quinta-feira, 9 de outubro de 2025

As Leituras do Pedro


A editora Escorpião Azul vai lançar o livro "As Leituras do Pedro - 40 anos de boas leituras" que é uma colectânea de textos de Pedro Cleto publicados por aqui e por ali, entre Dezembro de 1985 e Junho de 2025. Muitos incluídos no blog As Leituras do Pedro que existe desde Maio de 2009.

A primeira tentativa de escrita sobre BD foi na Comicarte #8 de Dezembro de 1985.

A capa do livro é de Paulo J. Mendes. Paulo Jorge iniciou-se para a BD no fanzine Comicarte e foi um dos colaboradores dos primeiros Salões de BD do Porto. Regressou em força à BD com "O Penteador".

O lançamento e apresentação do livro está previsto para o dia 2 de Novembro de 2025. Mas já estará disponível no Amadora BD, a partir de 25 de Outubro.

O livro terá de certeza bastantes informações sobre as personagens de Hergé. Textos deste conceituado autor também constam do nosso blog e mesmo alguns com mais interesse para os fãs de Tintin e que podem não constar do livro.

Na excelente capa do livro tem vários motivos de banda desenhada incluindo o (inevitável) foguetão do Tintin e um desenho de um boneco de Tintin.

Na capa aparecem referências a locais onde escreveu como o Comicarte, O Primeiro de Janeiro e Jornal de Notícias e aos programas de rádio (Quadrifonia). Aparecem bonecos e estatuetas como Lucky Luke, Fantasma, Tex, Calvin e Hobbles, Tintin e também o já referido foguetão. Nas estantes tem volumes de Gaston Lagaffe, Blake & Mortimer, Batman, etc Na mesa estão ainda edições do "Mundo de Aventuras" e "(A Suivre) 12", "Jim del Monaco", etc Ainda aparece a edição de "Maílis" da série Simon du Fleuve bem como outras obras. A imagem do Mercado Ferreira Borges será uma referência aos Salões Internacionais de Banda Desenhada do Porto onde colaborou.

O BLOG

    Abertura

E pronto, aqui está o meu primeiro blog. A vontade já vinha de há muito, a ocasião propícia surgiu agora.

Sem grandes pretensões, quero utilizá-lo para fazer aquilo que me ocupa há alguns anos: escrever sobre banda desenhada. Em especial, mais do que escrever laboriosos tratados, partilhar impressões, sentimentos, vontades e emoções que me deixam as muitas leituras de BD que tenho o privilégio de poder fazer.

Sem periodicidade nem um modelo fixo; por prazer, não por obrigação.

Fiquem bem, leiam muito e passem por cá de vez em quando!

PEDRO CLETO, 28/05/2009

(Geraldes Lino foi uma das pessoas que comentou logo nos primeiros dias)

    PEDRO CLETO

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NOVO CABEÇALHO DA AUTORIA DE PAULO J. MENDES

Esta é uma boa oportunidade para abordarmos o cabeçalho do blog de Pedro Cleto onde também aparece  o foguetão de Tintin.

13/02/2021


Assim nasceu um cabeçalho...

Há cerca de 15 dias, As Leituras do Pedro estrearam um novo visual, cujo principal elemento é uma bela ilustração do Paulo J. Mendes.

Dar a conhecer alguns aspectos da sua génese, é o propósito deste texto.

A vontade de mudar o visual deste blog - algo que já acontecera - de forma menos evidente - algumas vezes ao longo dos quase 12 anos que já tem de existência - era um propósito antigo, mas a intenção era ir mais além do que fundos, tipo de letra e disposição dos elementos. Não que houvesse algum problema com a imagem que acompanhava As Leituras do Pedro desde Maio de 2009, da autoria de Pedro Nogueira, não para este espaço, mas como elemento de um cartaz que anunciou durante meses o programa de rádio que mantive em duas rádios(-piratas...) da zona do Porto.

Se alguma inércia e falta de tempo foram adiando esta mudança, quando descobri as ilustrações (não utilizadas) feitas pelo Paulo J. Mendes para as guardas do seu surpreendente e muito aconselhável O Penteador, desde logo pensei que o seu estilo seria o ideal para a tal mudança. Curiosamente - não sei sequer se ele se lembra disso - foi ele que desenhou - há demasiados anos! - o meu primeiro cartão de visita...

Aproveitando algum tempo livre, no final do ano passado dispus-me a avançar e propus-lhe então ser o autor desta mudança. Na 'nota de encomenda' garantia "total liberdade" embora pedindo "que a imagem estivesse relacionada com a leitura e/ou divulgação de banda desenhada".

