quarta-feira, 13 de junho de 2007

Tintin em exposição

exposicao.gifFoi inaugurada no passado dia 26 de Maio na galeria WORK&SHOP, "Tintim por Tintim", a primeira exposição pública da experimentação com colagens digitais iniciada em 2004 por Isabel Brison e João Santos.
O universo do Tintim pertence a um imaginário colectivo - internacionalmente extenso - que evoluiu desde 1930 apurando e insistindo na caracterizaçãodas suas personagens: desde o próprio Tintim, intrépido, ao Capitão Haddock, auto-acidentado; do distraído Professor Girassol aos deslocados irmãos Dupondt.
Em "Tintim por Tintim" geram-se compostos, relações e hierarquias de corpos em diversos cenários da série. Quebrando a linearidade da narrativa simples da Banda Desenhada original, mas usando esse lugar comum, estas obras deslumbram a justaposição e simultaneidade, recriando compostos imagéticos e relembrando questões ontológicas.
Dos oito aos oitenta, esta exposição apresenta novas aventuras em tudo diferentes das que acompanharam várias gerações.
A exposição termina a 21 de Junho e a galeria fica na Rua das Pedras Negras, 17, Lisboa.

http://www.worknshop.com/pags/i00.html

quinta-feira, 7 de junho de 2007

TBD273f15.jpgA Tertúlia BD, como o próprio nome indica, é um grupo de apaixonados pela banda desenhada, que há 22 anos, sob a égide do bedéfilo Geraldes Lino, se reúnem para compartilharem a sua paixão em jantares de confraternização. Paralelamente, é editado um pequeno boletim «Folha Volante» que é distribuídos aos tertulianos presentes. A capa da «Folha Volante» nº 180 de Junho de 2007 é dedicada ao Tintin, contendo um artigo de Luís Silvestre publicado na revista Sábado de 3 de Maio e uma pastiche de Pedro Massano editada na revista .

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Tintin na feira da Matemática

Feira-210.jpgNo passado dia 1 de Junho no Museu da Ciência da Universidade de Lisboa teve lugar uma Feira da Matemática com uma exposição tintinófila intitulada à cata das gralhas na álgebra de Tintin que consistia em descobrir erros matemáticos nas aventuras de Tintin.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Tintin e a Matemática




No passado dia 2 de Junho no Museu da Ciência da Universidade de Lisboa o professor Nuno Crato deu uma palestra subordinada ao tema «Tintin e a Álgebra da Aventura » Hergé, o genial criador das aventuras de Tintim e Milou, nasceu há 100 anos.

Nos álbuns do audacioso repórter percorrem-se muitas descobertas do século XX. Frequentemente, Tintim mostra-nos princípios físicos, matemáticos e biológicos da vida moderna. Mas Tintim nem sempre acerta. Por vezes engana-se nas contas, desenha os relógios de sol ao contrário, aponta mal os telescópios, confunde as cores do arco-íris ou faz erros elementares de mecânica física. esta palestra vamos mostrar como as aventuras de Tintim acompanharam a evolução da ciência do século XX e vamos lançar alguns desafios para se descobrir onde Tintim se enganou nas contas. Falamos para todas as idades, tal como Tintim: dos 7 aos 77.

 http://clube.spm.pt/static.php?orgId=220

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Hergé ainda na sombra de Tintim

Cem anos passados sobre o seu nascimento, o autor belga Hergé é ainda hoje conhecido (quase) apenas por ter criado em 1929 o invencível repórter Tintim, cujo sucesso se sobrepôs à vida de um homem pacato e conservador. Hergé dedicou mais de vinte álbuns a Tintim.

“Não há referências na banda desenhada que se comparem a Hergé e ele foi precursor na Europa”, afirmou o divulgador de BD João Paiva Boléo. Hergé, que nasceu em Bruxelas a 22 de Maio de 1907, criou o repórter Tintim em 1929 e até hoje esta é a mais famosa personagem da banda desenhada da Europa.

Ao longo de quase cinquenta anos (entre 1930 e 1976), Hergé deixou mais de vinte álbuns com histórias ricas e bem construídas, com personagens cativantes que fazem um resumo da natureza humana, sublinhou Boléo, que se considera um “Tintinófilo”. Apesar de a banda desenhada ter dominado a sua vida artística, Hergé (nome artístico com as iniciais invertidas de Georges Remi) trabalhou nas artes gráficas. “Ele tinha aspirações a ser um gráfico e chegou a fazer desenhos publicitários nos anos 1930, deixando trabalhos com um sentido moderno do seu tempo”, relata João Paiva Boléo.

