Cartoon de Hermínio Felizardo - 2017
quarta-feira, 27 de abril de 2022
quarta-feira, 20 de abril de 2022
A Quimera do Egipto
Separata do Tertúlia Bdzine nº19 (Março 1999)
Notas a propósito d' "A Quimera do Egipto"
São as colunas seguintes fruto de uma conversa havida num final de uma manhã soalheira de Domingo, em que eu e o Geraldes Lino trocámos algumas palavras sobre BD (o que é que mais haveria de ser), convencendo-me ele a que eu transpusesse para o papel alguns dos comentários que havia feito a propósito da história que agora é publicada no "Tertúlia Bdzine".
Poderão alguns julgá-los desnecessários ou mesmo pleonásticos, mas não pretendem influenciar a leitura ou a interpretação, necessariamente subjectiva aos olhos de cada leitor, esta última fruto do somatório de todos os valores cognitivos de cada um. Quer-se, isso sim, dar a saber algo que esteve na origem desta história. Como sabem, o Geraldes Lino convidou alguns autores de BD a realizar histórias curtas, que serão editadas ao longo deste ano de 1999, numa comemoração dos 70 anos do aparecimento de “Tintin”, no “Le Petit XXe”, suplemento do jornal belga “Le XXe Siécle”, em 1929. Assim, tendo-me munido da minha argumentista privada, relido alguns álbuns e literatura sobre o tema, nasceu a aventura que agora vos chega.
Tintin é (juntamente com Astérix), praticamente para a maioria dos Portugueses o primeiro contacto com a “BD de álbum”. Assim, não é difícil que os personagens que aparecem nas “Aventuras...” sejam familiares a qualquer cidadão. Personagens e também as suas personalidades, características físicas, humores, ..., preocupações, e tantas outras que são quotidianamente alvo de conversas entre amigos, alcunhas a alguns, ou qualquer outra situação que a propósito venha. O primeiro álbum que tive das “Aventuras...” (oferecido pelo meu pai) foi “Os Charutos do Faraó”, onde aquelas imagens no deserto e no interior dos túmulos egípcios ficaram registadas para sempre nas mais profundas concavidades da minha alma. Isto, aliado a uma paixão imensa por tudo quanto do antigo Egipto vem, explica o título e parte do cenário onde decorre a acção d’ “A Quimera...”. Egipto que serve também de tema para o enigma da primeira página, e que é desvendado pondo-a à transparência com a capa.
Sempre achei, na minha inocência de garoto, que Tintin iria passar um dia por Portugal (os seus contactos com Oliveira da Figueira nunca foram para mim suficientes). Assim, n' "A Quimera...", o início da acção decorre nos nossos Açores, mais propriamente no famosíssimo “Peter” (Café Sport) da Horta, onde o Capitão Haddock parece ter arranjado um substituto para o seu inseparável whisky: o licor “Maracujá do Ezequiel”.
O "[...] capitão, hirsuto, transborda continuamente de emotividade que ele se mostra incapaz tanto de conter como de esconder. Ele encarna a criança real, as suas fúrias e dúvidas, as suas violências e obstinações [...]. Mas justamente porque é uma criança vulgar, Haddock nunca está seguro da afeição de ninguém.” [1]. O mau humor de Haddock representado nas duas vinhetas em que aparece o seu rosto, poderá então ser apenas um escudo ou disfarce para forçar Tintin a tomar a iniciativa de o deixar, quebrar como que um cordão umbilical que sempre os ligou a partir d’ “O Caranguejo das Tenazes de Ouro”. De outra forma, talvez Tintin nunca tomasse a iniciativa de partir. Aliás, a ligação parental que Haddock representa, não só para Tintin, mas também para Hergé, é alvo de estudo aprofundado [1]. Quanto a “Tintin, imberbe, é sempre igual a si próprio, isto é, infinitamente prestável e infalivelmente bem-educado. Tal como a criança atenciosa e disponível se empenha em ser a encarnação dos desejos de seus pais, ele oferece a todas as projecções do leitor o seu rosto redondo e inexpressivo, o suporte perfeito dos desejos dos outros." [1]. É com base neste contraste entre os dois personagens que se baseia o diálogo entre ambos. Contraste esse levado também ao aspecto da representação gráfica: Haddock de cabelo negro sobre fundo escuro/ Tintin louro sobre o fundo negro. As próprias palavras: duras e mais vincadas por parte de Haddock contrastando com a suavidade verbal e gráfica de Tintin. “O capitão deve assim primeiramente imaginar uma história familiar antes que caiba a Tintin o papel de nos desvendar o seu sentido.” [1]. A quebra desse cordão não é realizado sem alguma dor interior, o que aliás era de esperar de um personagem com as características psicológicas de Tintin, tal como é notório no final da primeira página.
