sexta-feira, 15 de maio de 2020

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https://www.facebook.com/photo/?fbid=10219843765463665&set=a.1596461430541

Rui Sousa

1 de Maio de 2020  · 

#sixfanarts

O João Morais Ribeiro obrigou, coagiu, chantageou cinco amigos maluquinhos da b.d. a trabalharem no 1º de Maio: Ricardo Blanco, Pedro Brito, Osvaldo Medina e Nuno Maldonado Tuna e eu próprio. Seis personagens do mundo da nona arte retratados por cada um dos seis maluquinhos. A minha versão ... Major Fatal, Tintin, Torpedo, Philemon, Sangue Violeta, Vampirela ... 

e assim vai o mundo ...


Espaço Tintin

Este é um sítio que parece maior pela quantidade de mini espaços que conseguiram obter através das diferenças da mobília e da situação em que estão dispostas. Há direita, mal entramos, há um ligeiro degrau de elevação (não sei qual o termo arquitectónico para isto) com 3 ou 4 mesas redondas junto a uma parede recheada de post-its de apreço ao local ou de veneração ao Tintin (tenho de confessar que nunca gostei desta personagem e sempre fui fã fiel e dedicada destes fulanos aqui []). Este é o local que apanha mais luz por estar próximo da janela, tem também uma boa visão para o televisor suspenso na parede, o que é uma vantagem em dias de futebol.

À esquerda, também junto à janela/parede de vidro existem duas poltronas pequenas a rodear uma mesa baixa meia marroquina. Este é um sítio mais isolado e parece mais apropriado para pessoas que só querem sentar, conversar e beber qualquer coisa.

Se em vez disso decidirmos olhar em frente, então temos três hipóteses possíveis: descer as escadas ao centro, que nos levam à loja de material Tintin e às casas-de-banho. Contornar as escadas pela esquerda, o que faz com que nos situemos num estreitíssimo corredor junto ao vidro com duas mesas altas e quadradas, com cadeiras a condizer, e também uma pequena estante de cartão com literatura portuguesa que deve fazer parte de um projecto que desconheço, mas que pelos vistes é possível tirar um livro e ficar a ler.

Se contornarmos as escadas pelo lado direito vamos directos ao balcão de pedidos passando pelas mesas rectangulares, mais próprias para refeições ou para estudantes que tenham de fazer um estendal para trabalhar.

Mas ainda não acaba aqui, chegados ao balcão temos ainda um outro local que só abre às 20h da noite: a mezzanine! A essas horas passa a ser possível chegar ao fundo do estabelecimento, virar à direita e subir as escadas, chegando a uma espécie de lounge com mini bar e uma narguila de chicha que pelo que me disseram fica a 5€ para quem quiser (parece barato, pergunto-me se é mesmo este o preço). Os cocktails passam também a estar disponíveis e devem rondar os 5€, o costume.

https://tarzanurbano.blogspot.com/2012/05/espaco-tintin.html 14/05/2012

Espaço Tintin 

Lisboa, Avenida de Roma, 39 A

Telefone 214054639

Horário Segunda a Sábado das 08:30 às 23:00

Website http://www.lojatintin.com      

Público  2010 - Tintin na Avenida De Roma

Faz amanhã – domingo – 81 anos que o intrépido Tintin surgiu pela primeira vez, de partida para O País dos Sovietes, nas páginas de um suplemento de um jornal belga. 

Tintin pode nunca ter escrito uma notícia mas, prestes a celebrar 81 anos – este domingo – continua sempre a ser notícia. A 12 de Janeiro de 1929 este ícone mundial nascia, por obra e graça do mestre Hergé na páginas do Le Petit Vingtieme (um suplemento para jovens do jornal belga Le Vingtieme Siecle). Passaram-se oito décadas, viveram-se 24 aventuras e Tintin está aí para as curvas: não só se aguarda pela chegada ao mercado editorial português da sua obra completa revista e retraduzida (pela Edições Asa), como os fãs já anseiam (embora só tenha data de estreia marcada para finais de 2011) pela adaptação cinematográfica assinada por Steven Spielberg. E isto tudo na exacta altura em que o corajoso repórter arranjou casa própria oficial em Lisboa, o Espaço Tintin, com direito a café-Iounge e loja, onde habita, de várias formas, a galeria de inesquecíveis personagens que o acompanharam em tanta aventura: do espevitado cão Milou ao irascível capitão Haddock, do distraído professor Tournesol (ou Girassol) aos impagáveis Dupond e Dupont, da diva Castafiore ao mui luso comerciante Oliveira da Figueira.

