Sinal de outros tempos, o respeito pelos originais de Hergé era pouco ou mesmo nenhum, sendo normal as pranchas serem retalhadas e remontadas em função do espaço disponível ou a ocupar.

(artigo DN, 2010)

(1) Leonardo de Sá e Geraldes Lino chamaram-nos a atenção para o facto de não poder ter sido Maria de Lurdes Norberto, nascida em 1935, a causa do nome Rom-Rom: Simões Müller, em entrevista dada ao “Jornal de Letras”, de 16 de Março de 1987, diz que o nome Rom-Rom foi posto ao cãozinho de Tim-Tim, por nessa altura haver uma menina que cantava na Rádio, “a menina da Rádio”. Em 1935, com nove anos de idade, Milú já cantava nos programas infantis da Rádio Graça e era conhecida como “a menina da Rádio”. Milú Almeida ou simplesmente Milú, como ficou conhecida pelas suas participações nos filmes “O Costa do Castelo”, “O Leão da Estrela” e “O Grande Elias” (mas não em “A Menina da Rádio”, que foi protagonizado por Maria Eugénia, a Geninha). (Azevedo e Menezes, Monografia de O Papagaio)

(2) Haddock apenas foi chamado de Capitão Rosa em O Diabrete e nas revistas seguintes.

(3) Tournesol não aparece em nenhuma das aventuras publicadas na revista estreando-se apenas em O Diabrete.


A publicação editada pela empresa católica Renascença, recebeu o impulso dinamizador de Adolfo Simões Muller mas terá sido “ o grafismo e filosofia desenvolvidos por Tom ( Thomaz de Melo ) e José de Lemos” ambos herdeiros da tradição modernista, que a transformaram numa das publicações graficamente mais elogiadas pelas “ suas ternas , elegantes e divertidas BDs” e as suas” atraentes capas, esteticamente muito conseguidas e cheias de bom gosto” vide João Paulo Paiva Boléo e Carlos Bandeiras Pinheiro, Das conferências do Casino à Filosofia de Ponta[...] p. 99. O “Papagaio” será ainda referência na História da BD em Portugal por publicar em estreia internacional ( de países francófonos) as aventuras de Tintin ( a cores) e sobretudo pela criação portuguesa que foi o “Boneco Rebelde” de Sérgio Luiz, cujo personagem central se revolta permanentemente contra o seu criador num “ registo surrealista e fantástico que depois será passada para o cinema de animação naquela que foi um das primeiras experiências do género realizada em Portugal “

Carlos Pessoa , Roteiro Breve da Banda Desenhada em Portugal

terça-feira, 16 de julho de 2024

As Sete Bolas de Cristal no Diabrete

 


Diabrete 870 (1951)



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«Na nossa opinião a capa de As 7 bolas de cristal publicada no Diabrete em Março de 1951 é a mais bem conseguida entre todas as publicadas nas revistas portuguesas, devido à escolha das cores.» Loja Tintimportintim, 09/04/2024

D-597



quinta-feira, 11 de julho de 2024

Alerta, rapaziada!

No número 392 da revista "O Papagaio", de 15 de outubro de 1942, era oferecido um Tim-Tim articulado idêntico ao da "Collection belles Histoires de Vaillance" de 1941.

‎«La collection "Belles histoires de Vaillance" sont des fascicules illustrés diffusés de 1940 jusqu'à 1942 avant d'être interdits par l'occupant. »



Imagens partilhadas no grupo de facebook da Association Alpart - Le groupe des amis suisses de Tintin

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Tintim, por António Mega Ferreira


Conheci Tintim quando ele acabava de celebrar o seu 25º aniversário, era eu um miúdo de cinco anos. Foi nas páginas do "Cavaleiro Andante" que me encontrei com Tim-Tim, repórter "português", como então se escrevia. E eis o que guardo desse primeiro encontro (creio que começaram por publicar o "Templo do Sol", que só li bastante mais tarde): a clareza das imagens ("falavam" por si), a imprevisibilidade do génio do repórter-menino, o visível estrépito de um muito "gauche" capitão Rosa (era assim que se chamava o glorioso Haddock) e até o toque disneylândico de um cãozinho falante, a que os muito edulcorados editores portugueses deram o nome de Rom-Rom... 