A personalidade de Tintin foi muito moldada à imagem da de Hergé: “Podemos, em todo o caso, imaginar o seu [de Hergé] sofrimento face à falta de empatia dos seus pais em relação aos seus sentimentos de criança. A frieza familiar acabou por gelá-lo.” [1]. Assim, “Ao longo dos seus vinte álbuns repartidos por vinte anos, Tintin tem sempre vinte anos. Não foi criança, não será também um adulto. Não se lhe conhecem pais, filhos ou namoradas. Só as suas calças seguem as oscilações da moda.” [1]. Ora é exactamente esta frieza, esta falta de uma certa chama (que contudo aparece na relação de Tintin com alguns personagens- Tchang, Zorrino,...), a falta de um personagem feminino emocionalmente activo (diverso da Castafiori) que possa fazer Tintin vibrar masculinamente, enfim a ausência de uma namorada, que eu sempre achei que o herói deveria ter direito a, depois de tantos anos (e álbuns). É evidente que não é obrigatório que todos os personagens tenham referências aos pais, namoradas ou mesmo à sua vida privada, mas até mesmo Astérix e Obélix nos deram a conhecer os seus progenitores recentemente [2], e é um desejo que acho ser meu direito autosatisfazê-lo, aproveitando para tal o convite do Geraldes Lino. Toda esta situação, poderá ser interpretada como uma superprotecção de Hergé face a Tintin (e a ele próprio, no fim de contas): “Eu criei-o, protegi-o, alimentei-o como um pai cria um filho” [3]. Por outro lado, a derradeira esperança que todos os bedéfilos tinham de as “Aventuras...” poderem prosseguir pela mão de alguns dos “herdeiros” naturais de Hergé esvaiu-se completamente, como aliás foi recentemente referido por Jacques Martin [4], esvaindo-se simultaneamente a esperança de ver no papel alguns dos nossos desejos mais íntimos face aos vários personagens.
Por outro lado, “Hergé, após quarenta anos de trabalho árduo, descobre, pois segundo as suas próprias palavras “os prazeres da vida”,[...]” [1]. Fica assim legitimada esta minha pretensão e curiosidade acerca da (ou de uma das) eleita(s) de Tintin. Tive contudo o cuidado de não explicitar o nome da mesma, que a ser feito poderia condicionar futuras abordagens sobre o tema (salvo as devidas proporções relativas da importância do presente relato gráfico).
Uma última palavra para os vilões: foram escolhidos devido ao facto de Rastapopoulos ser um dos personagens intervenientes nos “Charutos...”; quanto a Krollspel, aliado do primeiro, parece ser um dos personagens com capacidades científicas suficientes para levar a cabo a tarefa que parecia iminente no final da segunda página. Contudo estes vilões acabam por ser derrotados por Milou, que assim protagoniza uma das acções mais importantes ao longo desta curta história.
Agora que estão esclarecidas as bases de trabalho que levaram à criação da presente BD, elaborada por mim e pela Cris, gostaria de poder dizer um dia, tal como o general de Gaulle um dia disse: “Au fond, mon seul rival international, c'est Tintin!” [5].
Referências:
[1] “Tintin no Psicanalista”, Serge Tisseron, Bertrand Editora, Portugal, 1987
[2] “La Naissance d’Asterix et d’Obélix”, Uderzo, BoDoi, nº14, 38-41, LZ Publications, França, Outubro, 1998
[3] “Tintin e eu, Conversas com Hergé”, Numa Sadoul, Casterman, Bélgica, 1975
[4] Rémy-Martin: amis jusqu’à la lie..., BoDoi, nº15, 47-51, LZ Publications, França, Janeiro, 1999
[5] Archives Hergé, Tomo 1, Casterman, Bélgica, 1973
quinta-feira, 14 de abril de 2022
Estrompa
A revista Tintin abriu, no seu 14º ano, as suas páginas a mais autores portugueses. Estrompa publicou três trabalhos, nos números 37 e 39 do 14º ano e no nº 12 do 15º ano.
