quinta-feira, 10 de junho de 2021

Rui Reininho

Um dos temas do disco "Independança" dos GNR, editado originalmente em 1982, chama-se "Dupond & Dupont". 

Curiosamente, a letra do tema apareceu publicada no livro "Líricas Com & Onianas" de Rui Reininho, editado em 2007 pela Palavra, mas onde aparece erradamente como "Dupond & Dupond". 

Noutro livro, "Afectivamente GNR", aparecem comentários de Reininho sobre alguns dos temas. Diz que era habitual brincar com os títulos das canções, tal como nesse tema e em "The Light".



O novo disco a solo de Rui Reininho, editado esta semana, inclui um tema chamado "Tan Tan No Tibet".  Por coincidência também é a terceira faixa do disco.


Texto de apresentação de concerto:

Os vislumbres do futuro parecem ressoar sempre de paisagens ancestrais. Nada é bem deste mundo tirando, talvez, todas as coisas mágicas; as percussões, as vozes, o Himalaia lá ao fundo, Tantan pós Tibet. Um olho é uma nau imaginária que avista 20.000 éguas submarinas. 

Em 2008 ele escreveu um artigo no JN, onde colaborava periodicamente, a que deu o nome de "Tchin tchin no Tibetche".

Tchin tchin no Tibetche
É óbvio que para quem percebe pouco de reencarnações, mesmo que acredite, como a maioria dos nossos não praticantes que o messias reapareceu na maior ao fim de três dias, dificilmente entenderá o que se passa no tecto do mundo, num Tibete.

Em verdade vos digo que caso não haja um derramamento insano de espiritualidade, a encarnação do famoso marquês de Coubertin, inventor da olimpíada moderna, industrializada e convenientemente polvilhada com esteróides pouco ou nada tem a ver com os jogos gregos, a halterofilia, a pedofilia mais os homens de saiotes ou completamente nus.

Agora que captamos a atenção dos nossos leitores mais devassos, convém lembrar que há reencarnados e encarnados no meio de nós pensar que Sócrates anda por aí, sem Platão nem Zico e Tostão nem IVA e Adam, que o índio Jerónimo abandonou as eternas pradarias de caça para se insurgir contra a invasão na Abissínia, vulgo Iraque e se esqueceu (coitado, é da idade) que os seus camaradas Jin tau tau nos pobres dos monges vai para décadas. O Dalai Lama, o XIV, qual rei sol é das personas mais gratas, com mais sentido de humor do que os encarnados que ainda acreditam numa reviravolta, para cima, no topo Norte da tabela e é uma espécie de punk suave com as suas botas dr. Martinez a quererem dialogar com um dos mais cruéis, sanguinários e amarelentos regimes de comuna pura e dura; só o Jerónimo, o de Sousa como os Paços, pode apoiar a economia selvagem, vulgo chinatown que arruina o preguiçoso e datado comércio tradicional das nossas decrépitas cidades e serras.

Mas há mais o desporto contemporâneo enche a blusa e os calções para não falar da sapatilha de milhões de criancitas que trabalham escravizadas pelos orientes e nós os outros só divisamos a crista da onda, guerreiros Spice, Old and Beckham.

Mas sem retenções na fonte, com equipas que jogam sem treinar e fingem que têm jogadores que não viram as bundas uns dos outros mais gordas, como as equipas do titio Scolari que a gente puxa da caixa, que isto de re-evoluir para um ser mais puro, de uma minhoca para um lagarto, de uma águia careca e para um dragão mitológico vai um passo, de pardal.

Os monges, franciscanos, artistas ou budistas, são gente corajosa que não espera recompensa depois de sair do governo do mundo e para acordar com uma reforma por inteiro no Tibete não há tachos nem peditórios, nem santuários de vendilhões do templo.

Há uma fé, inabalável, de que seremos melhores do que antes. E gostamos de champagne, de amor e gelo. Tchin tchin!



terça-feira, 25 de maio de 2021

Regresso à Ilha Negra


A primeira e única vez que lá estive foi há muito, muito tempo.

Era ainda criança, logo depois do bibe como nesse tempo se usava, e sonhava então todos os sonhos do mundo. E lembro-me de como tudo aconteceu, embora vão passados bem mais de três quartos de século. Muito, muito tempo…

Foi num sótão mágico que encontrei e conheci Tintin, meu companheiro fiel pela vida fora. Era a morada de um velho amigo da família, que frequentávamos, com passagens secretas e outros insondáveis mistérios. Nem Enid Blyton inventaria uma assim, juro!