E é, naturalmente, muito graças ao comércio que o Espaço Tintin, que já veio dar um novo brilho à Avenida de Roma (no mesmo edifício onde outrora existiu um conhecido café, o Trevi), nasceu e continua a crescer e a ter novidades para apresentar.

Erigida graças a Paulo Ferreira Almeida, representante oficial da marca Tintin em Portugal, obviamente fã da personagem ("mas não um daqueles fanáticos que sabe tudo", sublinha), a nova casa do herói de Hergé começou por ser apenas um acolhedor café, aberto em Maio passado no rés-do-chão deste edifício marcado por sinais "tintinófilos" por todo o lado. Em Dezembro, chegou a vez de inaugurar a loja na cave; e em breve, deverá ter um lounge (havia também a possibilidade de restaurante, mas nada ainda concreto). Paulo, que começou por coleccionar os Tintin, como meio mundo, acabou por fazer evoluir a colecção para uma homenagem viva entre quatro paredes, por onde, aliás, se encontram até alguns itens da sua colecção particular.

Entra-se para a parte do café e já temos Tintin a receber-nos. o espaço, marcado pela transparência das suas paredes-vidro e por tons quentes, impera um grande painel de BD com sinais e balões de diálogo alusivos, obviamente, ao herói da casa. Mas não há lugar a excessos Tintin por aqui, até porque o próprio também primava pela discrição. Há lugar, isso sim, a outros detalhes de bom gosto: as mesas e cadeiras bem escolhidas e aprumadas, um mini-espaço lounge com sofás e mesa de inspiração marroquina, uma espécie de caixa de vidro a separar áreas ou uma zona mais elevada, um "palco" com vista para a rua. Na decoração, o destaque vai ainda para uma série de litografias de pranchas originais de Hergé. O café é a sala de estar do Espaço e, para além de todo os básicos que se desejem (incluindo pratos do dia, saladas, etc.), ressalte-se que propõe cervejas (obviamente) belgas. Uma das grandes vantagens deste novo poiso é que não só está aberto grande parte do dia (abre cedinho e só fecha pelas 23h ou, se for fim-de-semana, à 1h) como abre ao domingo (excepto, por agora, a loja). A sala há-de ainda ganhar uma nova atracção, quando for disponibilizada a parte superior, que abre em mezanino e permite vistas amplas. Outros eventos virão para trazer mais animação, entre tertúlias e concertos.

Mas o "real" mundo de Tintin mostra-se em todo o seu esplendor no underground. Descendo umas escadinhas, entra-se na loja - que, embora pequena, não defraudará nenhum admirador de Tintin.

Com uma decoração alusiva a um dos álbuns, O Lótus Azul ("o meu preferido", admite Paulo Almeida), expõe itens e "memorabilia" de todo o género, incluindo a colecção de vestuário com a marca oficial (t-shirts são para todos mas as outras peças são exclusivas para os pequenos grandes fãs até aos 16 anos). À escolha do freguês, há postais e pins, agendas, bolsas, lápis ou porta-chaves, figuras em PVC mas também peça "escultóricas", não faltando bonequinhos do Tintin, do Milou ou dos gémeos Dupont e Dupond.

Entre as peças mais apelativas, um belo teatro de fantoches, exemplares do foguetão com que o herói foi à Lua (em Rumo à Lua e em Explorando a Lua), uma peça de porcelana com Tintin e o seu fiel cão dentro de um pote (tal como se vê na capa d' OLótus Azul) ou miniaturas de belos exemplares de carros antigos usados em diversas aventuras pelo jovem repórter: o carro de corrida d' Os Charutos do Faraó, clássicos Ford, Jaguar ou Land Rovers, limusinas, táxis, etc. etc. - não há veículo utilizado por Tintin ou surgido nas pranchas que não tenha sido já reproduzido.

E depois há Tintin a passear com Milou, Tintin mini, médio e maxi, Tintin em camelo... E, refira-se, há merchandising para todas as carteiras, desde os económicos (os postais e pins andam pelos € 1,25/€ 1,50; as agendas há-as de € 3,50 a € 6,00) até exemplares destinados a verdadeiros coleccionadores, casos do grande e lendário foguetão lunar (pelos 085; há um pequeno por € 44,50) ou de uma recriação "escultórica" de Tintin no Tibete (€ 430,00).