No blog "Colecionador de BD" tem uma imagem da sua autoria em que aparecem vários nomes conhecidos da nona arte (Cubitus, Ideiafix, Snoopy, Pluto, Rantanplan e Milou).
https://colecionadordebd.blogspot.com/2014/11/autores-portugueses-na-revista-tintin-2.html
Estrompa (1942-2014) participou numa das edições especiais da Tertúlia BDzine (Tintin em Nova Iorque, 1999) e colabora depois na Efeméride dedicada a "Tintim no Séc. XXI". Criou a personagem Tantã em 1999.
Hergé foi homenageado no nº 1 da Fanzine Shock.
Tive o prazer de trabalhar com Estrompa, em perfeita sintonia, nalguns projectos de que guardo boa memória, como O Mosquito (5ª série), da Editorial Futura (1984-86) — onde ele animou a rubrica Clássicos & Desintegrados —, as Selecções BD (2ª série), da Meribérica/Liber (1998-2001), e o livro de homenagem a Vasco Granja, “Uma Vida… 1000 Imagens”, editado pela Asa em 2003. Durante uma relação de amizade encetada muitos anos antes, sempre admirei o seu profissionalismo, o seu sentido de humor, a sua franqueza, a sua honestidade, o seu respeito pelo próximo, a sua inata simplicidade.
domingo, 10 de abril de 2022
Belvision - Les Aventures de Tintin, d’après Hergé
É a primeira adaptação em série de animação da coleção As Aventuras de Tintim, de Hergé. Produzida pelos estúdios Belvision. Uma primeira versão a preto e branco de duas das aventuras foi exibida na televisão francesa entre 1957 e 1959. Com direcção de Ray Goossens irá continuar a adaptação das aventuras de Tintin.
Os primeiros 89 episódios de 5 minutos corresponderam à adaptação de sete álbuns (Objectif Lune, On a marché sur la Lune, Le Crabe aux pinces d'or, Le Secret de la Licorne, Le Trésor de Rackham le Rouge, L’Étoile mystérieuse e L'Île noire). A Télé-Hachette mostrou-se insatisfeita e em 1963 não renova o contrato com a Belvision.
Raymond Leblanc decidiu continuar com a produção de L'Affaire Tournesol desta vez com argumento de Greg e Bernard Fredisch, num total de treze episódios de cinco minutos formando uma longa-metragem coerente para exibição em televisão e video.
Curiosamente L'Affair Tournesol (1964) começa de maneira diferente com a indicação Les Aventures de Tintin Par Hergé. A realização ainda é de Ray Goossens. O genérico da edição portuguesa pode ser visto no canal de youtube do Mistério Juvenil.
Há muitas diferenças do enredo de todas as aventuras em relação às edições em álbum conforme indicado na página da wikipédia.
A partir de 1962, a série foi transmitida nos EUA, Canadá e BBC. Chegou também à Austrália, Irão, Suécia e Portugal.
Em Portugal foram divulgados pela RTP em 1969 e 1970 e já a cores em 1988 e 1989. Algumas cassetes em VHS foram lançadas depois de 1987.
Erama adaptação mais conhecida antes da versão melhorada da Nelvana/Ellipse.
«Quem não se lembra dos velhinhos episódios das aventuras do Tintin que duravam 5 minutos cada? Foram produzidos pela Tele-Hachette e Belvision em 1961 e quase estavam esquecidos...pois é voltei a encontrá-los recentemente, desta vez em RIP de VHS, pois nunca saíram em DVD. Originalmente eram 102 episódios de 5 minutos cada, mas a versão em formato VHS, agrupava os episódios por história, dando origem a 7 grandes episódios de aproximadamente 45 minutos cada.»