Tinha um pátio em forma de claustro monacal, com salas de pedra e penumbra que tínhamos medo de invadir e um falso armário na cozinha, onde começava um túnel com estreita escadaria que ia dar a uma viela próxima…

Mas o local mais interessante do casarão, carregado de surpresas, era mesmo o sótão, apinhado de jornais entre outras atracções ali arrumadas. Estava lá o Papagaio.

O Papagaio era uma revista colorida cheia de ilustrações, que sobretudo me fascinavam até porque ainda eu não sabia decifrar os códigos do soletrar e do ler. As histórias do Papagaio também não podiam contar-me tudo até porque tinha de adivinhar as suas continuações entre as desordenadas folhas soltas dos originais a que tinham pertencido. Tudo ali era um desafio…

Preenchia na medida do impossível a passagem do continua no próximo número ao continuado do número anterior, entre lapsos e falhas, tudo desencontrado sem outro remédio que não fosse a minha imaginação. Foi assim que acompanhei Tim-Tim -nessa tradução lusitana mais tarde percebida- por longes terras, pela América do Norte de Al Capone, pelo enigmático Oriente, por Angola ainda nossa e, sobretudo, pela Ilha Negra. A Ilha Negra!

A Ilha Negra até era o sítio mais próximo, aqui mesmo na Europa,  concretamente na Inglaterra. Para ser preciso e rigoroso, ficava na Escócia, terra de castelos misteriosos e de monstros lendários.

Por lá acompanhei o meu amigo mais o Rom-Rom, fiel cão que só muito depois reconheceria como Milou, o famigerado dr. Silva (ou Müller!?), os dois polícias secretos e por aí fora. A tonalidade etnográfica escocesa, para além do kilt, do scotch whisky ou do castelo mal assombrado, incluía o monstro tradicional. Nessa oportunidade, talvez por mero acaso, não foi Nessie do Loch mas o gorila da Ilha Negra.

Quando estive na Ilha Negra eu usava ainda calças à golf e boné de pala, tal como Tintin, meu amigo desde então. Ambos crescemos como seria inevitável. Mas foi pena, porque gostaria de me ter mantido como então, nesses heróicos tempos com fumos de guerra. Ele correu o mundo, a Rússia e toda a Europa, a China, as Américas, a África mais a Oceânia e até foi à Lua - imagine-se! - enquanto eu permaneci agarrado às raízes domésticas.

E agora, muitos anos depois, vou lá voltar, ao ponto de encontro, como num eterno retorno.

Tenho a certeza, absoluta, de que o Tintin estará à minha espera. Não será no mágico sótão portalegrense onde nos conhecemos, mas nas escocesas margens do Loch Ness. Temos tanto, tanto, para conversar!

E - quem sabe? - talvez Nessie nos queira fazer companhia.

António, 20/09/2017

(blog de António Martinó de Azevedo Coutinho)

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Moulinsart perde processo por utilização indevida da imagem de Tintin


O tribunal judicial de Rennes ilibou o pintor Xavier Marabout das acusações de contrafação que lhe foram movidas pela sociedade Moulinsart, detentora dos direitos da obra de Hergé.

O processo tinha sido apresentado pela Moulinsart depois de alguns avisos ao pintor. Em causa, a utilização da imagem de Tintin em variações de telas de Edward Hopper (1882-1967), utilizando uma técnica conhecida por "mash up", algo como uma mistura de géneros, que consiste em combinar, na forma de citação, obras pré-existentes para conseguir efeitos de surpresa, mudança ou humor.

No caso presente, Marabout, nascido em França em 1967, partiu de 23 telas de Hopper para aludir a uma eventual vida romântica oculta do repórter criado em 1929 por Hergé (1907-1983). Dessa forma, vamos encontrar o herói dos quadradinhos em cenários americanos, das paisagens rurais às bombas de gasolina isoladas, passando por hotéis e restaurantes ou pela ponte de de Queensborough, em Nova Iorque, pintada por Hopper em 1913.

O pintor afirmou que na série Hergé/Hopper, que pode ser vista na sua página online, Art-Marabout, "imaginou uma vida romântica para Tintim no universo intimista e voyeurista do pintor americano", e desde sempre defendeu que o seu trabalho artístico "não prejudicava a obra de Hergé", servindo até para "alimentar o mito de Tintin".