Naturalmente, é de esperar que o que está em exposição e venda e vá renovando e ampliando, até porque há muitas outras peças disponíveis (jogo , mochilas, tapetes de rato, loiças, etc. etc. no site da loja poderá admirar o extenso portfólio).

Antes de surgir o "Fim" nesta incursão ao mundo luso de Tintin, é obrigatório um passeio pelo corredor das casas de banho: as paredes mostram uma exposição de capa das aventuras de Tintin, parte da colecção pessoal de Paulo Almeida.

Espaço Tintin

Av. de Roma nº 39A

1700-341 Lisboa

Tel.: 217993139

www.lojatintin.com

tintin@lojatintin.com

Horários: A loja abre de 2ª. a sábado das 10h30 às 19h30.

O café abre de 2ª. a 5ª. Das 8h30 às 23h, à 6ª. e sábado das 8h30 à 1h; ao domingo das 14h00 às 19h00.

Tintin também come e bebe

O serviço de café propõe sempre um prato do dia (€ 4.90) e não faltam pastelaria, saladas (há até uma salada baptizada em honra do velho marinheiro Haddock), tostas. sanduíches. quiches ou sopas. Nas bebidas. além de cocktails ou variações de caipirinha. há cervejas belgas (casos das Dubbel ou Artois. € 3,00). Os preços sobem ligeiramente à noite (por exemplo: o café passa de € 0.75 para € 1,10; a imperial sobe de € 1,40 para € 1,60).

Luis J. Santos, Público – Fugas, 09/01/2010

Luís J. Santos (texto) e Shamila Mussá (fotos) foram celebrar o aniversário do herói de Hergé à novíssima casa portuguesa do corajoso repórter, o Espaço Tintin, em Lisboa, onde se interligam café e loja.

Copyright: © 2010 Público; Luís J. Santos

http://kuentro.blogspot.com/2010_01_01_archive.html

https://tarzanurbano.blogspot.com/2012/05/espaco-tintin.html

https://lisboasecreta.co/paragens-obrigatorias-na-avenida-de-roma/

https://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g189158-d4947002-Reviews-Tintim_cafe-Lisbon_Lisbon_District_Central_Portugal.html

https://nicelocal.pt/lisbon/shops/tintin_lisboa/

https://lifecooler.com/artigo/comer/tintin-lisboa/417882

https://pt.foursquare.com/sandrat7235959/list/caf%C3%A9s-esplanadas--bares

Time Out 2009 : Espaço Tintin

Há um novo café na Avenida de Roma dedicado ao herói de BD criado por Hergé. Chama-se Espaço Tintin e por enquanto ainda é só café (durante o dia) e bar (à noite), mas até ao final do ano vai abrir mais um piso: a única loja oficial a vender produtos do Tintim em Lisboa.

Para já, está a funcionar a cafetaria, onde há saladas (uma delas foi baptizada com o nome do capitão Haddock), tostas, quiches, batidos e sumos naturais, scones, muffins e – mais por graça do que outra coisa – cervejas belgas. À noite também há mojitos, caipirinhas e em breve terão cocktails com saké.

Paulo Almeida, o proprietário, acha que faziam falta mais espaços na Avenida de Roma que devolvessem a esta zona o movimento que já teve mas nos últimos tempos tem vindo a perder. Este café do Tintin é, por isso, “uma mais-valia e espero que faça mais gente sair de casa e vir até cá”, diz o dono, que quis criar um espaço acolhedor, onde se pudesse conversar ou ler um livro (também há revistas e jornais para consulta) e a decoração fosse “uma mistura de coisas antigas e novas, porque o Tintin também é retro”.

Daí as mesas de madeira, as cadeiras todas diferentes e o mega candeeiro no tecto, estilo aranha de 16 patas com um projector em cada uma. Espalhadas pelo café há algumas referências discretas ao Tintin – quadros nas paredes, balões de BD desenhados atrás do balcão e, subindo os olhos até ao tecto, até se encontra uma miniatura do foguetão vermelho (inseparável da célebre frase “Objectif... lune!”).

O Espaço Tintin fica na Avenida de Roma, 39 A. Está aberto todos os dias: segunda a quinta das 08.30 às 23.00, sexta e sábado das 08.30 à 01.00, domingo das 14.00 às 19.00.