+ Explorando a Lua - 22
+ O Caranguejo das Tenazes de Ouro - 17
+ O Segredo do Licorne - 10
+ O Tesouro de Rackham, o Terrível - 17
+ A Estrela Misteriosa - 11
+ A Ilha Negra - 12
+ O Caso Girasso [O Caso Tornesol] - 13 [também foi lançada como longa-metragem pela Belvision]
https://tralhasvarias.blogspot.com/2012/03/les-aventures-de-tintin-dapres-herge.html#more
«Les Aventures de Tintin, d'après Hergé (As Aventuras de Tintim, por Hergé) foi um desenho animado dirigido por Ray Goossens e produzido pela Belvision de 1958 a 1963. No total, a primeira série de Tintim para a TV teve 102 episódios, de 5 minutos cada (...). Baseada nos esboços de Greg (Michél Regnier - cartunista belga, editor da Revista Tintin e tradutor da série para o francês), e adaptada por Charles Shows, a série não era muito fiel à história original dos álbuns.»
https://www.tintimportintim.com.br/2008/07/srie.html
22+17+10+17+11+12+13 = 102 episódios
- Les Aventures de Tintin, d'aprés Hergé
RTP-1 (1970)
- Les Aventures de Tintin, d'aprés Hergé
RTP-1 (1988 - 1989)
«A RTP passava as aventuras de Tintin em pequenos episódios de 5 minutos numa produção da Tele-Hachette e Belvision.
Podem ver os genéricos da primeira parte das histórias O Segredo da Licorne e O Tesouro de Rackham, o Terrível no canal de youtube do Mistério Juvenil.»
«(...) confesso que como apaixonado pelo Tintin que sou adoro as séries, a que actualmente conhecemos é a versão mais recente de 1991 porque antes dessa havia uma outra em que era seriada (1962) e dava na RTP (ver genérico no site do MJ) e durava uns 4 a 5 minutos cada episódio.»
MJ, 26/12/2007
Na década de 80 a RTP passa antes do telejornal as aventuras de Tintin em pequenos episódios de 5 minutos uma produção da Tele-Hachette e Belvision.
O genérico de "O Tesouro de Rackham o Terrível" - MJ, 28/09/2011
Os genéricos da primeira parte da História O Segredo da Licorne - MJ, 04/09/2021
O Caso Tournesol - MJ, 09/09/2021
Estrela Misteriosa - TSG, 11/02/2017
+
O Tintin, claro: era jovem, tinha um cabelo engraçado e uma profissão que me parecia espectacular. Corria mundo — o que era ainda mais espectacular — e vivia as mais espectaculares aventuras, incluindo ir à lua. Acompanhei algumas destas façanhas através de álbuns que não eram meus, mas lembro-me muito bem do Tintin em versão cinco minutos que dava na RTP depois do Telejornal. Ouvíamos o sinal sonoro — “Les aventures de Tintin, d’après Hergé” — e morríamos para o mundo durante aqueles minutos, que nos pareciam sempre tãaaaaaaaao curtos.
Sandra Silva Costa, Fugas, Público, 19/03/2011
Sucesso animado na televisão leva a 'O Templo do Sol' no cinema
CASSETES VHS
Cassetes de vídeo de filmes da Belvision editadas pela Artel e Diger Video entre 1987 e 1989
Os filmes da Belvision foram realizados entre 1959 e 1963. As adaptações foram de Michel Regnier (Greg). Foram realizados sete pequenas metragens (A Estrela Misteriosa, A Ilha Negra, O Caranguejo das Pinças de Ouro, O Segredo do Unicórnio, O Tesouro de Rackham o Terrível, Destino:Lua e Explorando Na Lua). Estas cassetes são a recolha de 59 (?) episódios de 5 minutos cada, que passaram na RTP no início dos anos 70 (?). A Belvision também produziu três grandes reportagens: O Caso Tournesol (Ray Gossens, 1961), O Templo do Sol (Eddie Lateste, 1969) e O Lago dos Tubarões (Raymond Blanc, 1972). Os vídeos são em francês com legendagem em português.
https://tintinofilo.weebly.com/arteldiger-video.html
https://tintinemportugal.blogspot.com/2011/06/tintin-em-vhs-filme-da-belvision.html
- A Estrela Misteriosa / A Ilha Negra (Artel Kidvid, 2033/1989 - 80')
- O Caranguejo das Pinças de Ouro (Artel-VideoEspaña Kidvid)
- O Segredo do Unicórnio / O Tesouro de Rackham, o Terrível (Artel)
- Destino: Lua / Exploradores Na Lua
- O Caso Tournesol (Diger, 1954/1988 - 68')
Os vídeos são em francês com legendagem em português.
