Abel Varzim - 1935/6; 1943-1948 (encontro no verão de 1946)
Adolfo Simões Muller - 1937-1962
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25/05/1935 - Padre Abel Varzim (Papagaio) - vingtieme siecle (f1) - Primeiro contacto
12/05/1936 - Hergé - Abel Varzim (f2) - opinião sobre os primeiros exemplares que recebeu
]]24/07/1936 - Abel Varzim - Hergé - A paginação de O Papagaio obrigava a fazer algumas alterações. Diz que Tintin goza de imensa popularidade em Portugal. [[
Mar/1937 - ASM - Hergé - "América" está a terminar e pede o envio de nova aventura.
1 - “Tim-Tim na América do Norte” – nºs 53-110, de 16/04/1936 a 20/05/1937;
2 - “Aventuras de Tim-Tim no Oriente” (“Os Charutos do Faraó” no original) – nºs 115-161, de 24/06/1937 a 12/05/1938;
3 - “Novas Aventuras de Tim-Tim” (“O Lótus Azul” no original) – nºs 166-205, de 16/06/1938 a 16/03/1939;
]]08/03/1937 - Hergé - ASM - Irá enviar dois exemplares de "Os Charutos do Faraó"[[
]]Maio/1938 - ASM - Hergé - Recebem "Lotus Azul" e pedem o envio de "Congo" ou "Sovietes/Urss".[[
]]07/07/1938 - Hergé - ASM - A edição de 1930 de "Sovietes" está esgotada.[[
Fev/1939 - ASM-Hergé - Está a terminar "Lótus Azul" (ANATT) e pede o envio de "Congo".
1939 - Envio de "Congo", "Orelha" e "Ilha Negra"
4 - “Tim-Tim em Angola” (“Tintin no Congo” no original) – nºs 209- 244, de 13/04/1939 a 14/12/1939;
5 - “Tim-Tim e o mistério da Orelha Quebrada” – nºs 247-298, de 04/01/1940 a 26/12/1940;
6 - “Tim-Tim na Ilha Negra” ( (...) A Ilha Negra , no original) - nºs 301-359, de 16/01/1941 a 26/02/1942;
]]Mar/1939 - Hergé - ASM - Possível edição dos álbuns de Tintin em português[[
]]Abril/1939 ASM-Hergé - Proposta para ser feita uma aventura de Tintin em Portuga[[
27/04/1939 - Hergé - AS Muller - "Angola" aparece publicada
Suspensão das transf. financeiras (10/05/1940) / Diabrete (1941)
]]Refugiaram-se na região de Auvergne, no centro de França, na aldeia de Collanges, onde Marijac lhes disponibilizou o seu alojamento. Regressaram a Bruxelas no final de Junho de 1940.[[
06-1940 - Hergé (casa de Marijac) - ASM - Pede que contacte Alexis Remi para lhe dizer que estão bem de Saúde
1940 - Hergé-ASM - Pede a suspensão dos pagamentos à SPA
20/12/1940 - ASM - Hergé - pede que lhe indique a divisa ou arranje outra possibilidade segura
Jan/1941 - ASM - Hergé - vai para uma nova revista / possibilidade de ficar com o exclusivo de Quick e Flupke [e também de Popol et Virginie ?)
23/01/1941 - Hergé - ASM - acordo para a publicação de Quick e Flupke no diabrete
Envio pelo editor de 4 aventuras de Quick e Flupke
24/04/1941 - Hergé - AS Muller (Secret Prop Nacional) (f3) - Hergé propõe ser pago em víveres, para o irmão Paul mas também para ele
Maio/1941 Hergé - ASM - recebeu encomendas (?)
ENVIO DE VÍVERES [de Junho 1941 a Junho 1945]
28/06/1941 - Hergé-ASM - recebeu encomenda
05/07/1941 - Hergé-ASM - açucar. toucinho, salsichas
]]08/09/1941 - Hergé - ASM (Rua Domingos Sequeira) - o irmão Paul recebeu uma encomenda[[
(fim do ano) 1941- ASM - Hergé - tenta obter os direitos de Tintin
24/03/1942 - Papagaio - Hergé - explicações e plano sobre o envio de encomendas que seriam remetidas;
25/04/1942 - Hergé - Etelvina Lopes Almeida (Papagaio) (f4) - Hergé envia uma lista com os víveres preferidos; refere o nome de AS Muller que também iria enviar. refere também o envio para o irmão.