O verdadeiro "coup de foudre" aconteceu com a longa série de episódios (a publicação original no "Journal de Tintin" alongou-se por quase três anos) que compunham as duas aventuras em que Tintim se abalança a ir até à Lua, quinze anos antes de Scott e Armstrong lá chegarem. E ficará para sempre comigo a estranha, descomunal aposta que consta da primeira parte da história, cujo ícone incontornável (criado pelo desenhador Bob De Moor, que se juntou à equipa chefiada por Hergé) é o prodigioso foguetão aos quadrados brancos e vermelhos, bandeira da Croácia antes de a Croácia ser...

Com as pranchas de "Rumo à Lua" ("Tim-Tim na Lua", titulava o "Cavaleiro Andante") sob os olhos, revejo, uma a uma, as sequências que então fizeram o meu encantamento. Por exemplo, o quadro da garrafa de água mineral que encharca o capitão Haddock (há uma cena paralela a esta em "L'Oreille Cassée", quando o lama cospe para o desprevenido capitão); ou Haddock emergindo, envolto em neve carbónica, do incêndio que ele próprio provocara ao acender a corneta acústica de Tournesol (Pintadinho de Fresco na muito chauvinista versão do "Cavaleiro Andante", que, aliás, "nacionalizava" todas as personagens); ou o escafandro exageradamente grande de Milou; ou Tournesol a dormir, empoleirado nos fios eléctricos exteriores, após a explosão de um obus; ou a "dança" de Haddock dentro do escafandro, por causa dos ratos; ou a hilariante sequência em que Haddock e Tintim tentam trazer Tournesol à razão e a imagem extraordinária do foguetão erguendo-se no espaço, com a Terra ao fundo.

Aquela sequência, belíssima, de Tintim no exterior da base e o episódio cómico com os ursos atraídos pelo cheiro do mel continuam associados vagamente a um qualquer odor da minha infância, mas confesso que, não sendo Proust, não consigo desbobinar, a partir desta vaga reminiscência, qualquer discurso real ou imaginariamente autobiográfico...

Como quase de certeza não tinha letras suficientes para ler a história, é nestas imagens, no seu poder evocatório ou sugestivo, que se deve procurar a persistência da minha infinita ternura pelas personagens criadas por Hergé, figura à qual, uma vez conhecida a biografia, dificilmente se pode dedicar mais do que um aceno de agradecimento, sem simpatia. Porque Hergé foi um "compagnon de route" do fascismo belga e simpatizante da barbárie nazi, isso hoje ninguém põe em dúvida (mas não celebramos Céline e Ezra Pound?). "Assez sur l'homme.

"Há duas coisas que me parecem irresistíveis em Tintim: por um lado, a clara arquitectura gráfica e visual da história, o uso de cores firmes e legíveis, a bidimensionalidade aparente (já repararam que as figuras de Hergé não projectam sombra, a não ser em contraluz?); por outro, o registo humorístico em que tudo se passa, retirando à história aquele grau de verosimilhança que a BD mais tarde iria reivindicar. Mesmo ao tempo em que comecei a folhear o "Cavaleiro Andante", outras personagens erguiam-se como paradigmas sérios de aventuras vividas como vida. O hierático Príncipe Valente, o turbulento Johnny Hazard (mas muito haveria a dizer sobre o aliciante "empastelamento" das imagens em Milton Caniff), o futurista Flash Gordon eram demasiado reais para serem verdadeiramente eternos na memória. Tintim era uma aventura de crianças contada e vivida como aventura e era isso que contava, para quem não podia ver ainda para lá do que as imagens lhe ofereciam.