FILMES - Tintin e O Lago dos Tubarões (Diger, 1146/87) + O Templo do Sol (Diger, 623/87 - 90')
(conteúdo muito semelhante às edições espanholas)
quarta-feira, 6 de abril de 2022
Efeméride nº 6
https://sitiodosfanzines.blogspot.com/2015/07/efemeride-6-parte-3-de-4-herois-de-bd.html
Heróis de BD - de A a Z - no Século XXI (3ª parte)
Na capa aparece Tintin com Milou e também Quim E Filipe (junto a Jonas o Reguila).Episódios desenhados por José Ruy e Carlos Sêco que já foram publicados aqui no blog.
A parte 3 de 4 da Efeméride nº 6 "Heróis de BD No Século XXI" apenas inclui heróis de BD cujos nomes começam em M e terminam em Z, concluindo-se assim a galeria. A Parte 4 de 4 inclui as biografias de todos os colaboradores do fanzine Efeméride organizado por Geraldes Lino.
https://fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com/search?q=xxi
8-Herói: QUIM E FILIPE
Título do episódio: Quim e Filipe contra Jonas o Reguila
Autor: Carlos Sêco
http://tintinemportugal.blogspot.com/2014/12/jonas-reguila-e-quim-e-filipe.html
26-Herói: TINTIN
Título do episódio: No País da AusteridadeAutor: Carlos Sêco
http://tintinemportugal.blogspot.com/2015/10/tintin-no-pais-da-austeridade.html
27-Herói: TINTIN
Título do episódio: Tintin e o Monstro MarinhoAutor: José Ruy
http://tintinemportugal.blogspot.com/2013/03/jose-ruy-e-tintin.html
segunda-feira, 28 de março de 2022
Hergé e os seus Estúdios
http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=06836.186.29226#!25
Artigo de Carlos Pessoa no Diário de Lisboa, supl. "Sete Ponto Sete", 2 de janeiro de 1982:
Hergé marca uma época. Lugar comum, em que ainda vale a pena insistir. Jacques Martin, Bob de Moor, Pierre Jacobs, serão estrelas de primeira grandeza da escola franco-belga.
Mas talvez menos gente saiba que, entre 1929 e 1942, o autor de Tintin trabalhou sozinho na realização dos seus álbuns. Inteiramente só concebeu onze álbuns do seu herói, quatro aventuras de «Jo e Zette», oito álbuns de «Quick et Flupke» e «Popol et Virginie». No total, sessenta por cento da sua obra.
Em 1942, procurou um amigo, ajudante ocasional. Trata-se de Edgar-Pierre Jacobs, o criador de Blake e Mortimer, a quem se deve a «balcanização» de «O ceptro de Ottokar», os excelentes «décors» de «O Lotus Azul», a atmosfera do mistério das «Sete bolas de Cristal» e «outras coisas mais» (François Rivière).
A necessidade de uma equipa, surge apenas quando Hergé se põe a desenhar de novo, e a colorir, os seus álbuns de antes da guerra. Surgia o embrião dos «Studios Hergé».
Bob de Moor entrava no «Tintin» em 1949, seguindo-se Jacques Martin e Roger Leloup. Escreve Thierry Martens a Dominique Labesse:
«Pode-se, deste modo, datar a constituição da época entre os finais de 1949 e o fim de 1951».
Hergé não se limita apenas ao argumento e ao perfil dos principais momentos de acção. Os esboços e «croquis», se necessário for, são recomeçados vezes sem conta pelo mestre.
Recorda o mesmo Thierry Martens:
«Os seus colaboradores entram então em cena. Um veste o personagem. Um segundo (frequentemente, Bob de Moor) desenha as paisagens a partir de indicações de Hergé, com material fotográfico de apoio. Um terceiro calcula o volume dos balões e traça os limites do quadradinho. Outros assumem o colorido e a metragem».
Destaque particular, merecem Bob de Moor (hábil nas paisagens rurais e sobretudo no que se refere aos personagens secundários) Jacques Martin (cenário, por exemplo, de «O Vale das Cobras», de Jo, Zette e Jocko) e Roger Leloup (grande especialista de ambientes de cidades e de diversos instrumentos).
Infelizmente, conhece-se muito pouco desta equipa, pelo que se torna difícil estabelecer o exacto papel de outros colaboradores.