Time Out , 20/12/2009

INAUGURAÇÃO DA LOJA EM 03/12/2009

Les aventures de Tintin

A roupa do carismático Tintin vai estar pela primeira vez disponível em Lisboa a partir de três de Dezembro, quinta-feira, na primeira loja da marca, situada na avenida de roma. Estará à venda a colecção de merchandising Tintin, assim como a colecção têxtil Outono/Inverno 2009. 

Revista Máxima,  09/12/2009

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Tintin na Avenida de Roma

Por enquanto, o Espaço Tintin é só café e bar, mas brevemente irá ser também loja dedicada ao universo do "intrépido repórter". Durante a semana, é mais calmo e tom é o do easy listening, ao fim de semana há mais animação, festas e os ritmos aceleram um pouco.

Fica no nº 39 da Avenida de Roma.

Seg. a Qui : 8h30 - 23h, Sex e Sáb : até à 1h, Dom : 14h-19h.

Publicada por LUIS BARATA

Chamava-se, nos anos 70, café Trevi. Depois foi, até há pouco uma loja de roupa.

M. 19/10/2009

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MUDANÇA DE INSTALAÇÕES

Aquando do 80º Aniversário do Tintin, Rui Lagartinho realizou uma reportagem para a RTP. Podemos vê-la através do seguinte link. 

Ficámos também a saber que Paulo Almeida da Loja Jelly Fish (representante dos artigos Tintin na Avenida de Roma em Lisboa) vai inaugurar uma loja no centro de Lisboa com 180 m2 dedicada ao merchandising tintinófilo,

http://tintinofilo.over-blog.com/25-index.html

NOVOS SITES

As nossas lojas têm agora endereços próprios, por favor actualize os seus links !

www.jellyfish.pt

www.lojatintin.com

We are an independent company. We have no relation whatsoever with the Swatch Group.

We are the official Tintin distributor in Portugal.

Copyright Relogiomania, Jelly Fish, Jelly Fish Net

1998-2008;  e-mail: swatch@jellyfish-net.pt

ADDRESS

Avenida de Roma, 43 A / Lisboa

PHONE 21 799 3139

EMAIL swatch@jellyfish.pt

SITE www.jellyfish.pt

Em ano de comemoração do 77º aniversário do famoso repórter, abriu um novo espaço dedicado às suas aventuras. Livros, acessórios, ts-shirts e outros objectos com Milou, Haddock ou a dupla Dupont e Dupond. Só pra verdadeiros fãs! Fica na Av. de Roma, 43A, em Lisboa. 

(Revista Pais & Filhos, Janeiro de 2007)

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JELLY FISH

Jelly Fish foi o primeiro relógio plástico totalmente transparente. Teve tanto sucesso que foram feitas várias reedições com variações de ponteiros e mecanismo.

A Jelly Fish (est. 1998) é uma loja especializada em produtos Swatch: relógios, braceletes, bijoux e outros acessórios.

Aqui pode encontrar relógios e braceletes de todas as colecções desde 1983, bem como edições especiais de coleccionador.

É possível também pedir artigos que não estejam disponíveis na loja.

Av de Roma, 43A Lisboa

tel. 217993139

metro: Roma

2ª a 6ª 10h30m - 19h30m

sáb 10h30m - 18h30m

https://arquivo.pt/wayback/20091218094419/http://www.jellyfish.pt/loja_swatch.html


quinta-feira, 14 de maio de 2020

domingo, 10 de maio de 2020

Ilustradores Ilustrados


Em encomenda da Bedeteca de Lisboa e do seu director, João Paulo Cotrim, em 2000, a que deu o nome de Ilustradores Ilustrados, um ilustrador munido de uma máquina fotográfica [João Francisco Vilhena] fixou as caras (e corpos) de alguns dos mais eminentes ilustradores portugueses contemporâneos, em corte diagonal de gerações e notoriedades.

São 25 viagens ilustradas por mundos ocultos ou assumidos na obra pública e publicada. Há referências eternas e há referências efémeras. Fragateiro é a sardenta Pipi das Meias Altas, Morais um explorador tintinesco, Cavalheiro mima o seu ídolo Bocage, Geirinhas assume uma replicante do filme Blade Runner, Letria é quadro de Magritte, Ruivo encarna o seu americaníssimo Bug do Milénio e Pott figura um Capuchinho Vermelho pouco ortodoxo. São imagens de um tempo e um lugar que celebraram o triunfo da ilustração editorial portuguesa e de um futuro otimista que o nosso inquietante presente remeteu para a gaveta da memória.

