sábado, 5 de novembro de 2011

Álbuns do Tintin da Difusão Verbo

A Difusão Verbo foi a primeira editora portuguesa a editar os álbuns do Tintim. Desde 1988, foram publicados todos os títulos, juntamente com o álbum do filme «O lago dos tubarões» e «Tintim e a alph-art». Dos fac-similados, foram publicados dois títulos: «Tintim no país dos sovietes» e «Os charutos do faraó». Todos os álbuns são cartonados. A ASA adquiriu em 2010 os direitos de comercialização da obra.

















«Tintin» liderou esta semana nos cinemas nacionais

O filme «As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne», de Steven Spielberg, foi o mais visto nos cinemas nacionais na semana de 27 de Outubro a 2 de Novembro.
A obra atraiu às salas 156.205 espectadores, deixando bem para trás a comédia «O Regresso de Johnny English», de Oliver Parker, que ocupou o segundo lugar com 48.181 visitas.
 O pódio da semana completa-se com «Contágio», de Steven Soderbergh, visto por 22.539 pessoas. Entretanto, a obra de David Yates «Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 2» ocupa ainda o primeiro lugar entre os filmes mais vistos em 2011, somando agora 493.436 espectadores. «Piratas das Caraíbas: Por Estranhas Marés», de Rob Marshall, que já esteve na liderança deste outro ranking, está em segundo lugar, com 476.881 visitas. Por fim, «Smurfs», de Raja Gosnell, está actualmente no terceiro lugar do ranking dos mais vistos este ano, somando 474.078 espectadores.

In Diário Digital

Os álbuns Tintin da ASA

As Edições ASA adquiriram em 2010 os direitos de edição das aventuras de Tintin, tendo editado num formato 16x22 e com novas traduções (Tintim passa a ser Tintin) os 24 álbuns da coleção. Em 2019, comemorando os 50 anos da ida do Homem à Lua, foi publicado um álbum duplo com as duas aventuras lunares. Em 2021, edita a versão colorida de "Tintin no país dos sovietes", sendo o terceiro país a fazê-lo. Em 2023, editou a versão da revista Tintin d' "As jóias de Castafiore".


















 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Novos títulos da ASA

Com a edição em novembro de 2011 dos álbuns «Voo 714 para Sidney», «Tintin e os pícaros» e «Tintin e a alfa-art», a ASA termina a edição da totalidade da obra de Hergé, no que diz respeito às aventuras de Tintin.






Cinemax: "Spielberg & Hergé: uma aliança feliz"

Passaram-se cerca de trinta anos desde que Steven Spielberg pensou em transpor o universo de Tintin para cinema: foram os modernos recursos digitais que lhe trouxeram a solução para o projecto.



Como em relação a outros filmes sustentados por gigantescas campanhas de promoção, vale a pena lembrar o mais óbvio: nenhum filme é "melhor" ou "pior" em função dos seus investimentos, sejam eles publicitários ou apenas de produção. Mas é um facto que há filmes que, também através dessa promoção, apostam num domínio emimentemente popular.

"As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne" é um desses filmes. Que é como quem diz: um objecto da linha da frente no tratamento digital das imagens, neste caso do chamado performance capture (actores cujo trabalho serve para criar novas imagens, animadas por complexos programas informáticos), que ambiciona relançar o lendário herói da BD de Hergé e, em boa verdade, da cultura popular europeia dos últimos 80 anos (o primeiro álbum de Tintin, "No País dos Sovietes", surgiu em 1930).

Dirigido por Steven Spielberg, numa associação de produção com Peter Jackson (que irá dirigir o segundo título da série), estas "Aventuras" confrontavam-se com uma dificuldade incontornável: como dar vida a personagens e histórias que, no essencial, têm uma vida própria no papel, parecendo resistir a qualquer transposição?

A resposta de Spielberg é, de uma só vez, a mais básica e a mais inteligente. Que é como quem diz: trata-se de criar um universo visual que respeite tanto quanto possível as singularidades das histórias desenhadas (traço, cor, contrução da imagem, etc.), integrando também o labor específico dos actores. Uma síntese, enfim, entre a inspiração clássica e os instrumentos modernos.