No entanto, é seguro afirmar que Hergé não surge apenas nas fases de preparação (sinopse, argumento, «croquis», etc.), mas ainda em todas as outras fases posteriores.
Dominique Labesse, por seu turno, sublinha a circunstância deste «trabalho colectivo usufruir de ideias recebidas e, nomeadamente, da necessidade que o público tem, tal como o crítico ou o historiador, de acreditar no génio ímpar, no talento individual que pode ser nomeado, na paternidade de uma obra».
A banda desenhada exige simultaneamente o trabalho colectivo e o talento individual. Pouco interessa, sublinha aquela analista, que «seja difícil ou impossível analisar o trabalho de cada um dos executantes; este domínio colectivo criador é tanto mais admirável, quanto é certo que as artes nos dão muito poucos exemplos destes».
Muitos dos «ajudantes» de Hergé iriam mais tarde caminhar pelo seu pé. E com que resultados...
Carlos Pessoa, 2 de Janeiro de 1982
sábado, 19 de março de 2022
Carta de 1958
A própria capa de "Hergé em Portugal" exibe um desenho que representa Oliveira da Figueira a cumprimentar Tintin e Milu, e que terá sido desenhado por Hergé numa carta de resposta a dois admiradores portugueses que o tinham tentado visitar em Bruxelas em 1958.
https://gulbenkian.pt/historia-das-exposicoes/exhibitions/1494/
https://www.facebook.com/watch/?ref=saved&v=581869526379564
Este desenho foi motivado por uma visita de Francisco Hipólito Raposo (Quito) e Pedro Emauz Silva aos Estúdios Hergé, em 1958. Na ausência do autor, deixaram um cartão de visita impresso, em que se lia: “SENHOR/ OLIVEIRA DA FIGUEIRA / (ANTIQUAIRE, BIJOUTIER ET BRIC-À-BRAC) / LISBOA / AFRIQUE DU NORD”.
Mais tarde, Hergé enviará uma reconhecida carta de agradecimento e este desenho com a dedicatória aos seus amigos fiéis em Portugal – tal como “Tintin a pour fidèle dans le monde, le Senhor Oliveira da Figueira”…
https://ionline.sapo.pt/2022/01/17/tintin-em-portugal
HIPÓLISE? (EM 2009!)
Quito Hipólito, gráfico, cartunista e autor de livros de viagem, já falecido, aquando do aparecimento do personagem Oliveira da Figueira nos álbuns do Tintin, deu-se ao trabalho de mandar imprimir papel de carta e cartões de visita com esse nome, e escreveu ao Hergé a dizer que a criação daquela personagem lhe tinha causado (a ele "Oliveira da Figueira") prejuízos incalculáveis.
Na volta do correio, Hergé apoquentadíssimo, pediu-lhe imensas desculpas pela "coincidência" infeliz e enviou-lhe vários desenhos originais para colmatar o prejuízo.
Claro, que o Quito, depois disso, desfez a partida e acabaram amigos...
Quito era, aliás, um amante de partidas elaboradas.
Foi ele, juntamente com o Manecas Mocelek, o cozinheiro Michel e outros, que inventou a célebre rábula dos Sheiks no Tavares e da compra ou venda(?) de petróleo...
Galo (João Viegas), blog, 27/09/2009
(Claro que a personagem Oliveira da Figueira apareceu na década de 1930)
quarta-feira, 16 de março de 2022
A casa do Capitão Haddock
Castelo de Cheverny, Vale do Loire
Este palácio inspirou hergé para criar a residência do Capitão Haddock, das bandas desenhadas de Tintim. Se retirarmos as duas torres laterais vemos logo o palácio do capitão.
É curioso perceber, quando se faz o desenho, que o palácio não é perfeitamente simétrico!
Blog Urbansketchers:
Passei pouco tempo aqui, em Cheverny, no Vale do Loire. É uma zona cheia de castelos, palácios e monumentos que são uma paixão para qualquer desenhador ou fotógrafo, onde gostaria de voltar sem horários nem pressas. Este é um dos castelos mais belos, ainda explorado turisticamente pelo seu simpático dono, onde ele e a família ainda residem. Vive-se um ambiente típico dos quadradinhos de Tintim. Mas o que mais destaco é a hora de dar comida às matilhas de cães de caça ali criados, ou um passeio pelos majestosos jardins.