Almanaque Silva, 06/07/2011

Pedro Morais é um explorador tintinesco neste conjunto de retratos de ilustradores nacionais.


Embaixador em Lutenblag

Gosto dos nomes dos "novos países" que a NATO acaba de criar para os seus jogos táticos na guerra cibernética: Berília e Crimsónia.

Sempre achei graça a estes Estados fictícios, desde a Bordúria e a Sildávia em que Hergé fez circular Tintin. Aliás, é vulgar esquecer que a série não ficou por aqui. Hergé inventou também El-Khemed, San Theodoros e Nuevo Rico.

Nestas ficções geográficas, há três áreas tradicionalmente "privilegiadas": os Balcãs, a América Central e o mundo árabe, com alguma África à mistura. De certo modo, isso correspondia ao "mistério" e menor conhecimento existente sobre essas geografias.

A literatura e o cinema estão cheios desses reais imaginários e, entre eles, há nomes deliciosos, na sua sonoridade e inventiva.

Há uns anos, numa livraria em Paris, deparei-me com o suprassumo editorial dessa fabulação: entre uma série de guias sobre vários países, surgia um dedicado à Molvânia, um Estado não existente. Trazia referências às suas tradições, usos, figuras da história e literatura, tudo com imensas fotografias e até endereços de restaurantes. Nunca me perdoei não ter comprado esse guia de ficção turística, que espero que venha a ser atualizado com a necessária regularidade, porque a imaginação também se renova. 

Na altura, pensei que Lutenblag, a popular e ao que dizem deslumbrante capital da Molvânia, seria o destino diplomático adequado, por inócuo e inofensivo para os interesses do Estado, para dois ou três colegas com os quais me cruzei ao longo da minha carreira profissional e cuja afeição ao trabalho apenas era compatível com a colocação em postos imaginários. Ah! E que, naturalmente, mereciam ser pagos na respetiva moeda local, o Strubl, porque "isto não é o da Joana"...

Seixas da Costa, 20/05/2017

quinta-feira, 30 de abril de 2020

As desventuras de Tintim na Rússia



A Rússia foi talvez o último país do mundo aonde chegaram os livros de Tintim, não obstante este herói da BD ter tido a sua primeira aventura precisamente no "País dos Sovietes".

O primeiro e, por enquanto, único livro de aventuras de Tintim chegou aos leitores russos apenas em 2004 e chama-se “Os Charutos do Faraó”.

Os especialistas russos em história da banda desenhada não têm dúvidas de que este enorme atraso na chegada das aventuras de Tintim à Rússia se deveu ao primeiro álbum de Hergé “Tintim no País dos Sovietes” (1929), obra que esteve proibida na União Soviética por ser considerada “anticomunista” e que pelo mesmo motivo continua a não chegar às mãos dos leitores chineses.

Georges Remi (Hergé) coloca os seus heróis, Tintim e Milú, no período revolucionário em que os comunistas instauravam o poder pela força, tendo-se baseado na obra “Moscou sans voiles”, de Joseph Douillet, diplomata belga que viveu e trabalhou durante nove anos na Rússia soviética.

Alguns episódios do primeiro álbum de Hergé são uma ilustração exacta de episódios descritos por Joseph Douillet, como, por exemplo, “as eleições democráticas” na aldeia com uma pistola apontada à cabeça.

Sendo o diplomata belga um anticomunista, os estudiosos russos de banda desenhada europeia consideram aí residir uma das causas da “falta de qualidade” dessa obra.

“Não obstante a abordagem extremamente pormenorizada [da situação na Rússia soviética], a primeira experiência falhou, pois deu origem a uma banda desenhada bastante primitiva que contém numerosos disparates", como a existência de um agente da polícia política soviétiva OGPU que adora bananas, considera Elena Bulakhtina, reconhecendo, porém, que “há lugares divertidos”.

Opinião semelhante tem Mikhail Khatchaturov, chamando a atenção para o facto de “Tintim no País dos Sovietes” ter sido “o único volume da série das Aventuras de Tintin que não foi posteriormente trabalhado e que, durante muito tempo, não foi reeditado”.

“Só recentemente ele voltou a ser publicado, muitos anos após a morte do autor, e por isso agora surge orgulhosamente no catálogo da série como o número um”, sublinha Khatchaturov.