No entanto, Tintim e o seu inseparável “fox terrier” Milú impuseram-se a Hergé desde que foram criados, num suplemento do jornal Le Vingtième Siècle, em Janeiro de 1929. Hergé tinha apenas 22 anos.

A primeira história, «Tintim no país dos sovietes», era a preto e branco e revelava “um traço tosco e mal desenhado. Na infância Hergé teve más notas a desenho”, lembrou o bedéfilo Geraldes Lino. O estilo, mais tarde designado “linha clara”, foi sendo aperfeiçoado ao longo dos anos, com as histórias a servirem de aprendizagem para a construção dos enredos e dos cenários realistas, a definição do traço e das cores, que influenciariam gerações de artistas.

Escuteiro na infância, agnóstico e conservador, Hergé foi, no entender de João Paiva Boléo, muitas vezes mal interpretado. “Criou-se uma lenda de que Hergé era fascista e racista”, recorda Boléo, autor de vários estudos sobre BD portuguesa. Em causa estão, por exemplo, os álbuns «Tintim no país dos sovietes» (1930), no qual o repórter é enviado à Rússia e em que Hergé alegadamente ridiculariza os comunistas, e «Tintim no Congo» (1931), com uma visão colonialista e paternalista de África por parte dos belgas. “Ele não tinha desprezo pelos negros ou pelos judeus, mas alguns dos episódios passados são verdadeiros”, refere Boléo. No entanto, as histórias e as personagens “foram gradualmente mudando, deixando para trás racismos primários ou anti-semitismos para não chocar os leitores”, referiu Geraldes Lino.

Ao longo da sua vida, Hergé foi tendo mais cuidado e sensibilidade com as interpretações políticas das suas histórias, até porque os álbuns de Tintim foram traduzidos e publicados em dezenas de países fora da Europa. “Foi a partir de «O lótus azul» (1936) que Hergé teve consciência do que andava a fazer”, denotando uma maior preocupação com o rigor, opina Boléo, referindo uma viagem que o autor fez à China. Geraldes Lino evoca, por seu lado, o crescente gosto de Hergé pela cultura e pela arte, expresso no inacabado «Tintim e a Alph-Art», publicado em 2004.

Apesar de Tintim ter ofuscado toda a obra de Hergé, o autor belga criou ainda, em 1930, a série «Quick & Flupke», publicada em Portugal com os títulos «Tropelias de Trovão & Relâmpago» e mais tarde «As aventuras de Quim e Filipe». “É a segunda série mais importante de Hergé, mais rica sociologicamente e que reflecte o que era Bruxelas dos anos 30”, descreve João Paiva Bóleo. Em 1936, Hergé desenhou a série de ficção científica «Jo, Zette & Jocko», editada em Portugal como «Joana, João e o macaco Simão».

Da sua vida privada sabe-se que Hergé foi escuteiro, não teve filhos, viveu rodeado de amigos e viajou sobretudo nos últimos anos de vida, já com a segunda mulher. Há pelo menos um português que se atravessa na vida de Hergé, quando o autor belga viveu em França durante a segunda guerra mundial, numa altura em que a Bélgica foi ocupada pelas tropas alemãs. As biografias referem que o editor de Hergé em Portugal, Adolfo Simões Muller, pagou os direitos de autor a Hergé em géneros alimentares em vez de dinheiro, dadas as dificuldades do autor. Adolfo Simões Muller foi o responsável por Portugal ter sido o primeiro país em todo o mundo a publicar as aventuras de Tintim a cores em 1936, no jornal O Papagaio. Desconhece-se a razão que levou Hergé a criar a personagem Oliveira da Figueira, um comerciante, que entra no álbum «Tintim na América» (1932).

Sílvia Borges Silva (Agência Lusa) / O Primeiro de Janeiro

https://arquivo.pt/wayback/20090725111347/http://tintinofilo.over-blog.com/20-archive-05-2007.html

terça-feira, 29 de maio de 2007

Câmara Clara

Na semana em que Hergé, o célebre criador de Tintim, faria cem anos, o Câmara Clara recebe João Paulo Cotrim e Miguel Portas, dois autores amantes de BD, para uma conversa sobre histórias aos quadradinhos que marcaram gerações, anteciparam acontecimentos e abalaram regimes. Um programa sobre histórias aos quadradinhos que nos fazem viajar pelo mundo, sonhar, tremer e rir. Uma emissão com  muito mais que grandes desenhos e grandes textos: para lá da tradução do percurso ideológico de Tintim por Guilherme d' Oliveira Martins e dos erros científicos de Tintim por Nuno Crato, para lá dos maiores nomes da história universal da BD e dos maiores talentos nacionais no género, trazemos-lhe, ainda, o escritor premiado Arnon Grunberg na sua única entrevista televisiva; a última exposição de Filipe Rocha da Silva; a exuberante cantora Lila Downs e a super-estrela do piano, Lang Lang.