Agora, em decisão tornada pública ontem, o tribunal de Rennes considerou que a liberdade de expressão permite citar com "intenção humorística" ou "propósito crítico", e foi segundo essa linha de pensamento que interpretou as obras de Marabout. Por esse motivo, o pedido de indemnização de 10 a 15 mil euros apresentado pela Moulinsart ficou sem efeito, tendo a sociedade fundada por Nick Rodwell, atual marido de Fanny Remi, segunda esposa do criador de Tintin, sido condenada a pagar uma compensação ao pintor, no valor de 10 mil euros, além de assumir os custos do processo, na ordem dos 20 mil euros.

Até agora, a Foundation Moulinsart tinha ganho todos os processos semelhantes, e embora esta decisão seja passível de recurso, abre novas perspectivas quanto ao direito de citação das criações de Hergé.

Xavier Marabout tem uma outra série de pinturas semelhantes, em que combina telas de Pablo Picasso com heróis de animação criados por Tex Avery.

in Jornal de Notícias

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Tese sobre Adolfo Simões Muller da autoria de Carlos Sêco

Adolfo Simões Müller - príncipe da literatura infanto-juvenil


Mais do que realizar um trabalho académico, pretendi com este documento prestar uma homenagem a um escritor grandemente apreciado ao longo de várias gerações e do qual muitos dos que viveram nas décadas de 40 a 80 poderão não recordar o nome, embora tenham lido alguma das suas obras. Adolfo Simões Müller é tão só o maior divulgador da banda desenhada franco-belga em Portugal, tendo sido o responsável pelas principais revistas para jovens. O Papagaio, Diabrete, Cavaleiro Andante, Foguetão e Zorro são as publicações que foram por ele dirigidas.

Adolfo Simões Müller está também associado à introdução do Tintin em Portugal, fazendo do nosso país o primeiro do mundo a publicar fora da Bélgica as aventuras daquele herói. Se isso não bastasse, foi em Portugal que o herói de Hergé saiu a cores pela primeira vez, muito antes de tal suceder no seu país de origem.

Adolfo Simões fica também na história da literatura infanto-juvenil por assinar várias biografias romanceadas de figuras como Marie Curie, Thomas Edison e Florence Nightingale, além de ter adaptado para os mais novos clássicos portugueses e universais. Este é um autor que urge (re)descobrir, já que dedicou a sua vida à escrita, assinando livros, dirigindo revistas, escrevendo para programas radiofónicos e televisivos, sem esquecer o teatro. Cedo experimentou a poesia e sempre a promoveu, procurando cativar os jovens. Este é o retrato de um autor que deixou a sua marca, influenciando homens e mulheres que mais tarde se dedicariam à escrita. Alice Vieira é uma delas. Neste trabalho incluem-se os testemunhos daqueles que, de uma forma ou doutra, foram tocados pela escrita daquele que foi considerado o "príncipe da literatura infanto-juvenil".

Carlos Sêco, autor da Tese (ESEC, 2012)

https://comum.rcaap.pt/handle/10400.26/12257


imagem

Carlos Sêco é, além de autor (a personagem "Jonas o Reguila" é a mais conhecida), leitor/visionador compulsivo de BD, mas também ferrenho tintinófilo (sócio da associação belga "Les Amis de Hergé").

terça-feira, 27 de abril de 2021

Hobbies

Conheci Carlos Gonçalves quando encontrei o Clube Português de Banda Desenhada. Aliás, era ele - conjuntamente com Geraldes Lino e António Dias de Deus - que para mim significou durante muito tempo aquilo que os nossos quadradinhos tinham de melhor. Falo dos inícios da década de 80 do passado século e ainda hoje assim penso. Geraldes Lino e António Dias de Deus já nos deixaram, pelo que lhes dedico, agora, recordação e homenagem de gratas memórias.

A oportunidade que me concederam de uma activa participação pessoal nos primeiros e saudosos festivais de banda desenhada, entre 1982 e 1985 e ainda na extinta F.I.L., significou a possibilidade de aprofundar a minha experiência de tão interessantes contactos, muitos dos quais perduraram pela vida fora.

A partir da próxima quarta-feira, todas as semanas e espero que por largos meses, aqui será partilhada a série HOBBIES, composta por memórias de Carlos Gonçalves acerca de coleccionismo em geral, uma paixão que sempre o motivou.

Trata-se de artigos publicados por ele há muitos anos em revistas privadas, portanto muito pouco conhecidos ou divulgados, pelo que ganham agora o estatuto de inéditos.