Não obstante o comunismo ter caído na União Soviética/Rússia há quase 18 anos, Tintim continua a ser desconhecido entre o grande público russo, ao contrário de outros heróis da banda desenhada como Astérix. 

“Os Charutos do Faraó” foi a primeira e única das aventuras de Tintim a chegar à Rússia com uma edição de cinco mil exemplares, o que é extremamente pouco para um mercado livreiro tão imenso como é o russo.

Tintim parece ter-se irremediavelmente atrasado na sua chegada à Rússia, mesmo sem sovietes.

PUBLICADA POR JOSE MILHAZES, 02/06/2009

http://tintinofilo.over-blog.com/article-32078666.html

2013

"Álvaro Cunhal no País dos Sovietes " de Helena Matos r José Milhazes

No centenário do nascimento do carismático secretário-geral do Partido Comunista Português, Álvaro Cunhal (10 de Novembro de 1913-13 de Junho de 2005), a jornalista e comentadora Helena Matos assina um texto a ilustrar cerca de meia centena de fotografias inéditas do dirigente comunista em terras soviéticas e que pela primeira vez chegam a Portugal pela mão do jornalista José Milhazes.

São imagens desconhecidas que retratam os anos de apogeu de Cunhal na ex-URSS logo após a fuga de Peniche em 1961 e que se estenderam até ao fim do exílio com a Revolução de Abril de 1974; mas também as múltiplas visitas posteriores, reveladoras do esmorecimento do entusiasmo dos líderes socialistas face a Cunhal, assumindo o dirigente comunista português um papel cada vez mais secundarizado a partir do início da década de 80.

Neste livro, cujas ilustrações e imagens são também acompanhadas por partes de discursos e textos a espelhar o espírito de cada momento, é possível acompanhar os encontros de Álvaro Cunhal com os líderes comunistas mundiais, desde Brejnev a Boris Ponomariov, Fidel Castro, Hustav Husak, Erik Honekker, Vladimir Cherbitzki, ou Henry Winston. Tudo momentos que Helena Matos reaviva, num texto que reconstrói todos esses momentos.

2017

"As Minhas Aventuras no País dos Sovietes A União Soviética tal como eu a vivi" de José Milhazes

Fotobiografia


terça-feira, 28 de abril de 2020

A Paixão da Aventura

 


TINTIN - A PAIXÃO DA AVENTURA - 20/ABRIL/2009

Painel sobre o herói e a sua múltipla expressão

No passado sábado, conforme anunciado aqui, decorreu na Sociedade Histórica da Independência de Portugal um encontro sobre Tintin e a paixão da aventura, com a presença do Mário Casa Nova Martins e do Eurico de Barros e a compreensível ausência do João Marchante. Uma óptima experiência da qual saliento o conhecimento e clareza nas exposições dos oradores, que colheram a atenção dos presentes e motivaram a troca de opiniões que se seguiu. Está de parabéns o Núcleo Infante D. Henrique e todos os que contribuíram para este evento. Venham mais!

Victor Abreu

terça-feira, 14 de abril de 2020

Comic Sans Serif

Tintin regressa no Século 21, e depara-se com um mundo bizarro, minado pela estética dominante do repelente Comic Sans.

Um Haddock rendido à abominação; uma Castafiore proxeneta de profissionais ciberaumentadas; Dupond/t-Cops nos seus aero-Dupond/t-mobiles; um Milu embalsamado num skate voador; e para rematar, a horrível revelação e o destino final de Nestor e do Professor Girassol. Tudo isto envolto numa técnica narrativa Eisneriana que tanto gozo me deu escrever, e que o Carlos Pedro ilustrou na perfeição.

Isto foi publicado no fanzine temático do saudoso Geraldes Lino, e terá cerca de 10 anos, numa fase profundamente criativa da minha vida, em que disparava aparentemente (boas) ideias em todas as direcções. E perdoem-me aqui a imodéstia, mas sempre tive enorme orgulho nesta curta, em que eu e o Carlos usámos e demonstrámos as inúmeras técnicas narrativas que a BD permite.

E sim. De propósito, e uma vez na vida, legendei parcialmente uma BD a Comic Sans (...)