Pede que o envio seja feito três vezes por semana, uma vez por dia
]]Em meados de 1943, Hergé recebeu os direitos de autor sob a forma de um pacote de 18 quilos contendo dez pacotes de amêndoas, seis pacotes de figos e 45 latas de sardinha![[
7 - “Tim-Tim no Deserto” (“O Caranguejo das Tenazes de Ouro” no original) – nºs 366-226, 16/04/1942 a 10/06/1943;
1943 - CONFUSÃO COM DIABRETE E PAPAGAIO
[o capítulo é denominado "Tensions Lusitaniennes" no livro de Goddin 4-344]
dois anos depois (Diabrete 1941?) início de 1942 (?)
inicio 1943 - ASM- Hergé - oferece pagar mais por Tintim
04/01/1943 - Hergé - Papagaio/Diabrete - está desposto a ceder os direitos a outra publicação portuguesa, oferece Quick e Flupke
ASM - Fica satisfeito
25/01/1943 - Abel Varzim - Hergé (f5) - ficou indignado com a manobra do Diabrete,
Hergé - ASM - Tintin irá continuar em O papagaio
ASM- Hergé - Insiste mais uma vez mas não irá obter resposta de Hergé
1943-1945
8 - “A Estrela Misteriosa”- nºs 435-540,de12/08/1943 a 16/08/1945;
1946
Mar/1946
09/09/1946 - Monsenhor Lopes da Cruz (Papagaio) - Hergé - após encontro de Abel Varzim no verão
1947
1947 - Hergé - ASM - acerto de pagamentos com Diabrete. [Tinha durado entre 1941 e 1943]
9 - “O Segredo da Licorne” – nºs 617-679, de 06/02/1947 a 15/04/1948.
1949
Mar/1949 - Diabrete adquire finalmente os direitos de Tintin []
Fonte: Hergé Em Portugal, artigo de A. Cabral
1960
Mar/1960 - Tentativa de ficar com os direitos dos álbuns de Tintin
22/03/1960 - Hergé-ASM-
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Uma parte significativa da correspondência que os dois homens (Hergé e Simões Muller) mantiveram ao longo de 30 anos foi recentemente tornada pública pelo holandês Jan Aarnout Boer (De Avonturen van Kuifje in Portugal), membro da associação Hergé Genootschap (Os Amigos de Hergé) que teve acesso aos arquivos da Fundação Hergé, na Bélgica.
1935
O padre Abel Varzim contacta em Maio de 1935 o Le Petit Vingtieme, em nome da publicação, para negociar a divulgação das histórias de Tintin em Portugal.
1936
No final de Abril de 1936 Hergé recebeu em Bruxelas um envelope de Portugal. Ao abri-lo, encontrou alguns exemplares da revista O Papagaio e teve uma grande surpresa: viu pela primeira vez uma história de Tintin impressa a cores (Tim-Tim na América).
"Fiquei encantado por ver os meus desenhos aparecerem a cores", diz Hergé numa carta que enviou a 12 de Maio desse ano ao padre Abel Varzim, [que o contactara em Maio de 1935, em nome da publicação, para negociar a divulgação das histórias de Tintin.]
1940/1941
Outro episódio trazido à luz do dia pela correspondência entre Hergé, Abel Varzim e Müller diz respeito à intenção deste último lançar uma nova revista (Diabrete) para disputar o mercado a O Papagaio.
Em carta não datada (mas provavelmente do final de 1940 ou início do ano seguinte), Müller pede a concessão do exclusivo das aventuras da série Quick et Flupke, ressalvando que O Papagaio continuará a publicar Tintin se assim o entender.
1941
Hergé concorda, mas é notório que as suas preocupações imediatas são de outra ordem. A invasão da Bélgica pelas tropas de Hitler teve como consequência, no plano pessoal, o aprisionamento do seu irmão mais novo Paul Remi num campo de concentração alemão. Na resposta a Simões Müller, de 24 de Abril de 1941, pede-lhe para este enviar de vez em quando produtos alimentares não perecíveis (sardinhas de conserva, chocolate, biscoitos, etc.) ao irmão e, se possível, também para si próprio. O montante dispendido deveria ser descontado nos direitos de autor a pagar.
1943
O braço de ferro entre Varzim e Müller pelos direitos de Tintin conhece novos desenvolvimentos no início de 1943. A 25 de Janeiro, Hergé recebe uma carta muito contundente de Varzim, defendendo com unhas e dentes a sua publicação: "O nosso jornal - como pode constatar - é para a elite das famílias portuguesas. O Diabrete não passa de um jornal para as classes menos bem, pois para poder viver vende-se a metade do preço do nosso, não tendo mesmo tentado colocar-se ao nível do Papagaio."