José Manuel Rosa, 04/01/2016
https://urbansketchers-portugal.blogspot.com/2016/01/a-casa-do-capitao-hadock.html
Este castelo francês, em pleno vale do Loire é um daqueles lugares onde vale a pena voltar. Para quem adora animais é mesmo um lugar de sonho. Nunca tinha visto tantos cães, todos da mesma raça e tão bem tratados. Nos canis podemos ver diplomas de qualidade e garantia de limpeza, saúde e alimentação. E tudo isto numa maravilhosa propriedade onde a família proprietária ainda reside e administra as visitas ao palácio e canis - um exemplo de sucesso e de saber conviver com o turismo, pois os donos acompanham, simpaticamente, sempre que podem os guias turísticos e as visitas em grupo. Também a banda desenhada de Hergé é aqui destacada porque este é o castelo que inspirou o desenho do castelo de Moulinsart.
José Manuel Rosa, 13/01/2016
https://urbansketchers-portugal.blogspot.com/2016/01/os-canis-de-cheverny.html
+
Para saber como conhecer o castelo sugere-se o blog Turistas À Lupa.
sexta-feira, 4 de março de 2022
Viajantes de Papel
«O Zé Manel, sempre que concorreu em Moura ganhou, menos da primeira vez, em 2000, quando preferiu participar com um trabalho extra-concurso, algo que eu não entendi na altura. Mais tarde percebi que ele gostava tanto dos seus originais que não queria perde-los para a organização (como era norma do regulamento)!»
Zé Manel faleceu em 2019.
in Blogue de BD
Um dos artigos de Carlos Gonçalves na Revista História tem um cartoon de Zé Manel onde aparece Tintin e outras personagens mas que não sabemos onde foi publicado originalmente.
Zé Manel (1944/2019)
Zé Manel é filho de Meco e um dos nossos melhores cartoonistas. O seu primeiro trabalho na Banda Desenhada encontra-se ligado à revista «Pisca-Pisca», com ilustrações. Segue-se o «Fungágá» com Banda Desenhada. É claro, José Manuel Domingos Alves Mendes, executa essencialmente ilustrações infantis para várias edições, capas de livros, cenários para teatro, ilustrações para livros escolares, folhetos de teatro, etc. Mas a sua maior obra está ligada aos vários jornais e revistas onde os seus «cartoons» e as suas lindas «bonecas», nos distraem de uma forma salutar e agradável.
Zé Manel, de todos os nossos artistas, é aquele que executa as mais lindas mulheres..
Carlos Gonçalves, História da Banda Desenhada Portuguesa (9 - Função didáctica, heróis e anos sessenta)
quinta-feira, 3 de março de 2022
Morte de Hergé
6º feira 9 de Março de 1984 às 21h30 na sede da delegação de Portalegre da Alliance Française.
A Alliance Française (delegação de Portalegre) e o Círculo de Estudos de BD (atelier de Artes Plásticas) convidam todo os interessados para a participação num colóquio ilustrado com projeções e orientado pelo Prof. António Martinó Coutinho, a propósito do primeiro aniversário da Morte de Hergé.
Tintin Hergé Era Ele
1º aniversário da morte de Hergé - 1984
+
25 anos sem Hergé
Na capa do jornal “Libération” de 4 de Março de 1983, inspirada na capa de “Coke en stock” (“Carvão no Porão”, na tradução portuguesa) era anunciada “A última aventura de Tintin”, e, na metade inferior, a vinheta circular, aberta no fundo negro, mostrava Tintin caído na neve do Tibete e Milu a uivar, anunciando: “Tintin morreu”. No interior, todas as notícias eram ilustradas com vinhetas da obra máxima de Hergé – aparecida pela primeira vez a 10 de Janeiro de 1929, nas páginas do “Le Petit Vingtième” -, mas era o seu falecimento, na véspera, que dominava a actualidade. A leucemia, na época apontada como sua causa, encobriu o vírus da SIDA, contraído numa das muitas transfusões sanguíneas que fez, a crer na explicação adiantada por Philippe Goddin, um dos maiores especialistas no autor, na biografia que lançou no final de 2007, ano em que se comemorou o centenário do seu nascimento.
F. Cleto e Pina, Jornal de Notícias, 03/03/2008