Mário Freitas, Facebook, 26/03/2020

EFEMÉRIDE Nº 4

sábado, 11 de abril de 2020

Hergé, obra aberta

Hergé, obra aberta

Um livro que estuda as influências de Júlio Verne sobre Hergé

TINTIN CHEZ JULES VERNE - Lefrancq Ed., 1998, 165 págs., 3830$00

EM 7 de Janeiro de 1989, a Revista do EXPRESSO evocava, através de uma longa cronologia comentada e ilustrada, os 60 anos da criação de Tintin que, ao tomar o comboio para o País dos Sovietes, estava longe de adivinhar o leque de aventuras em que se veria envolvido. E não só aventuras propriamente ditas, numa vasta geografia pluricontinental, que vai das profundezas dos mares até à Lua, doseando habilmente política, história, exotismo, fascínio pelos diferentes povos e civilizações, respeito etnográfico pelo Outro, problemas sociais de incidência universal, enriquecidas por um conjunto inesquecível de personagens tipificadas envolvidas em situações em que progressivamente sobressaem os valores humanistas sob um relativizante e fino fio de humor. Mas também a aventura do próprio século XX, que perpassa por toda a obra de Hergé, com uma meticulosidade, uma amplitude e um poder de síntese que lhe advêm de se enraizar profundamente no seu tempo e simultaneamente o transcender e sublimar.

Não menos fundamental foi a aventura estética que, se não fundou propriamente a BD europeia, lhe deu indiscutivelmente das primeiras, mais fecundas e sólidas «lettres de noblesse», numa meditada e feliz conjugação de legibilidade, «claridade», simplicidade, fluência, economia, atenção ao pormenor significativo e um espantoso sentido gráfico, cujas ramificações ainda hoje perduram, sem prejuízo do natural surgimento de mais escolas igualmente férteis.

E entre outras aventuras desencadeadas, permanece viva e inesgotável a aventura ensaística e crítica sobre o herói e o autor de BD objecto da mais vasta bibliografia de sempre. E que não esmorece.

Assim, 10 anos passados, a efeméride, assinalada um pouco por todo o lado e no EXPRESSO-Revista de 16/01, continua a justificar-se, não tanto na reevocação de dados básicos conhecidos (embora haja precisões e esclarecimentos novos importantes), não propriamente por chegar aos 70 anos o herói «dos 7 aos 77» (a expressão, aliás, foi criada por volta de 1950 como «slogan» da revista belga Tintin, «Le Journal des jeunes de 7 à 77 ans», que fora criado em 26/09/46), mas pelos imensos contributos que continuam a interrogar a obra e a tentar construir esse «puzzle» fugidio e enigmático, delicado e secreto, arguto e mistificador, pragmático e contraditório, que dá pelo nome de Hergé (22/05/1907 – 03/03/1983), pseudónimo, aliás, como se sabe, a partir das iniciais invertidas (RG), de Georges Prosper Remi Remi (é verdade, duas vezes - e, por favor, ao contrário do que saiu incorrectamente no recente EXPRESSO-Revista referido, escreva-se e leia-se REMI com e mudo e sem acento).

Estes 10 anos viram, entre tantas coisas, a edição integral portuguesa em álbum, pela Verbo, das «Aventuras de Tintin» (excepto Tintin au Pays des Soviets, há muito anunciado), viram a consolidação do «império hereditário» de Hergé nas mãos do inglês Rodwell, segundo marido da «segunda viúva» de Hergé, Fanny, viram obras que, se não trouxeram a síntese definitiva, juntaram mais umas pecinhas ao «puzzle» que persiste em permanecer incompleto.

Foi o caso, em 1996, da biografia de Pierre Assouline, algo polémica, que, apesar de ser uma referência obrigatória, não evitou uma excessiva «exterioridade», não inspirando total confiança quando as simples referências a Portugal balançam entre o erro e o improvável.

Mais estimulante e inovador é Tracé RG de H. van Opstal, tradução francesa de 1998 da edição neerlandesa de 94, que, embora com uma estrutura estranha, é iconográfica e documentalmente muito rico, atraente e importante.

Sirva no entanto de símbolo da obra de Hergé como «obra aberta» entre todas, projectada no futuro, sobre a qual nunca está tudo dito, a recentíssima e muito curiosa análise da significativa influência da obra de Júlio Verne (e, nomeadamente, a iconografia das primeiras edições) nas «Aventuras de Tintin», não tanto sobre o essencial, mas inspirando sequências, episódios, ideias, personagens, o lastro romanesco de que um universo ficcional também é feito. Mistificada pelo próprio Hergé e subestimada por praticamente toda a bibliografia com excepção de Les Amis de Hergé (a revista semestral desta associação criada em 1985 reúne um conjunto fundamental e inacreditável de informação, da mais importante à mais «louca»), a agora mais patente influência de Verne acaba por entreabrir mais um campo de investigação e reflexão, ficando no ar o que terá sido bebido directamente no escritor francês e o que poderá fazer parte da cultura e de um fundo comum de literatura de aventuras, de ciência, de descoberta do mundo, de viagens.