As posições radicalizam-se, mas Hergé procura não desagradar a nenhum dos contendores.
Simões Müller continua a cultivar a sua relação com o artista belga, que se traduz na publicação quase ininterrupta das histórias de Tintin [entre 1949 e 1962].
1960
De passagem, Müller trava a sua última batalha pelos direitos de Tintin e perde-a. Numa carta enviada a Hergé em Março de 1960, Müller pede a "intervenção" de Hergé para evitar que "outro editor português faça uma edição que eu me proponho fazer há muito tempo e sobre a qual julgo ter um indiscutível direito de prioridade".
1960
A resposta de Hergé chega em 22 de Março: Casterman, o editor belga, reconhece em Müller um "amigo da primeira hora", mas "a lógica dita que seja utilizada a edição brasileira igualmente em Portugal". Assim será até 1988, quando Tintin passa a ser editado pela Verbo.
--adaptado de artigo de Carlos Pessoa (22/05/2007)
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LES AMIS DE HERGÉ 1989
Après nous avoir informé des débuts portugais de Tintin (voir Revue n°7) et communiqué une interview d’Adolfo Simões Müller, responsable de l'introduction de l’œuvre de Hergé au Portugal (voir Revue n°8), notre ami Joäo P. Boléo nous a fait parvenir copie de deux lettres, fort émouvantes, de Hergé à Monsieur Simoes Muller.
La premiére date de juin 1940. Hergé s’est réfugié en France (chez le dessinateur Marijac) et est sans nouvelles de sa famille restée en Belgique.
La seconde, date de septembre 1941. Hergé remercie son correspondant portugais pour l'еnvoi de précieux colis de vivres.
Agradecimento a A.S. Muller por permitir a reprodução das duas cartas de Hergé.
Jun 1940 Hergé (Marijac) -ASM - Pede para contactar com o pai
28/06/1941
05/07/1941
08/09/1941 - Hergé - ASM (Rua Domingos Sequeira) - o irmão Paul recebeu uma encomenda
(Les Amis de Hergé, Junho de 1989)
Hergé e Adolfo Simões Müller trocaram várias cartas. João Paulo Paiva Boléo, grande apreciador de toda a obra do autor de Tintin, deu conta, na revista Les Amis de Hergé, de junho de 1989, de duas cartas do belga ao português, escritas no período conturbado da Segunda Guerra Mundial. Na primeira, datada de junho de 1940, Hergé pede “um grande favor” a Adolfo Simões Müller. Explica que “como tantos outros, infelizmente, tive de fugir da Bélgica e refugiar-me em França”.
Dá conta ainda de que os seus pais “infelizmente, não conseguiram sair de Bruxelas”. “Estou naturalmente sem nenhuma notícia deles há cerca de um mês”. O criador de Tintin pede por isso para que Adolfo Simões Müller escreva ao seu pai, Alexis Remi, para que o informe que “a minha cunhada, a sua neta, a minha mulher e eu próprio estamos em segurança e que todos nós nos encontramos de boa saúde”.
Explica ainda que, “como tivemos de fugir precipitadamente, disponho apenas de parcos recursos. Ficar-lhe-ia reconhecido se pudesse fazer-me chegar, direta ou indiretamente, o montante dos direitos relativos a Tintin em Angola e a A Orelha Quebrada, direitos que o Syndicat de la Propriété Artistique, em Paris, disse-me não me terem ainda sido atribuídos”.
Na segunda missiva, enviada de Bruxelas e com data de 8 de setembro de 1941, Hergé informa Adolfo Simões Müller de que acaba de receber uma carta do seu irmão, Paul Remi, em que este último lhe diz que “recebeu bem uma encomenda expedida pelos seus bons cuidados e que me encarrega de lhe transmitir os seus mais vivos agradecimentos, o que faço com prazer, juntando também os meus”.
Mais adiante, Hergé dá conta de cartas anteriores em que acusava receção de várias pequenas encomendas (duas de bolachas, uma de café, uma de cacau, uma de chocolate, uma de açúcar e uma de charcutaria) que foram “bem-vindas”. O desenhador belga pede ainda, se tal ainda for possível, para dar continuidade a estes envios “que nos são bem preciosos”.