RTP

https://arquivo.pt/wayback/20081021110622/http://camaraclara.rtp.pt/arquivo/070520.htm

+

João Paulo Cotrim, escritor e Miguel Portas, eurodeputado, falam do primeiro contacto que tiveram com o Tintim e ao longo do programa falam da banda desenhada de um modo geral. 06m05: Fotografia a preto e branco de Hergé a desenhar; capa do primeiro suplemento no "Petit vingtième" com "As aventuras de Tintim no país dos sovietes" de Hergé; capa e ilustrações dos livros "Tintim no Congo", "Tintim na América", "O Lótus azul", "O ceptro de Ottokar" de Hergé alternada com declarações de Guilherme d´Oliveira Martins, Presidente do Tribunal de Contas, que traça o percurso ideológico do Tintim; declarações Nuno Crato, cientista e professor, fala dos erros científicos de Tintim, alternado com a capa e ilustrações dos livros "O templo do sol" e "Explorando a lua". 10m51: João Paulo Cotrim e Miguel Portas falam das aventuras de Tintim e do seu criador. 18m17: Capa, comentários e páginas do livro "O Messias dos Judeus" de Arnon Grunberg; declarações de Arnon Grunberg, escritor. 27m30: Capa do livro "A Caçada" de Enki Bilal e Pierre Christin, com comentários e breve resumo feito pelos convidados. 30m11: Breve historial da banda desenhada, provocada pela competição dos jornais em Nova Iorque no início do Século XX; capa e ilustrações do livro "Litte Nemo in Slumberland" de Winsor McCay; desenhos do livro "Le docteur pestue" de R. Toepffer; declarações de Pedro Moura, crítico de BD alternada com imagens da BD de Tarzan, Flash Gordon, Superman, Príncipe Valente, série Spirou, Astérix nos jogos olímpicos, Maus e série Akira. 36m13: Capa dos livros "O Desejo de ser inútil" e "Corto Maltese: a casa dourada de samarcanda" de Hugo Pratt, "O Líbano: entre guerras, política e religião" e "O resto é paisagem" de Miguel Portas. 44m03: Breves imagens e historial da banda desenhada de autores portugueses, contada no livro, que apresenta a capa com o título "Das conferências do Casino à filosofia de ponta: percurso histórico da banda desenhada portuguesa" de João Paulo Paiva Boléo e Carlos Bandeiras Pinheiro; declarações de João Paulo Paiva Boléo, investigador e crítico de BD. 47m34: Capa e desenhos do livro "A Cidade nos Ecos da Semana" de Carlos Botelho; capa da obra "Rafael Bordalo Pinheiro: foto-biografia" de João Paulo Cotrim. 51m55: Capa dos livros "Salazar: agora, na hora da sua morte" de João Paulo Cotrim e Miguel Rocha e "Stuart: a rua e o riso" de João Paulo Cotrim. (...)

Arquivo rTP


Georges Rémi, 22 de Maio de 1907 - 22 de Maio de 2007

Georges Rémi é o nome verdadeiro de Hergé, genial criador de Tintin, e que nasceu faz hoje 100 anos.

Desde miúdo que adoro as aventuras do jovem repórter. Comecei a saboreá-las na mítica revista Tintim, cujo único demérito foi marginalizar entre nós a BD clássica americana, praticamente já só apresentada entre nós no Mundo de Aventuras. A ligação à revista-mãe Tintin e os contratos associados assim o provocaram (...) [LER TUDO]

https://arquivo.pt/wayback/20080215041557/http://www.alamedadigital.com.pt/n8/horizonte.php