Tenho a certeza, antecipada, de que novamente a generosa colaboração de Carlos Gonçalves constituirá uma mais-valia do nosso Largo dos Correios, o que desde já fraternalmente lhe agradeço.

E aqui ficou, logo a abrir e como "aperitivo", o cabeçalho…

António Martinó de Azevedo Coutinho

HOBBIES – zero, 15/04/2020 (Adaptado)

HOBBIES  - vinte e nove, 04/11/2020 - sobre Tintin

https://largodoscorreios.wordpress.com/2020/11/04/hobbies-vinte-e-nove/

(inclui texto sobre Adolfo Simões Muller)

outros números do suplemento devem ser consultados no blog Largo dos Correios

*

ADOLFO SIMÕES MULLER

Adolfo Simões Muller nasceu a 18 de Agosto de 1909, vindo a falecer oitenta anos depois. Aos 22 anos publicou o seu primeiro livro destinado às crianças. Em 1935 foi convidado para dirigir a revista infantil "O Papagaio", onde se manteria até 1945, ano em que transita para a revista "Diabrete", editada pela Empresa Nacional de Publicidade (propriedade do jornal "Diário de Notícias"). Quer nesta, quer na revista anterior, deu sempre prioridade à produção nacional, pelo que convidaria muitos artistas portugueses, para produzirem não só contos infantis, como Histórias aos Quadradinhos para os seus jornais. É ali que aparecem trabalhos de Arcindo Madeira, Rudy, Júlio Resende (pintor), José de Lemos e muitos outros, no campo da Banda Desenhada e Virgínia Lopes de Mendonça, Alice Ogando, Maria Archer, Aníbal Nazaré e muitos outros, no campo literário.

Quanto à revista "Diabrete", quase todo o trabalho nacional era fruto de um dos maiores desenhadores nacionais: Fernando Bento. Para este desenhador criaria os argumentos, baseados nas próprias obras de Júlio Verne, para que estas fossem adaptadas à 9.ª arte, bem como muitos contos das "Mil e Uma Noites", igualmente adaptados à Banda Desenhada.

Depois da extinção deste jornal, Muller ocupa-se do "Cavaleiro Andante" e "Zorro", isto no que respeita a revistas de Banda Desenhada, de publicidade semanal. Todas elas foram sempre acompanhadas de contos, destinados aos mais jovens. Em paralelo publicaria o suplemento "Pajem", os números especiais e do Natal, bem como os álbuns do "Cavaleiro Andante", a revista mais pequena que alguma vez seria publicada no nosso país com Banda Desenhada, chamada "Alvo", as "Obras-Primas Ilustradas", "Oásis" e "O Foguetão" (revista publicada de 4/5/1961 a 27/6/1961 num total de 13 números, no formato tablóide). Sobre esta publicação, destacamos as suas palavras, numa entrevista que lhe fizemos para o jornal "Correio da Manhã", datado de 16/1/82: "Foi, julgo, o melhor jornal juvenil por mim imaginado: semanário juvenil para o ano 2 mil. Cometi, porém, ao lançá-lo, um erro de palmatória. Pensei que os rapazes gostariam de ter uma revista à semelhança do jornal dos pais, com o mesmo formato do "Diário Popular" ou do "Diário de Lisboa".

"E foi isso precisamente que o deitou abaixo. O que os rapazes queriam – a maioria, bem entendido – era um jornal pequeno, tipo "Tio Patinhas", que pudessem ler nas aulas, às escondidas, metido entre os livros e os cadernos escolares... Durou treze números..."

"Que grande jornal! E o que ele nos fez meditar, a mim e aos meus colaboradores! A propósito: escrevi em tempos, uma extensa carta a si(1), responsável pela bela secção de Banda Desenhada do "Correio da Manhã", em que eu lamentava fazer-se ali, num artigo sobre o "Diabrete", uma larga e justa referência a alguns dos colaboradores artísticos daquele jornal, sem haver, porém, qualquer palavra para outras pessoas que ajudavam – e de que maneira! – a elaborar a publicação. E recordava então os nomes do Artur Correia, do Fernando Paços, do Macieira, da Maria de Lurdes Lemos, do Mendonça da Tipografia do Nunes da Expedição e, sobretudo, o de Maria Amélia Bárcia, infelizmente já falecida. Maria Amélia colaborou comigo, com a maior assiduidade, desde 1941. Escrevia com extrema elegância, com muita graciosidade e – o que nem sempre sucede com os grandes escritores – com a maior facilidade. Traduzia com absoluta correcção, textos franceses, ingleses, espanhóis e italianos. Levava a sua habilidade ao ponto de, por vezes, imitar a minha maneira de escrever, o meu pobre "estilo", de modo que algumas coisas publicadas nesses jornais, sem qualquer assinatura, passavam frequentemente por ser da minha autoria, quando tinham saído da imaginação e da pena de Maria Amélia Bárcia."