Fonte: Tese de Carlos Sêco sobre Adolfo Simões Muller
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A segunda Guerra Mundial obrigou Hergé a refugiar-se, em 1940, em França, residindo durante algum tempo em casa de Marijac, um criador francês de BD. É daí que escreve a Adolfo Simões Muller, pedindo-lhe para ser pago não em dólares, mas em géneros alimentares (latas de sardinha, biscoitos, café, etc.), que se destinavam a um irmão, Paul Remi, prisioneiro de guerra dos alemães durante cinco anos.
Em Setembro de 1941, (...), Hergé escreve de novo ao [antigo] director de "O Papagaio" para lhe agradecer o envio de alimentos ao irmão e também um cabaz de biscoitos, café, cacau, chocolate, açucar e enchidos que ele próprio recebera entretanto de Portugal".
Oliveira Martins, 2005
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19410908 - Monsieur Adolfo Simoes Müller, Rua Domingos Sequeira, 46-3º LISBONNE. Cher Monsieur, Je viens de recevoir une carte de mon frère, qui m'apprend qu'il a bien reçu un colis expédié par vos bons soins et qui me charge de vous transmettre ses plus vifs remerciements, ce dont je m'acquitte avec plaisir en y joignant également les miens. J'espère que, de votre côté, vous aurez bien reçu mes précédentes lettres, datées du 28 juin et du 5 juillet dernier et dans lesquelles je vous accusais réception de plusieurs petits colis (deux de biscuits, un de café, un de cacao, un de chocolat, un de sucre et un de charcuterie) qui ont été les bienvenus. Si la chose est encore possible et si cela ne vous est pas trop difficile, oserais-je encore vous prier de continuer ces envois, qui nous sont si précieux? De tout coeur, encore un grand merci, et veuillez croire toujours, cher Monsieur, à mes sentiments les meilleurs. G. Remi
19410908 - Sr. Adolfo Simões Müller, Rua Domingos Sequeira, 46-3º LISBOA. Caro Senhor, Acabo de receber um postal do meu irmão, que me informa ter recebido uma encomenda enviada através dos vossos bons cuidados e que me encarrega de lhe transmitir os seus mais vivos agradecimentos, o que faço com muito prazer, juntando também os meus. Espero que, da sua parte, tenha recebido as minhas cartas anteriores, datadas de 28 de junho e 5 de julho passados, nas quais lhe acusava a receção de várias pequenas encomendas (duas de biscoitos, uma de café, uma de cacau, uma de chocolate, uma de açúcar e uma de charcutaria) que foram muito bem-vindas. Se tal ainda for possível e se não lhe for muito difícil, atrever-me-ia a pedir-lhe que continuasse com estes envios, que nos são tão preciosos? Do fundo do coração, mais uma vez um grande obrigado, e aceite, caro Senhor, os meus melhores cumprimentos. G. Remi (Hergé)
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Dos autores estrangeiros, além de Hergé, é de destacar Dwiggins, com uma história adaptada livremente por Müller, o sueco Jacobsson, com as graças e desgraças do Trolaró (Adamson), Walter Booth, com três pequenas histórias e o espanhol Usátegui, em vários números. (Monografia O Papagaio)
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HERGÉ ET LA PRESSE
A 25 de maio de 1935, o editor do jornal Le Vingtième Siècle foi contactado pelo padre Abel Varzim (1902-1964), um sacerdote católico português. Depois de viver alguns anos na Bélgica e de ter obtido o doutoramento em ciências políticas e sociais pela Universidade de Lovaina em 1934 com uma tese intitulada "Le Boerenbond belge. L'œuvre du revement et de la grandeur de la classe agricole d'un pays" (A União dos Agricultores Belgas: A Obra de Reconstrução e Grandeza da Classe Agrícola de um País), regressara a Portugal para se estabelecer. Entre as suas várias atividades, foi cofundador de uma revista infantil, O Papagaio, com o subtítulo "revista para miúdos". Tendo descoberto as aventuras de Tintin enquanto lia o Le Petit Vingtieme durante a sua estadia na Bélgica, desejava obter o direito de as reproduzir no seu jornal semanal, cuja primeira edição tinha sido recentemente publicada, a 18 de Abril: “Como esta é uma publicação católica, peço-lhe que consiga um preço razoável para nós, pois estamos apenas a começar, enfrentando uma série de dificuldades e com pouco dinheiro. Espero que o senhor faça o possível para nos conceder este favor” [121]. Hergé encaminhou-o para a Sociedade de Direitos de Autor em Paris [122]. Em junho, foi enviada uma oferta ao Padre Abel Varzim. No entanto, O Papagaio preferia a série americana Nipper, do cartoonista Clare Victor Dwiggins (1874-1958), que estava a ser publicada na Dinamarca, entre outros locais. Assim que esta foi publicada na íntegra, contactou novamente Hergé, que, ansioso por atrair novos leitores, aceitou reduzir as suas exigências [123].