COMBUSTÕES

O homem era fascista, que mal tem isso ? - por Miguel Castelo Branco

João Paulo Cotrim, Miguel Portas e Guilherme Oliveira Martins na RTP-2 e até o incansável Marcelo na 1 tratando infantilmente do tópico do dia: Tintin. Uma quase monomania em torno das ligações ideológicas e amizades fascistas de Hergé: obsessão, repetição, estreiteza de informação e visão, manipulação e ausência flagrante de gosto. É verdade, Hergé era fascista, pró-nazi, anti-semita, anti-americano, nostálgico dos universos pitorescos, dos povos irredutíveis e declarado inimigo do comunismo. É-me totalmente indiferente que fosse ou não seguidor de Léon Degrelle, de que, aliás, o jovem e heróico repórter é fiel (...) [LER TUDO]

https://arquivo.pt/wayback/20070830133227/http://www.alamedadigital.com.pt/n8/blogues.php

Manecas

Hoje a ouvir a Paula Moura Pinheiro no Câmara Clara sobre o Hergé, João Paulo Cotrim em conversa com Miguel Portas, lembrou as aventuras do Manecas que até o Lenine foi conhecer ao país dos Sovietes. Antes mesmo do Tintin.

No caso o Manecas, de Stuart Carvalhais o pai da banda desenhada portuguesa, vai conhecer os boches. Mas não se vai deixar enganar, não vai não.

Dias que Voam, 20/05/2007

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Hergé 100


Sugestões de Leitura VERBO

Agora que se aproxima o Dia Mundial da Criança, porque não oferecer um livro? Sugestões para os mais novos descobrirem o maravilhoso mundo da Banda Desenhada, através de aventuras que continuam a resistir à corrosão do tempo e às modas, irresistíveis também para os pais! As Aventuras e Desventuras de Quim e Filipe (Hergé)  As Aventuras de Joana, João e o Macaco Simão 

Parabéns Hergé!

Hergé, desenhador belga, cujo verdadeiro nome era Georges Remi, foi o criador das inesquecíveis histórias de banda desenhada do Tintim, um jovem que vive fantásticas aventuras com o inseparável Milu, os gémeos Dupond e Dupont, o capitão Haddock e o professor Girassol. 

As histórias apareceram inicialmente num suplemento juvenil do jornal Le Vingtième Siècle, em 1929.  

Hergé tem um traço firme, ágil, exacto, e os seus desenhos testemunham uma sólida cultura histórica, geográfica e científica, e expressam frequentemente os valores da liberdade contra todos os tipos de tirania.

Tintim é uma das personagens de BD mais populares do mundo e, porventura, o repórter mais famoso do mundo.  Portugal foi o primeiro país não francófono a editar as aventuras de Tintim, seis anos depois de a obra começar a ser publicada na imprensa belga. As tiras que compunham Tintim na América do Norte apareceram nas páginas do número 45 da revista O Papagaio, a partir de Abril de 1936.

A edição em álbum teve início em 1988 através da Verbo. Desde então já se venderam perto de 1.000.000 de exemplares! 

As Aventuras de Tintim

Tintim no País dos SovietesTintim na AméricaOs Charutos do FaraóO Lótus AzulO Síndico / O Lotus Miste...O Caranguejo das Pinças de OuroA Estrela MisteriosaO Segredo do LicorneO Tesouro de Rackham o TerrívelAs Sete Bolas de CristalO Templo do SolO Caso GirassolVoo 714 para SydneyTintim e os PícarosTintim e a Alfa-ArtRumo ao Carvão (ou títulos semelhantes visíveis nas imagens: O Man... Não R..., A Eri... do Ka..., Destino Nova Iorque)  

Passatempo

A TV Guia e a Verbo têm o prazer de oferecer aos leitores 20 exemplares das Aventuras e Desventuras de Quim e Filipe. Assim, só tem de preencher o cupão, e responder à seguinte questão: que vende Oliveira da Figueira, a personagem portuguesa, que aparece em algumas das Aventuras de Tintim?  Enviar para (não precisa de selo): Remessa Livre nº 11174 - EC Picoas - 1059-960 LISBOA 

Serão premiadas as primeiras 20 pessoas que responderem acertadamente a esta questão.  

sábado, 26 de maio de 2007

Tintim de A a Z

Um dicionário do mundo do popular explorador criado por Hergé.

Acusações - Por via ou do seu percurso pessoal ou de obras onde a actualidade era matéria-prima, várias polémicas perseguiram Hergé, um individualista demasiado inseguro para se afirmar para além de um meio e de amigos tão conservadores quanto presentes. Talvez seja racista, em "Tintim no Congo", mas admira os índios em "Tintim na América", desrespeita os muçulmanos, mas aprecia-lhes a arte, ama o género feminino, mas exercita a misoginia. Terá tido laivos de anti-semitismo durante a II Guerra Mundial, mas revela-se antes de mais oportunista. Tinha como divisa "toda a convicção é uma prisão"... Mas era um defensor intransigente da amizade.