De qualquer forma, alguns confrontos são tão convincentes, que o que admira não é tanto a identidade entre os dois visionários, os dois «romancistas da viagem», mas a subestimação de Verne por Hergé, lembrando-nos a velha lição de que, se os testemunhos dos autores são interessantes, é tão importante o que dizem como o que escondem ou esquecem...

JOÃO P. BOLÉO, Expresso, 02/03/1999

sábado, 4 de abril de 2020

Tintin nos jornais portugueses

O Diário de Notícias, então um dos nossos jornais matutinos de referência, seguira a sua tradição folhetinesca, adaptando-a aos quadradinhos. Assim, a partir dos finais de 1971, iniciou a publicação de As Aventuras de Tim-Tim, em tiras de fim de página. Foram assim divulgadas as histórias O mistério da orelha quebrada, A estrela misteriosa, Mistério no Tibete (Tintin no Tibete), O caso do invento Secreto (O caso Girassol), O segredo da «Flor do Mar» (O segredo do Licorne), O tesouro do pirata (O tesouro de Rackham, o Terrível) e A ilha negra.


Esta aventura seria terminada após o 25 de Abril de 1974. Depois, o DN ainda divulgaria: As 7 bolas de cristal, O templo do sol e O mistério das latas de conserva (O caranguejo das tenazes de ouro). Esporadicamente, em 1981/82 ainda publicaria Tim-Tim na Lua (Rumo à Lua).

Largo dos Correios, 30/07/2018

1971 O Mistério da Orelha Quebrada

1972 A Estrela Misteriosa

1972 Mistério no Tibete

1973 O Caso do Invento Secreto

1973 O Segredo da «Flor do Mar»

1973 O Tesouro do Pirata

1974 A Ilha Negra

1974 As 7 bolas de cristal

1974 O Templo do Sol

1975 O Mistério das Latas de Conserva    

1981 Tim-Tim na Lua

Não será novidade para ninguém que muitas personagens célebres da Banda Desenhada tiveram os jornais a apoiá-los e a divulgá-los de uma forma mais ou menos intensa. Os norte-americanos sempre foram especialistas nesse campo e seriam nos seus jornais que apareceriam inicialmente muitas aventuras de heróis que acabariam por alcançar grandes sucessos. Com o Tintin não aconteceria isso, já que em Portugal as suas aventuras publicadas nos jornais iniciaram-se em tiras (o que provocaria muito impacto junto do público, pois as suas aventuras foram criadas em pranchas e é assim que deverão ser lidas). No entanto, seria o jornal “Diário de Notícias” a publicar essas mesmas tiras a partir de 8/12/1971 até 11/8/1975, tendo apresentado 10 histórias desde ‘O Mistério da Orelha Quebrada’ até ‘O Mistério das Latas de Conserva’, passando pelas aventuras de ‘A Estrela Misteriosa’, ‘A Ilha Negra’, ‘O Templo do Sol’ e outras.

“O Comércio do Porto” também arriscaria em publicar de 24/2/1974 a 5/6/1975, mas desta vez em meias pranchas e pranchas, algum material, mas com muitas falhas na sua periodicidade.

Mais tarde e de novo “O Diário de Notícias” publicou de 8/3/1981 a 30/5/1982 a história ‘Tintin na Lua’, igualmente em pranchas.

Finalmente o jornal “O Independente”, em 1995, publicaria duas séries de fascículos a cores e em pranchas as seguintes histórias de Tintin: ‘As Sete Bolas de Cristal’, ‘O Templo do Sol’, ‘O Segredo do Licorne’ e ‘O Tesouro de Rackham O Terrível’ na primeira série, e ‘No País do Ouro Negro’, ‘Rumo à Lua’ e ‘Explorando a Lua’ na segunda. Duas capas cartonadas para encadernar cada série foram oferecidas aos leitores do jornal.

Carlos Gonçalves, QI

Nota: no livro "Tintin et Moi" de Numa Sadoul aparece em anexo ou no índice uma referência ao Diário de Notícias e ao Diário de Luanda mas ainda não encontramos qualquer informação real ao jornal de Luanda.