"Rumo à Lua" não tem, por assim dizer, enredo. Na sua volumosa biografia de Hergé ("Hergé", 1996), Pierre Assouline conta como, apesar da frutuosa colaboração que mantiveram logo a seguir à Segunda Guerra, o autor de Tintim e o grande Edgar P. Jacobs (Blake e Mortimer, evidentemente) divergiam em aspectos fundamentais de construção da história: "Mesmo que não o diga, Hergé não se adaptava ao classicismo e à rigidez do seu colaborador... Segundo ele, a obsessão decorativa do seu confrade exercia-se em detrimento do ritmo da narração, da respiração da narrativa. Jacobs, para quem o exotismo começava logo nos arredores de Bruxelas, continuava a sonhar com imagens densas, a conferir uma dimensão mitológica e dramatúrgica aos lugares mais banais do nosso ambiente quotidiano, a calcular o trajecto das personagens a partir de verdadeiros horários de autocarros e a projectar-se no universo de a Marca Amarela. Nos antípodas da visão do mundo de Hergé, mas que importa" (págs. 394-95). Em 1947, consuma-se a ruptura.

Duas visões do mundo, de facto. Para o que aqui me interessa, convém reter a de Hergé: infinitamente simples e clara, quase adolescente (quando não mesmo infantil), ligada para sempre à sua origem, a de um desenhador de "cartoons" para publicações católicas e de escuteiros. Essa visão "boy-scout", por muito perniciosa que possa parecer aos exegetas "psicanalistas" de Tintim, cola perfeitamente com a capacidade de deslumbramento da criança perante o mundo. Hergé contava às crianças aventuras onde a dor, o sofrimento e a morte estavam de todo ausentes. Os bons, como os maus, sobreviviam aos seus próprios infortúnios circunstanciais, para retomar mais adiante a narrativa de uma teia simples de golpes e contragolpes pelos quais se construía, quase sem história, a "estória" a contar. 

É curioso pensar que, de toda a sua obra, é o díptico lunar que provoca maiores reticências críticas (Assouline, cit., págs. 500-15). A aventura espacial de Tintim é para Hergé um imperativo tornado necessário por aquilo que ele julgava ser, no início da década de cinquenta, o declínio do "Journal de Tintin". Hergé entendia que as suas histórias deviam cada vez mais ligar-se aos acontecimentos que andavam na boca do mundo e, de facto, a partir de 1957, a conquista do espaço vai tornar-se um tema quotidiano. Para mim, quaisquer que sejam as considerações de ordem estética que o díptico inspire, é através de "Rumo à Lua" que se abre a via láctea da banda desenhada, vista então entre nós como "histórias aos quadradinhos", mas percebida por mim, nesses meados de cinquenta, como a verdadeira porta aberta para a fantasia, a imaginação e o humor. Para uma criança que apenas começava a conhecer as primeiras letras, Tintim foi a revelação da televisão - antes de a televisão existir.

António Mega Ferreira, Público, 18/01/1999

(republicado no livro "Papéis de Jornal")

~

UMA INFÂNCIA FELIZ E BEM POVOADA

Nunca meti o dente nos romances de Walter Scott, mas chorei com Coração de Edmundo de Amicis e delirei (ainda deliro, eh oui!) com todas e cada uma das aventuras de Tintin. Foi, portanto, uma infância feliz e bem povoada. As grandes solidões vieram depois, com L’Étranger de Camus e O Velho e o Mar de Hemingway. Mas isso são outras histórias de outras leituras.