Alph Art - Em homenagem a Hergé que, no momento da morte, a 3 de Março de 1983, trabalhava neste álbum publicado depois em esboço, assim se baptizaram em 1989 os prémios do Festival de Angoulême, em França, o mais importante no seu género (ver Pintura).

Asteróides - Hergé e Castafiore são, desde 1982, os nomes de dois asteróides. Os especialistas admiraram, "com estupefacção", o realismo de Adonis, em "Explorando a Lua", quando não existia fotografia alguma.

Aventura - Uma pequena perturbação no quotidiano lança uma dúvida que só encontra resposta na partida. Porque ainda há exótico, há que vencer todos os perigos, naturais e outros, para dar de caras com o mal.

Estúdios Hergé - O individualista cede, nos anos 1950, ao óbvio. Para cumprir com a sua obsessão de clareza precisa de ajuda, não apenas para uma pesquisa cada vez mais minuciosa mas para refazer em álbum o que foi sendo publicado periodicamente em moldes variáveis. Reúne Jacques Martin, Roger Leloup e Bob de Moor, entre outros, na qualidade de ajudantes na construção de universos.

Filmes - O interesse manifestado, pelo menos desde 1983, por Steven Spielberg na figura de Tintim, que alguns vêm expressa em Indiana Jones, passou a contrato em Março deste ano. Nada se sabe acerca da tecnologia ou do álbum escolhido. Foram duas as adaptações com actores, nos idos de 1960, e várias as animações, iniciadas em 1969, com "O Templo do Sol".

Foguetão - Não voaria, mas a sua forma e cores fez dele um ícone do design contemporâneo.

Gatos - Apesar de Milu, sãos os felinos os preferidos de Hergé.

Gaulle, Charles de (estadista francês, 1890-1970) - "No fundo, o meu único rival é Tintim! Somos pequenos que não se deixam vencer pelos grandes. Não se dá conta disso por causa do meu tamanho."

Géneros - Segundo o tintinófilo, João Paulo Paiva Boléo, o refugiado Hergé, em 1940, escreve de França a Adolfo Simões Müller (ver "Papagaio"), pedindo-lhe que mande dizer aos pais que se encontra bem e que lhe pague em géneros. Há-de recordar, mais tarde, as sardinhas e outros enlatados.

Insulto - É a arte maior do capitão Haddock, que também pratica a de bem beber: são centenas e torrenciais, de açambarcador a zulu, passando por cretino dos Alpes ou ectoplasma. Veja-se "Le Haddock Illustré", Albert Algoud, Casterman.

Jornalismo - Provavelmente a peça mais interessante de umas comemorações de centenário demasiado dadas ao espectacular, uma das partes da exposição Hergé, que o Centre Pompidou, de Paris, acolheu até Fevereiro de 2007, era dedicada exactamente à ideia de jornalismo. Devendo a sua formação ao frenesi das redacções, o jornalismo era, para o célebre autor belga, não tanto uma profissão, mas uma metodologia de abordagem aos assuntos (políticos, naturais, científicos, tecnológicos) do Mundo.

Linha clara - Joost Swarte, desenhador holandês, cunhou em 1977 e de modo duradoiro esta expressão para caracterizar o estilo hergeniano que, muito brevemente, assenta na omnipresença do contorno negro, das cores directas e sem nuances de luz e sombra, realismo dos cenários, regularidade obsessiva de uma paginação que se verga à força da narrativa (e do argumento).

Mecanismo - Narração em suspenso de uma história onde o exotismo serve uma enorme atenção ao presente, por vezes antecipando o futuro, sobretudo tecnológico, tendo o humor como mecanismo e horizonte um enorme esforço de clareza e extrema lisibilidade.

Objecto - Em "A Orelha Quebrada", todos os olhares e movimentos, cada gesto e desenvolvimento gravita em torno de uma estatueta em madeira da tribo dos Arumbayas. O universo hergiano desmultiplica-se em objectos, num verdadeiro "Museu Imaginário" do século, da viagem e da aventura.

Oliveira da Figueira  - Surgirá, em 1934, durante "Os Charutos do Faraó", vendendo e falando (utilidades...). É a mais notável presença portuguesa neste universo, ainda que, em "Tintim no Congo", surja um jornalista do "Diário de Lisboa", mas sem outra espessura que a de uma vinheta, a mesma de Pedro João dos Santos, físico da Universidade de Coimbra, em "A Estrela Misteriosa".