Daí o sentimento paradoxal dos resultados, de algum modo reforçados pela metódica utilização do 3D: há no "Tintin" de Spielberg uma energia espectacular que não pode deixar de fazer recordar o melhor da saga de Indiana Jones, mas há também uma ambiência gráfica que lhe confere a alegria de um álbum em movimento (muito justamente, Spielberg já fez notar que os desenhos de Hergé possuem qualquer coisa de storyboard).
Eis, enfim, uma aliança feliz. Demorou muito tempo a concretizar, uma vez que Spielberg pensou em transpor Tintin para cinema por volta de 1982, pouco depois de concluir "Os Salteadores da Arca Perdida". E demorou, em parte, porque o cineasta tinha dúvidas sobre as possibilidades de concretizar o projecto através dos recursos tradicionais da imagem real. Agora, com o digital (mais do que com o 3D), Spielberg consegue o que pretendia: um mundo de generoso artifício, delirante na narrativa, humano pelo espírito.

João Lopes in Cinemax

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Viver dentro das Jóias da Castafiore

No início da minha adolescência investia toda a mesada que o meu pai, Alfredo da Costa Fiel (senhor de uma bela caligrafia, perícia importante para a sua profissão de escriturário do STCP), me dava na compra da revista "Tintin" e dos livros de bolso da colecções RTP e da Europa-América, numa tabacaria de uma senhora cujo nome lamentavelmente esqueci, que ficava junto à esquina da Avenida de Rodrigues de Freitas (onde eu morava, ali ao lado, no 304) com o Beco do Pedregulho.

Tenho uma dívida de gratidão para com a revista "Tintin" (cuja colecção completa ainda tenho, encadernada) e estas duas colecções de bolso, que são a base da minha cultura, que teve como levedura as oito a nove horas que passava por dia, durante as férias grandes, na Biblioteca Municipal do Porto, ao Jardim de S. Lázaro, a devorar volumes encadernados do "Mundo de Aventuras", "Falcão", "Ciclone" e outras publicações distribuídas pela Agência Portuguesa de Revistas.

A já finada revista "Tintin" introduziu-me a uma data de heróis e séries que ainda admiro, leio e releio, como o Astérix, Lucky Luke, Corto Maltese, Alix e Blake e Mortimer, mas uma das suas grandes âncoras eram as histórias do Tintin propriamente dito.

Das 23 aventuras do Tintin, a minha preferida é "As Jóias de Castafiore" - muito provavelmente porque não é uma aventura, no sentido clássico do termo. Ao longo de 62 páginas, Hergé diverte-nos, pisca-nos o olho, faz-nos rir, conseguindo manter-nos suspensos do desenvolvimento de uma intriga principal (o desaparecimento das jóias) e de várias secundárias (das quais a mais suculenta é o noivado entre a cantora do Scala de Milão e o capitão Haddock) para, no final, nos surpreender ao revelar que afinal não se passou nada.

As jóias não foram roubadas. A notícia do casamento entre o rouxinol milanês e o velho lobo-do-mar não passou de um infame boato, alimentado pela surdez do professor Tournesol ("Vai à pesca?", "Não, vou à pesca!") e pela voracidade dos jornalistas paparazzi - a beleza deste detalhe é que o livro foi publicado em 1963, ainda Lady Di era uma bebé de fraldas.

""As Jóias de Castafiore" é uma aventura entre parêntesis. Afinal, não se passa nada. Tal e qual como em Portugal - que continua a ser um país entre parêntesis. Ao governo laranja sucede-se o governo rosa, ao qual se sucede o laranja, depois o rosa, depois o laranja, e assim sucessivamente. No final, não se passa nada, continua tudo na mesma, com Portugal a divergir da média comunitária - apesar da transfusão de fundos comunitários que recebemos ininterruptamente desde 1986.
O que me leva a pensar que o nó do problema não reside na cor do Governo, mas antes no modelo de desenvolvimento centralista que os partidos do arco da governação partilham e teimam em não abandonar.