(na lista de leituras recomendadas pelo entrevistado é indicado: Revista Cavaleiro Andante e Aventuras de Tintim, Hergé)

(...)

http://magnetesrvk.no-ip.org/casadaleitura/portalbeta/bo/portal.pl?pag=sol_lminf_detalhe&id=71

António Mega Ferreira (1949-2022) foi um escritor, tradutor, jornalista e gestor cultural português.

https://divulgandobd.blogspot.com/2016/10/palestra-sobre-bd-por-dr-antonio-mega.html


quarta-feira, 3 de julho de 2024

domingo, 30 de junho de 2024

Isabel Brison e João Santos

TINTIM POR TINTIM

Exposições - «Tintim por Tintim» - Isabel Brison e João Pedro Santos - (26-05-2007 a 21-06-2007)

Exposição de Colagem Digital - 06.2007    

Celebrada na semana em que Hergé faria o seu 100º aniversário e posteriormente retirada do site e proibida a comercialização a pedido da fundação "Hergé et Moulinsart".

https://web.archive.org/web/20071106144714/http://www.worknshop.com/pages/artwork.html

Tintin, herói de muitas Artes

Há, de facto, outras artes, além da Banda Desenhada, onde a figura da personagem Tintim tem sido aproveitada (Cinema, Pintura, Teatro). E bem assim alguns dos seus comparsas, com destaque para os Dupondt, Capitão Haddock, Professor Tournesol, Bianca Castafiore, sem esquecer o cão Milou.

É o que acontece na exposição de colagens digitais realizadas pelos jovens artistas Isabel Brison e João Santos, cujos aproveitamentos das figuras criadas por Hergé têm desconcertante imaginação, qualidade estética e grande originalidade de composição plástica.

A ver, sem falta, por todos os bedéfilos em geral, mas especialmente os tintinófilos - alô João Paulo Paiva Boléo, alô José Menezes - , que nem sabem o que perdem se não virem as imagens criadas pela dupla Brison & Santos, que demonstram talento e... apreciáveis conhecimentos de BD. Além de óbvio sentido de oportunidade, por terem aproveitado o momento em que tanto se tem falado do centenário do nascimento do genial Hergé, para recriarem as imagens Hergianas. A exposição está patente até ao dia 21 de Junho (apressem-se, eu diria mesmo mais, não percam tempo, apressem-se) na Galeria Loja d'Arte, na Rua das Pedras Negras, 17.

Geraldes Lino, Divulgando Banda Desenhada, 12/06/2007


Cartaz anunciador da exposição de colagem digital "Tintim por Tintim" - inaugurada no dia 26 de Maio de 2007 work&shop

http://www.worknshop.com/

https://tintinemportugal.blogspot.com/2007/06/tintin-em-exposicao.html

Foi inaugurada no passado dia 26 de Maio na galeria WORK&SHOP, "Tintim por Tintim", a primeira exposição pública da experimentação com colagens digitais iniciada em 2004 por Isabel Brison e João Santos.

O universo do Tintim pertence a um imaginário colectivo - internacionalmente extenso - que evoluiu desde 1930 apurando e insistindo na caracterizaçãodas suas personagens: desde o próprio Tintim, intrépido, ao Capitão Haddock, auto-acidentado; do distraído Professor Girassol aos deslocados irmãos Dupondt.

Em "Tintim por Tintim" geram-se compostos, relações e hierarquias de corpos em diversos cenários da série. Quebrando a linearidade da narrativa simples da Banda Desenhada original, mas usando esse lugar comum, estas obras deslumbram a justaposição e simultaneidade, recriando compostos imagéticos e relembrando questões ontológicas.

Dos oito aos oitenta, esta exposição apresenta novas aventuras em tudo diferentes das que acompanharam várias gerações.

A exposição termina a 21 de Junho e a galeria fica na Rua das Pedras Negras, 17, Lisboa. 

http://www.worknshop.com/pags/i00.html

https://arquivo.pt/wayback/20091001030223/http://tintinofilo.over-blog.com/60-categorie-849313.html


quinta-feira, 27 de junho de 2024

O Que Eu Queria Ser

Uma das rubricas mais apreciadas de "O Papagaio" era "O Que Eu Queria Ser".