"Papagaio" - Portugal foi o primeiro país não francófono a editar Tintim, apenas seis anos depois do seu início no "Petit Vingtième". O "Papagaio", revista dirigida por Adolfo Simões Müller, acolheu, em 1936, talvez a primeira versão colorida de "As Aventuras de Tim-Tim na América do Norte". Em 1939, Tim-Tim, repórter agora ao serviço de "O Papagaio" irá a Angola (curiosa versão de "Tintim no Congo"). Até aos anos 1960, altura em que surge a revista homónima, o repórter passará pelas páginas do "Diabrete", "Cavaleiro Andante", "Foguetão", "Zorro" e "Diário de Notícias". A edição nacional em álbum aconteceu apenas a partir de 1988, na Editorial Verbo, mas todos os volumes estão traduzidos.

Personagens - No total, são cerca de 325 as personagens que acompanham Tintim.

Pintura - Hergé chegou a sonhar com uma carreira na pintura, apesar de atraído pelo grafismo e pela ilustração. A pintura não deixa de o acompanhar, por exemplo nas aventuras de Quick et Flupke que "explicam" o surgimento do cubismo, mas sobretudo no seu percurso mais tardio de amante de pintura abstracta e coleccionador. Tintim e a Alph’Art, o último e inacabado álbum, procurava uma síntese das reflexões de Hergé sobre a arte e sobre a sua personagem maior, que parece condenada à morte sob ameaça de um revólver: "Vamos atirar-te para um molde e fazer de ti um César. Serás exposto num museu. Nunca mais te veremos. Serás o coração de uma obra de arte. Estarás morto."

Quick et Flupke ou Quim e Filipe - Criados em 1930, estes putos de Bruxelas (12 volumes, na Verbo) que habitam uma infância nostálgica, são exemplo de algumas outras personagens que viveram na sombra de Tintim.

Serres, Michel (filósofo francês, 1930) - "Hergé escreveu, sem o saber, tratados excepcionais. Aprendi mais teoria da comunicação com 'As Jóias de Castafiore' do que em cem livros de um aborrecimento mortal e sem resultado. Aprendi, direi até bastante mais, sobre o feiticismo em 'A Orelha Quebrada', do que em Freud, em Marx ou Auguste Comte... Aprendi mais sobre o quase-objecto em 'O Caso Girassol' do que em qualquer outro lado. Não me diverti apenas, aprendi. Hergé faz rir, pensar e inventar: verbo único em três pessoas."

Tecnologia - Como uma espécie de arrepio, cada aventura é atravessada pela exploração lunar, pela televisão a cores, por um submersível. O século ficou assim na fotografia: irrequieto.

Universo - A obra é um todo tentacular. Há décadas que milhões de leitores fiéis das mais díspares origens encontram motivos renovadas para regressar aos álbuns. São incontáveis as releituras, as recomposições, os ensaios dedicados às Aventuras de Tintim. As suas imagens desmultiplicadas e fragmentárias tocam cada um dos meios de expressão do modo mais inesperado nos lugares mais recônditos. Qual o mistério de Tintim?

Vendas - Em Portugal, e apenas entre 1998 e 2006, já são mais de 800 mil livros vendidos. Traduzidos em cerca de 60 línguas, já somam mais de 200 milhões de exemplares. E um pouco de tudo se vende em torno de Tintim, de uma prancha de "O Ceptro de Ottokar", que atingiu os 102 mil euros, aos mais díspares objectos oriundos (ou não) das aventuras, de um projecto de parque de diversões, anunciado para Angoulême, em França, a musicais.

Viagem - Um enigma não se resolve sem partida: todas as geografias estão ao alcance da curiosidade, todos os meios de transporte serão usados para ir. Tintim sente-se prisioneiro mesmo num palácio. E Hergé dá-lhe grandes paisagens em pequenos quadrados: montanhas, florestas. Tudo começa na viagem.

XXe Siècle - Com forte carga simbólica, dada a ligação entre um e outro, século e personagem, foi naquele jornal conservador católico de Bruxelas que nasceu, no n.º 11 do seu suplemento infantil, "Petit Vingtième", a 10 de Janeiro de 1929, o repórter Tintim que naquelas páginas se manterá até à ocupação nazi da Bélgica, em 1940.