Jorge Fiel in Jornal de Notícias

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Tintin é de todos

Há que tempos que os fãs do mais famoso repórter do mundo andam num nervoso miudinho. Tudo porque dois não europeus (pior: um americano e um neo-zelandês) ousavam penetrar no território sagrado de Hergé. Ainda por cima adulteravam com a terceira dimensão o país plano de Jacques Brel. E corrompiam a limpeza, a elegância e o apuramento do traço, ou humor, a qualidade e a imaginação das histórias, dos gags, do ritmo narrativo criados por um dos mais referenciais autores de BD com a motion capture, a técnica que mistura imagem real e CGI (computer generated imagery), utilizada recentemente por James Cameron, em Avatar, seguindo o caminho trilhado por Peter Jackson (Senhor dos Anéis, King Kong). Mas a verdade é que não se imagina melhores câmaras, melhores técnicas, melhores mentes e melhores mãos a que pudesse ser entregue esta missão quase impossível. Peter Jackson, produtor e futuro realizador da eventual sequela, cresceu a ler o Tintin - este repórter globetrotter é transversal a geografias e a gerações, as suas aventuras são traduzidas em 80 idiomas, com mais de 350 milhões de cópias vendidas. . . E Spielberg tornou-se um ávido leitor, nos anos 80, depois muita gente ter associado o seu indiana Jones a Tintin - aliás, adquiriu os direitos logo em 83, com a concordância e o agrado do próprio Hergé.
De facto, Tintin é um Indiana Jones sem mochila, sem chicote, sem suor nem barba por fazer - e, neste filme, o já lendário compositor John Williams encarrega-se de o sublinhar. Nem um rasgo de mau feitio, cobiça ou mínima centelha amorosa se lhe atravessa no caminho. E é dramática e cinematograficamente difícil sustentar um herói tão imberbe, tão angelical, sem back-ground familiar, sem passado, sem rugas nem dirty secrets a macular a sua perfeição. Ele é quase uma abstracção, uma espécie de incorporação da neutralidade (em francês Tintin quer dizer Rien du tout). Por isso a motion capture é a técnica que melhor lhe serve, num meio termo entre o realismo e animação, que tornam os actores - seres digitalmente modificados - irreconhecíveis, sendo-lhes, contudo, captáveis as milhares de nuances e expressões faciais e corporais. Muito longe, portanto, do triste destino e que condenou ao ridículo o magistral Goscinny, quando a saga Astérix foi lamentavelmente vertida nas telas.
O filme baseia-se nos álbuns sequenciais Segredo de Licorne e O Tesouro de Rackham, o Terrível, que não são de todos os mais sofisticados, mas faz sentido, se pensarmos que este pode ser o início de uma triologia (se tudo correr bem na bilheteiras, já na América é uma incógnita): aqui Tintin cruza-se pela primeira vez com o seu contraponto de vícios, o capitão Haddock e a sua prolixidade de insultos e com o mítico castelo de Moulinsart. Há um excerto de O caranguejo e Tenazes de Ouro, à mistura, e intrometem-se o barco Karaboujan e a travessia do Saara. Rackan é o vilão do filme, mas falta-lhe carisma, daí nem ter sido retomado em aventuras seguintes, ao contrário do incorrigível Rastapopoulos. E esta pode ser uma falha do filme. Se o herói é atípico e dificílimo de assimilar numa lógica de estereótipo por uma lógica cinéfila mas iletrada nos álbuns de BD, teria de se compensar com um vilão mais terrível. Faltam também os irmãos Pardal, mas em contrapartida introduz-se os gémeos mais redundantes do mundo Dupond e Dupont, Allan, o mordomo Nestor e Castafiore - que não satisfaz o potencial humorístico, mas cumpre a quota feminina. Diz-se que o português Oliveira da Figueira estava previsto (interpretado por Danny de Vito), mas afinal não compareceu. Nem o general Alcazar, ou vendedor de seguros Lampião, a Irma, camareira do rouxinol milanês, e o ensurdecido Professor Girassol. De resto toda a meticulosidade de Hergé, e o seu amor pela tecnologia de transportes, estão presentes nas batalhas navais, nas perseguições com side-cars e modelos de carros dos anos 30, com hidro-aviões amarelos, botes e navios. É preciso ver que Tintin chegou à lua, 16 anos antes de Armstrong. Há, além da banda sonora, um genérico fabuloso, e um diálogo muito à Indiana Jones, agora vestido com calças de golfe: "Sabes pilotar", pergunta-lhe o velho lobo do mar Haddock, a bordo do hidro-avião. "Uma vez entrevistei um piloto", responde Tintin.

Ana Margarida Carvalho in VISÃO

Conferência de Yves Février em Guimarães

A Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012 organizou em 24 de outubro de 2011 uma conferência sobre Hergé.
Realizada no centro cultural de Vila Flor na cidade de Guimarães a conferencia que contou com a presença de Yves Février, representante do Museu Hergé intercalou a antestreia portuguesa do filme «As aventuras de Tintin e o segredo do Licorne» uma em versão portuguesa outra original inglesa em 3D.
Falou-se nas aventuras literárias vividas, ao longo de mais de 80 anos, pelo jovem repórter Tintin e as expectativas do Museu Hergé em torno da chegada da longa metragem às salas de cinema.
Eis os três vídeos que contemplam a totalidade da conferência.

PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3