Na edição de O Papagaio nº 245 de 21/12/1939 temos uma jovem leitora que queria ser companheira de Tim-Tim nas suas aventuras. O desenho é de Sérgio Luiz (1921-1943). 



Na tese de Carlos Sêco sobre A. Simões Muller aparece um outro desenho de Sérgio Luiz (gentilmente cedido por Zé Oliveira) onde aparece Rom-Rom em duas versões. Junto a um futuro veterinário e na versão boneco junto de uma "médica de bonecos".


O Papagaio nº 251, 1  de Fevereiro de 1940

Outros exemplos mas sem ligação a Tim-Tim: Arcindo (2), 59


Informação recolhida na monografia de AM:

Que Eu Queria Ser: 7, 9, 11, 15, 18, 20/22, 24, 25, 27, 29/31, 33, 34, 36, 37, 42, 45, 46, 49, 50, 53, 55, 57,58, 59, 61, 62, 63, 65, 67, 69, 72, 75, 76, 78, 89, 95, 96, 101, 105, 109, 114, 117, 121, 125, 127, 128, 130, 131, 133, 134, 136, 138, 140, 141, 143, 144, 148, 150, 155, 156, 161, 165, 170, 178, 183/185, 189, 195/199, 201/203, 205, 206, 210, 212, 220, 234, 240, 245, 251, 253, 261, 275, 281, 290, 295, 302, 307, 308, 311, 317, 318, 325, 337, 340, 346, 354, 366, 372, 384, 434, 477

Algumas figuras conhecidas que eram leitores  e que apareceram na rubrica.

Ester de Lemos (6-02/12/1929) - 34/1935
Maria de Lourdes Belchior (09/07/1923) - 50/1936
Álvaro Monjardino (06/10/1930) - 105/1937
Mariette Pessanha - 122/1937
Artur Varatojo (21/08/1926) - 185/1938
Manuel Ivo Cruz (8-18/05/1935) - 317/1941
Maria de Lourdes Norberto Milu (6-28/01/1935) - 337/1941
Carlos Fabião (10-09/12/1930) - 346/1941
Ivone Silva (10-24/04/1936) - 477/1944

terça-feira, 25 de junho de 2024

Pedro Leitão


«O Zé Leitão, a Maria Cavalinho e o Filipe estão com blocos a fazer construções, quando aterra uma descontrolada nave espacial em cima do telhado de sua casa. Essa nave pertence a dois extraterrestres do planeta Ondax, o Mangaz e o Zezim, que pretendem ir fazer surf. Juntos com a família Cavalinho, vão apanhar boleia do Catarino e o Zeferino na sua carrinha em direção às ondas gigantes azul-turquesa, mas pelo caminho ainda param numa sessão de autógrafos dos mais famosos personagens de banda-desenhada do mundo a decorrer num festival de BD. Ao chegarem à praia têm uma nova surpresa, pois o Dom Aldo, o surfista-egoísta quer as ondas só para ele…»

"As ondas gigantes azul-turquesa", de Pedro Leitão (Gailivro, 2024)

As Aventuras de Zé Leitão e Maria Cavalinho são sempre muitos divertidas ao mesmo tempo que focam assuntos importantes, onde prevalece sempre a importância da amizade e da entreajuda. A mais recente aventura desta série escrita e desenhada por Pedro Leitão, é o 16.º volume e tem como título "As ondas gigantes azul-turquesa", pois, como já se sabe cada história está associada a uma cor que também faz parte do título.

Desta vez, a aventura azul turquesa para além de divertir os mais pequeninos, também irá divertir os adultos, principalmente aqueles que gostam de Banda Desenhada. Porque para além da história meter extraterrestres e surfistas, há também lugar a um Festival de Banda Desenhada onde personagens como Astérix e Obélix, Tintin, Lucky Luke ou Spirou, estão numa sessão de autógrafos.