JPC, Expresso, 18/05/2007


Cartoon de Rodrigo de Matos

Expresso, 2007

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Hergé 100 anos

Hergé: eternamente jovem

Tintim faz parte do meu imaginário. Tinha seis anos e vivia numa cidade de província quando mergulhei a fundo no mundo mágico da BD, semanalmente, nas páginas da excelente edição portuguesa da revista Tintin, que começou a publicar-se em 1968. Com histórias de Blake & Mortimer, Astérix, Lucky Luke, Ric Hochet, Bruno Brazil, Cavaleiro Ardent, Tenente Blueberry, Spirit, Corto Maltese, Achille Talon, Olivier Rameau, Cubitus, Tanguy e Laverdure, Luc Orient, Taka Takata, Valérian, Corentin e tantas outras personagens que para sempre integrarão a minha galeria de heróis de ficção. Cada vez que folheio a minha colecção da revista dirigida por Dinis Machado e Vasco Granja regresso à infância mais remota. Como se voasse com Dorothy num tornado em direcção a Oz.

Neste mundo mágico, as aventuras de Tintim figurarão sempre num lugar à parte. A primeira que li foi uma das últimas desenhadas por Hergé - Voo 714 para Sidney. Fiquei agarrado do primeiro ao último quadradinho a esta história passada numa misteriosa ilha do Pacífico e que incluía peripécias relacionadas com extraterrestres. Nos anos seguintes, lia-as todas por ordem quase inversa à cronológica. O fascínio foi-se acentuando de aventura em aventura: Carvão no Porão, Tintim no Tibete, O Caso Tornesol, O Ceptro de Ottokar, O Templo do Sol, A Estrela Misteriosa, A Ilha Negra...

Mas o maior deslumbramento aconteceu quando li O Lótus Azul, um dos melhores álbuns de banda desenhada de todos os tempos. Uma história passada na China dos anos 30, durante a sangrenta guerra sino-japonesa, com a qualidade de um romance de Greene ou Malraux. Mal sabia eu então como essa minha inesperada introdução à China me despertaria a tal ponto o interesse pelo Oriente que me levaria a passar dez anos nessas fascinantes paragens do globo.

No dia em que se assinala o centenário de Hergé, deixo-lhe também aqui a minha homenagem. Não só como nome maior da banda desenhada ou documentarista do século XX, mas como singular revelador de mundos.

Pedro Correia, Corta Fitas, 22/05/2007


Ainda o tributo a Hergé

Quero prestar também aqui a minha homenagem a Hergé. Discordo apenas do João Villalobos quando mistifica a versão “animada” de Tintim que foi para mim uma autentica desilusão, um susto, uma afronta ao meu imaginário. É que a mim puseram-me um álbum do Tintim nas mãos antes sequer de eu saber o meu próprio nome. Afinal não fui eu que lhe dei voz e movimentos? Até fui eu que inventei as tramas, enquanto folheava atento os livros ainda sem saber ler... O Tintim na TV chocou-me desde logo com a veleidade daquela animação tão deficiente e a histérica dramatização daqueles guiões sempre simplificados. Fiquei definitivamente enciumado com a exposição pública e banalização do meu herói. Quase desde o berço que passeei por dentro daqueles quadradinhos, daquelas histórias e mistérios. Lembro-me das horas estáticas, de pernas cruzadas, em puro deleite passadas diante da ultima prancha do álbum Carvão no Porão, aquele insólito e colorido rally nos jardins de Moulinsart. As horas passadas em êxtase, fisgado num só quadradinho, invejando o pequeno carro vermelho do rebelde Abdallah em No Pais do Ouro Negro. Hergé deu-me os meus melhores amigos de toda a infância, de quem aliás fui íntimo. Com o Tintim e Milou fui crescendo e lutei contra os sovietes e contra a máfia. Ajudei a libertar os escravos e lutei contra o tráfico de droga. Fui também à lua, onde ia perdendo os meus amigos todos e não salvei o Engº Wolf de uma heróica morte. Planei arrastado por um condor pelas encostas dos Andes. Tremi de medo e gelei de frio a caminho do Tibete, num hino à generosidade. Comovi-me com o cão mais simpático do mundo, ri-me com os excessos do bêbado mais divertido de todos, o Capitão Haddock. Ao Hergé ficarei sempre grato pelos amigos que me proporcionou. Hergé será por certo responsável por muitas das mais felizes horas da minha infância, e por isso ser-lhe-ei sempre grato.

João Tavora, Corta Fitas 22/05/2007


Faz hoje 100 anos do nascimento de Hergé.