Adolfo Simões Muller, além de director de revistas e escritor, era também poeta. Mas a sua maior produção literária encontra-se ligada às obras para a juventude. Existe uma colecção intitulada "Gente Grande Para Gente Pequena", onde se encontra publicada uma dúzia de obras suas. Infelizmente, hoje, já poucos se lembram dele...

(1) Durante 18 anos fui responsável pela secção de Banda Desenhada, do jornal "Correio da Manhã". Infelizmente todos os colaboradores que Muller destaca, só eram conhecidos de quem trabalhava nas revistas ou nas tipografias, onde as mesmas eram impressas. Descobrir às vezes o nome dos directores, desenhadores e argumentistas e entrevistá-los, para que fossem conhecidos do grande público, já era muitas vezes uma tarefa assaz difícil. E muitos deles acabariam por desaparecer, sem que tal se verificasse. Chegar à fala aos outros colaboradores, era uma tarefa impossível!

Carlos Gonçalves

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Férias em Portugal



Nesse número, o Diabrete continuava a publicar duas famosas séries estrangeiras que nenhum leitor (ou leitora) entusiasta podia perder: as exóticas e trepidantes aventuras do hercúleo rei da selva que Edgar Rice Burroughs baptizou com o nome de Tarzan, na versão em quadradinhos mais realista e dinâmica de sempre, realizada pelo mestre da anatomia e do movimento Burne Hogarth; e as Tropelias do Trovão e do Relâmpago, fantasista cognome para Quick e Flupke, dois ladinos garotos belgas, oriundos do típico bairro de Marolles, em Bruxelas, com os quais o Diabrete, impedido de publicar as aventuras de Tintin (que eram, nessa altura, exclusivo d’O Papagaio) quis aumentar a sua popularidade e o seu prestígio, apresentando outra emblemática criação de Hergé — forma inteligente de manter na sua órbita um dos maiores autores da BD europeia, à espera de que um dia (como, aliás, aconteceu) Tintin viesse também parar às suas páginas.


No mesmo dia 26 de Dezembro de 1942 (ou talvez um pouco antes) em que surgiu nas bancas o número de Natal d’O Mosquito, os ardinas apregoavam também alegremente o nº 104 do Diabrete, que exibia uma magnífica capa desenhada por Fernando Bento, artista gráfico de traço ameno e desenvolto, cuja mestria era capaz de encher as páginas da revista com as mais vibrantes e inspiradas criações.

De facto, além da capa onde as figuras do Presépio, de grande beleza formal (e outras menos sacras), emolduravam um “educativo” poema de Adolfo Simões Müller — brilhante escritor e pedagogo que exercia as funções de director do Diabrete —, Bento teve ainda a seu cargo a ilustração de novos capítulos de Miguel Strogoff, HQ em tiras, com extensas legendas didascálicas, extraída da famosa novela de Jules Verne, e de Béquinhas, Beiçudo & Barbaças, hilariante série cómica cuja longevidade (pois já ia no 104º episódio) era mais uma prova do versátil engenho de um artista multifacetado.

(...)

https://ogatoalfarrabista.wordpress.com/2013/12/14/capas-e-numeros-de-natal-4

É provável que Serra da estrela tenha sido apenas na versão para Portugal.


https://largodoscorreios.wordpress.com/2020/07/08/jamais-so-com-tintin-68/



terça-feira, 6 de abril de 2021

O Bando dos Quatro


Série emitida pela RTP1 em 1994 com autoria de Rogério Ceitil (nome ligado a outras séries como Zé Gato e Duarte & Companhia).

Alberto Quaresma e João Lagarto são uma dupla de chineses que faz lembrar Dupont & Dupond. Logo no primeiro episódio repetem as frases ao jeito da dupla de Hergé.

Num dos episódios seguintes a Princesa (Ana Nave) rasga uma revista "Tintin". O passatempo de um dos chineses são as revistas "Tintin".