A somar a tudo isto, ainda uma brincadeira sobre cartazes de candidatos em tempo de eleições.

Juvebede, 28/05/2024

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Tintin por Tintim

O "Espaço Litoral - Novo Século", situado em Lisboa na Rua do Século 4 B, organizou em 1990 a exposição "Tintin por Tintim" dedicada à pintura, escultura, fotografia e vídeo.

A loja passou a ter o nome de "Tintin por Tintim" conforme postal já aqui publicado. Posteriormente mudou de nome para Tom Tom Shop.

Tim-tim por tom-tom

A Tom-Tom Shop abriu um novo espaço. Para quem o nome não diz nada: é uma casa que já tem oito anos*. Começou por ser uma galeria de arte, foi durante muito tempo a Tintin por Tintim e dado os constantes problemas da utilização de um nome parecido com o famoso herói da banda desenhada, o i foi substituído pelo o!

Do outro lado da Rua do Século, mesmo em frente à primeira casa, Dirk Oudman, o empreendedor deste projecto, resolveu apostar na ocupação de um espaço diferente, onde dispõe uma maior oferta de peças de mobiliário. Instalou-se numa antiga padaria com seis divisões, cuja traça original manteve. Os azulejos da parede e do chão são os de origem e o balcão de atendimento e as bancadas de exposição do pão foram adaptados às suas novas funções.

Hoje, em vez de pão expõem candeeiros e ventoinhas e, num futuro próximo, esta sala mais pequena irá dispor de jogos para a criançada se entreter, enquanto os adultos tratam dos seus assuntos.

Nas salas interiores aproveitou a existência do forno de cozer pão e a máquina de misturar as farinhas que agora combinam de forma curiosa com o mobiliário de linhas direitas e cores vivas que ocupam aquele local.

O espírito da casa continua a centrar-se na proposta de artigos de «design» a preços relativamente acessíveis. Nos números pares (nº 4 /A,B,C), a Tom-Tom mantém os pequenos objectos de decoração e os acessórios utilitários para cozinha, casa de banho e sala; nos números ímpares (nº 13 e 15, tel. 3479733), a ex-padaria concentra os móveis onde pode encontrar sugestões variadas para a decoração das suas diferentes assoalhadas, desde armários, mesas de apoio, mesas de trabalho para um ou mais computadores e cadeiras, uma infindável oferta de cadeiras de formas, materiais e cores diferentes.

Teresa Condeixa, Expresso, 27/03/1999

Na Rua d'O Século (n.º 4. Tel.: 213479733), a Tom Tom é o caso de sucesso de um holandês com ideias e sem medo de trabalhar. Com dois espaços distintos - um em cada lado da rua -, está dividida em ambientes para facilitar a tarefa da escolha: tudo para a cozinha, casa de banho e acessórios para a sala de um lado; mobiliário de escritório, sala de estar e de jantar, puffs coloridos e quadros criativos, do outro.

A loja de Dirk Oudman, recentemente renovada, é o estereótipo do Bairro Alto de hoje: onde tudo e todos coabitam - do design mais depurado às criações mais kitsch, dos adolescentes tatuados às senhoras com crianças.

Jornal de Notícias, 15/08/2005

Dirk Oudman

Ao conversarmos com Dirk Oudman, 59 anos, é fácil sentirmos a sua portugalidade imensa. Começa por contar que a primeira vez que pisou solo português foi em 1975, após a revolução de 25 de Abril, trazido por amigos portugueses que estavam refugiados no seu país: “Vim passar o Verão com eles a Portugal”. De regresso à Holanda, confessa que foi difícil adaptar-se, depois de ter experimentado o muito peculiar estilo de vida português.