Embora eu não seja da geração dos que viveram em primeira-mão o sucessivo aparecimento dos álbuns de Hergé, li-os todos com o mesmo gosto e, quem sabe, com o mesmo entusiasmo.

Viajei com as aventuras de Tintim desde o Congo até à civilização Maia e conheci um rol de personagens marcantes. Irritei-me com a estupidez dos Dupond & Dupont que invariavelmente viam as suas investigações goradas e tentei agarrar Bianca Castafiore nos seus muitos desmaios ou então fugir a sete pés da sua voz desafinada e presunçosa. Ri-me com as bebedeiras do Capitão Haddock que chegou a esventrar livros para neles esconder rumo à lua as suas tão preciosas garrafas de Whisky! O primeiro bêbado espacial. Ou então, aquando da primeira aparição do professor Girassol, esperei ansiosamente que Haddock descobrisse o tesouro de Rackham o terrível, afinal seu antepassado. A surdez e alheamento do professor Girassol, uma das personagens mais marcantes, contrastam com a verborreia de Oliveira da Figueira, a presença portuguesa mais constante ao longo de todos os álbuns.

Enfim, as personagens são mais que muitas. Segundo Cyrille Mozgovine, 325 ao todo. No meio de tudo isto, pela sua fama, nem vale a pena falar de Tintim e de Milu…

Invariavelmente fiquei agarrado às folhas, engolindo com os olhos cada quadradinho.

Blogosfera: De facto, também tenho ouvido dizer que Milu é fêmea. Não se percebe!

Afonso Reis Cabral, Janelar, 22/05/2007


Georges Rémi, 22 de Maio de 1907 - 22 de Maio de 2007

Georges Rémi é o nome verdadeiro de Hergé, genial criador de Tintin, e que nasceu faz hoje 100 anos.

Desde miúdo que adoro as aventuras do jovem repórter. Comecei a saboreá-las na mítica revista Tintim, cujo único demérito foi marginalizar entre nós a BD clássica americana, praticamente já só apresentada entre nós no Mundo de Aventuras. A ligação à revista-mãe Tintin e os contratos associados assim o provocaram (...) [LER TUDO]

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COMBUSTÕES

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21 Maio 2007

O homem era fascista, que mal tem isso ?

João Paulo Cotrim, Miguel Portas e Guilherme Oliveira Martins na RTP-2 e até o incansável Marcelo na 1 tratando infantilmente do tópico do dia: Tintin. Uma quase monomania em torno das ligações ideológicas e amizades fascistas de Hergé: obsessão, repetição, estreiteza de informação e visão, manipulação e ausência flagrante de gosto. É verdade, Hergé era fascista, pró-nazi, anti-semita, anti-americano, nostálgico dos universos pitorescos, dos povos irredutíveis e declarado inimigo do comunismo. É-me totalmente indiferente que fosse ou não seguidor de Léon Degrelle, de que, aliás, o jovem e heróico repórter é fiel clone. Hergé era um artista genial, como o foram Riefenstahl, Céline, T.S. Elliot, Pound, Mishima, Knut Hamsun, Richard Strauss e tantos outros, também fascistas ou nazistas.

No universo artístico, a admiração de quem frui reside na captação da grandeza do objecto criado, não no metatexto, nos acidentes biográficos ou no fantasma do criador na criação. Que se danem Jack London, Brecht, Arthur Koestler, John Reed, Eisenstein, Shostakovich e Neruda se foram comunistas e se serviram o concentracionarismo de Estaline ou seguiram o genocida Trotsky, conquanto me proporcionem o impagável prazer de os ler, ver ou ouvir. Às pessoas pequenas interessam as coisas pequenas. Portas e tantos outros minimalistas da exigência preferem a pedreira às pirâmides. O aspecto ideológico de artistas fascistas e comunistas só interessará aos débeis mentais que os exaltam ou odeiam por haverem servido Estaline ou venerado Hitler. Hergé era fascista. A mim incomoda-me tanto como saber que amanhã acordarei às 9 horas, almoçarei pelo meio dia e beberei um café pelas 4 da tarde.

Publicada por Combustões (Miguel Castelo Brancoem 21.5.07

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terça-feira, 22 de maio de 2007

Jonas o Reguila fala com Hergé


































Carlos Sêco, um Amis de Hergé português da Lousã, excelente desenhador de BD, criador para o jornal Trevim da Lousã do herói Jonas o Reguila comemorou o centenário de Hergé com uma BD de sua autoria. Aproveitamos para os convidar a vsitarem o seu blog em http://www.jonasoreguila.blogspot.com/