121. Lettre de l’abbé Abel Varzim au directeur du Vingtième siècle du 25 mai 1935.
122. Philippe Goddin, Hergé. Chronologie d’une œuvre (1931-1935), op. cit., p. 377.
123. Philippe Goddin, Hergé. Chronologie d’une œuvre (1935-1939), op. cit., p. 56.
As Aventuras de Tim-Tim na América do Norte, anunciadas logo a 19 de Março de 1936 [124], foram publicadas de 16 de Abril de 1936 a 20 de Maio de 1937. No entanto, ao ler os primeiros exemplares do semanário português, Hergé ficou, no mínimo, surpreendido! Em primeiro lugar, a sua história tinha sido colorida sem o seu consentimento; em segundo lugar, tinha sido distribuída por cinco tiras (em vez de seis), o que afetava o ritmo que tinha planeado. A 12 de maio de 1936, Hergé esclareceu a situação explicando ao Padre Abel Varzim que "os desenhos são concebidos, como num romance serializado, para terminar cada semana com um desenho emocionante, de modo a manter o leitor em suspense". Insistiu, por isso, para que a pessoa em questão respeitasse o cronograma original o mais rapidamente possível, mas também confidenciou que estava "encantado por ver [os seus] desenhos aparecerem a cores" [125]. O Padre Abel Varzim respondeu a 24 de julho que a paginação de O Papagaio obrigava, por vezes, a equipa editorial a retirar bandas. Acrescentou, com orgulho, que Tintin "já goza de imensa popularidade em Portugal" [126].
124. «Aventuras de Tim-Tim repórter do “Papagaio” na América do Norte», O Papagaio, no 49, 19 mars 1936, p. 7.
125. Lettre d’Hergé à l’abbé Abel Varzim du 12 mai 1936.
126. Philippe Goddin, Hergé. Chronologie d’une œuvre (1935-1939), op. cit., p. 93
Este Tintim na América permanece memorável em todo o caso, uma vez que se trata da primeira aparição do repórter — que por esta ocasião se tornou repórter de O Papagaio! — num país não francófono (e a cores!).
No início de março de 1937, poucas semanas antes da conclusão da publicação de Tintin na América, Adolfo Simões Müller (1909-1989), cofundador e diretor de O Papagaio, contactou o Sindicato dos Direitos de Arte para se informar sobre outras publicações seriadas disponíveis. A 8 de Março, Hergé respondeu pessoalmente, indicando que lhe estava a arranjar dois exemplares de Os Charutos do Faraó [127]. Esta história foi publicada no jornal português no dia 24 de junho, sob o título Aventuras de Tim-Tim no Oriente. Seguiram-se Novas Aventuras de Tim-Tim (Lotus). Em 1938, a redação manifestou interesse por Tintin no País dos Sovietes. Hergé explicou:
"[...] A edição de 1930 está completamente esgotada." Por outro lado, como estes foram os primeiros desenhos que publiquei, são bastante deselegantes e creio que só vos teriam agradado moderadamente” [128].
A partir de 13 de abril de 1939, a revista O Papagaio publicou Tintim no Congo, que renomeou para Aventuras de Tintin em Angola! De facto, para atrair os seus jovens leitores, a revista semanal considerou apropriado enviar o repórter para uma colónia portuguesa. A bordo do navio, Tintim apontou a ilha de São Tomé a Milu como “uma rica possessão portuguesa”, informando-o depois de que desembarcariam no Lobito antes de seguirem para Luanda [129]. No mesmo ano, houve correspondência entre Hergé, aconselhado por Jacques-Louis Duchemin, e Adolfo Simões Müller relativamente a uma possível edição dos álbuns de Tintin em português [130]. Não se chegou, afinal, a acordo sobre esta questão.
127. Lettre d’Hergé à Adolfo Simões Müller du 8 mars 1937.
128. Lettre d’Hergé à Adolfo Simões Müller (?) du 7 juillet 1938 citée dans Philippe Goddin, Hergé, Tintin et les Soviets. La Naissance d’une œuvre, op. cit., p. 145.
129. O Papagaio, no 213, 11 mai 1939, p. 9 (Notre traduction).
130. Philippe Goddin, Hergé. Chronologie d’une œuvre (1935-1939), op. cit., p. 372; Philippe Goddin, Hergé. Lignes de vie, op. cit., p. 242.

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