A série está a ser transmitida novamente na RTP Memória.

https://brincabrincando.com/o-bando-dos-quatro

Chinês 1 (João Lagarto) - Trabalha ao serviço da Princesa, que o escraviza a si e ao seu companheiro inseparável, e que a todo o momento ameaça fazer as suas cabeças lolal no chão. Tem um chapéu de coco que utiliza como arma de arremesso.

Chinês 2 (Alberto Quaresma) - Outro servo da Princesa, bastante mais vulnerável que o seu parceiro. Repete tudo o que ele diz (quais Dupont e Dupond). Não é à toa que o seu passatempo são as revistas do Tintim…

Fonte: Brinca Brincando

terça-feira, 30 de março de 2021

O Lótus Azul


O Lótus Azul

Tintim na China

HERGÉ – AS AVENTURAS DE TINTIM – O LÓTUS AZUL

«Tintim, que em Os Charutos do Faraó se viu envolvido num caso de tráfico de droga, vai agora perseguir os traficantes até à China. Aí conhece Tchang, um jovem chinês com quem selará uma amizade para toda a vida.   A partir desta aventura, cuja primeira versão em livro data de 1936, nota-se a grande importância que Hergé passa a dispensar ao argumento e à veracidade da documentação de que se serve para apoiar a narrativa. É patente a preocupação em desfazer as ideias preconcebidas que os Europeus tinham da China e a condenação da política expansionista do Japão daquela época.» 

Paulatinamente, a Difusão Verbo, vem dando oportunidade ao leitor português de conhecer as aventuras de TINTIN, que foram divulgadas em Portugal no passado, inicialmente pelos jornais infantis de altura como O Papagaio, e mais tarde pela Livraria Bertrand através do saudoso semanário "Tintin", onde foram publicadas as grandes aventuras produzidas e divulgadas pela editora Casterman.

Em álbum, até há bem pouco, apenas a editora Record do Brasil detinha os direitos para a língua portuguesa, onde a tradução brasileira foi agora revista, surgindo as edições portuguesas, no caso, impressas na Bélgica, com muito melhor qualidade, pois os álbuns da Record tinham uma encadernação péssima onde facilmente as folhas descolavam.

O LÓTUS AZUL, não será das mais emblemáticas aventuras do repórter Tintin, onde se sente a ausência do Capitão Haddock, e de outros personagens que, com o desenvolvimento da série, se tornariam imprescindíveis em cada aventura.

FG, Algarve Região, 08/12/1994

sexta-feira, 26 de março de 2021

quinta-feira, 11 de março de 2021

A cidade da BD recomenda


André Carrilho, Nuno Saraiva, Luís Louro, José Ruy, Joana Afonso e Marta Teives foram os autores portugueses convidados pela Câmara Municipal da Amadora para ilustrar medidas de prevenção do contágio pelo vírus COVID-19, através da banda desenhada, uma iniciativa da autarquia, dinamizada pelo Festival Amadora BD.

A Cidade da BD desafiou cada um dos autores a criar uma ilustração original para vários outdoors espalhados pelo concelho, baseada numa recomendação da DGS. Esta iniciativa pretende reforçar a saúde pública, a constante sensibilização da comunidade local e a presença da banda desenhada nos espaços públicos do Município da Amadora.

A cada um dos autores foi atribuída uma recomendação da DGS relativamente à prevenção do contágio pelo vírus Covid-19. André Carrilho aborda o uso obrigatório da máscara comunitária. Nuno Saraiva trabalha o distanciamento social. Joana Afonso recomenda evitar tocar nos olhos, na boca e no nariz. Luís Louro recorda a necessidade de serem evitados aglomerados de pessoas e deixa um repto “Não seja um Covidiota”. Marta Teives reforça a lavagem das mãos como prática indispensável. Por fim, o Mestre José Ruy recorre aos emblemáticos personagens de António Cardoso Lopes Júnior, Zé Pacóvio e Grilinho, para exemplificar a etiqueta respiratória.

Este projeto insere-se na programação do Festival Amadora BD para 2020, que inclui um conjunto de sessões para transmissão nos canais digitais, nomeadamente conversas com autores de banda desenhada e sessões de lançamento de livros. Paralelamente, prevêem-se duas exposições para a Bedeteca da cidade, com inauguração a partir do dia 22 de outubro, e o lançamento de um filme documental sobre os 30 anos do Festival.

Milu aparece no cartaz assinado por Nuno Saraiva.