Dirk é licenciado em Engenharia de Têxteis, mas cedo percebeu que não era esta área que fazia o seu género: “Preferia montar um stand numa praça de Groningen [Holanda] e vender lá artesanato de Barcelos, das Caldas da Rainha ou do Alentejo”. As peças, comprava-as em drogarias portuguesas e conseguia bom valor por elas no mercado holandês: “Pagavam-me três semanas de férias”

(...)

Depois da entrada na CEE, em 1985, assistiu-se a um boom de consumismo em Portugal, e foi nessa altura que Dirk Oudman decidiu mudar-se definitivamente para o Porto: “Vendia artigos completamente diferentes e era o único que negociava com todas as lojas até à fronteira com Espanha. Nesse aspecto fui pioneiro das importações”.

Mais tarde, veio para Lisboa e criou a loja Tintin por Tintim, hoje Tom Tom Shop. Um marco na história da capital, por ter sido a primeira a comercializar peças de design, que, ainda hoje, se encarrega de surpreender os clientes através de artigos diversos, como serviços de louça, estatuetas ou máquinas de engraxar sapatos – objectos de design puro que, para além de emotivos, são funcionais.

Manuel Simões / Up Magazine, 01/04/2011

Procura um presente original e pouco dispendioso? Pode terminar a pesquisa no Bairro Alto, onde a Tom-Tom Shop inaugurou a segunda loja. A saber: está aberta até às 22 horas.

Tudo começou nos anos 80, quando uma galeria de arte chamada Tintin por Tintim, onde também eram vendidos objetos de decoração, abriu portas. Foi das primeiras lojas a importar artigos de gift&design, antes mesmo da entrada do país para a Comunidade Europeia. Há 12 anos*, a designação mudou para Tom-Tom Shop. O Bairro Alto tem sido desde sempre a sua casa, por “representar o futuro de Lisboa no seu melhor. Um futuro alternativo, diversificado e cosmopolita, tal como a loja”, considera Dirk Oudman, proprietário. No início do mês passado, dá novo passo, com a abertura da segunda unidade. A Tom-Tom Shop pretende acentuar a sua vertente de loja de presentes, numa rua mais central, a Rua do Norte, uma das principais do Bairro Alto. Funciona em horário alargado, ideal para presentes de última hora ou para quem gosta de sair à noite. Não existem critérios de utilidade ou funcionalidade, até porque os objetos mais vendidos são, de uma forma geral, inúteis. É o caso dos ‘Vudus’, que simulam um comando remoto de televisão para alegadamente controlar a mulher, o filho… Quem não tem imaginação encontrará aqui algo original, com humor e ironia. E quem for habitualmente imaginativo encontra um concentrado de diversidade. “A segunda loja funciona também como montra da primeira até porque, apesar dos seus 20 anos, ainda há muita gente a descobri-la na Rua do Século completamente por acaso, e a Rua do Norte tem uma visibilidade maior. Pretendemos, pela proximidade, trocar com muita frequência os produtos comercializados nas duas lojas”, refere a responsável pela comunicação da Tom-Tom Shop. De seg. a sáb., das 11 às 22h.

R. do Norte, 20/22, Lisboa

Tel. 213.467.142

Tom-Tom Shop Horas, telefone e endereço

R. do Século, 4-B - Loja, Lisboa

Activa, 27/06/2011


domingo, 16 de junho de 2024

Totor

Totor C.P. des Hannetons apareceu entre Julho de 1926 e o verão de 1929 na revista belga "Le Boy Scout Belge".

Argumento/Desenho: Hergé

EXTRAORDINÁRIAS AVENTURAS DE TOTOR

(Totor C.P. dos Besouros em Portugal na revista Tintin)

1ª Edição de: 01-1982 - Pranchas: 26

Revista: TINTIN - Números :Nºs 1451 a 1511

https://bdmania.comunidades.net/extraordinarias-aventuras-de-totor1


Em Portugal tinha aparecido pela primeira vez em 1927 na revista "Scout Lusitano" (número único) publicada na Covilhã,