Adiantava algumas hipóteses de concretização: "eventualmente uma recriação da ilustração original", com a introdução de "um calendário - que servirá mensalmente para ilustrar o Calendário BD do blog - e uma outra imagem - uma prateleira com livros...? - que possa ilustrar os textos que resumem todos os lançamentos do mês..."

O convite foi aceite pelo Paulo "com todo o gosto; fazer um cabeçalho para o blogue que, ao longo destes anos em que estive afastado da BD, deu um importante contributo para que me fosse mantendo minimamente actualizado, é algo que não me dará muito trabalho e será divertido de se fazer". Passados quatro dias chegou o primeiro esboço - a primeira prenda do Natal 2020! - bem próximo já do desenho final: uma estante, à esquerda, repleta de livros e com algumas figuras, o calendário na parede e, principalmente, a forma como (eu) me reconhecia no leitor nela presente, pois, acrescenta o Paulo "imediatamente me ocorreu a ideia de que teria que ser o próprio a figurar, juntamente com os elementos que me eram pedidos - estante, calendário, etc."

Poucos dias depois, recebi uma nova versão, mais avançada, já passada a tinta, com um dos elementos que mais apreciei no conjunto: a introdução do cartaz original... actualizado, com o 'locutor' de há 30 anos substituído por alguém mais volumoso, com menos cabelo, de óculos... Ideias que os desenhadores de quadradinhos vão buscar sabe-se lá onde!

Entre estes dois desenhos, tinha andado indeciso quanto à edição que estava a ler. Após considerar várias possibilidades, a escolha recaiu no Mundo de Aventuras #47 (II série), a revista que me serviu de porta de entrada numa BD mais adulta e na qual me 'formei' enquanto leitor de BD.

Para além daquelas alterações, as figuras no topo da estante - outra escolha difícil! - desenhadas a partir de fotos que enviei ao Paulo, já eram as definitivas: o (inevitável) foguetão do Tintin, um (facilmente reconhecível) Tex e, um Iron Man escolhido por dois motivos: era na altura a última figura entrada na minha colecção e originária de um universo completamente diferente dos outros dois já representados.

Como o Paulo não se mostrava satisfeito com o título - "a maior dificuldade foram, contudo, as letras do cabeçalho, pois o desenho de letras é algo que não domino e tentei que saíssem o mais soltas e 'bedéfilas' possível" - fez rapidamente nova proposta, com uma fonte digital. Se numa primeira leitura parecia uma boa solução, com o tempo tornava-se algo cansativa e sem ligação ao lado 'artesanal' dos restantes elementos.

Diz o Paulo: "da troca de ideias e sugestões foram surgindo títulos de livros e figuras emblemáticas para figurarem na estante, e cheguei a pensar que não conseguiria encaixar tudo, dadas as pequenas dimensões do desenho original. Melhor ou pior, e para minha surpresa, funcionou!" E foram bem mais do que as pensadas inicialmente, que fui indicando conforme o espaço 'crescia'! Não as identifico, para que possam descobri-las - se estiverem para aí virados - sendo certo que todas elas foram - são - importantes no meu percursor de leitor de banda desenhada.

Havia no entanto um problema: se a nova versão do cartaz era uma mais-valia a manter, tinha desaparecido o Calendário BD. A solução foi 'apertar' o título do blog e colocá-lo à esquerda da ilustração.

E já com uma letragem manual mais de acordo com o estilo geral, chegou a versão seguinte.

O passo seguinte foi a introdução da cor. E que cor! Para além de dar vida ao cabeçalho, ajudou também a tornar mais facilmente identificáveis os álbuns nele representados. Entre eles e as figuras do topo, há um ponto comum, a diversidade de propostas e estilos.

Estava quase aprovada a ilustração final, havia pequenos pormenores a limar. Descubram as diferenças!

Um dos meus pedidos originais, era que o desenho pudesse ser 'desconstruído' para que os seus elementos ilustrassem algumas entradas recorrentes aqui no blog: o Calendário BD, os Lançamentos mensais, as minhas Leituras.

Foi o ponto final de um percurso cujo magnífico resultado está à vista aqui em As Leituras do Pedro desde o dia 24 de Janeiro.

Obrigado Paulo J. Mendes e... boas leituras!

PEDRO CLETO. 13/02/2021

(sugere-se a leitura do post original onde se pode ver as imagens relacionadas com as mudanças no cabeçalho)

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Painel de azulejos

Painel de Azulejos executado a pedido de um cliente colecionador do Tintin.

— em Rota dos Saberes e Sabores (2024).


Imagem usada num postal de Hergé enviada em 1957. Usada também na capa da edição espanhola da revista Tintin de 20/12/1967.

sábado, 4 de outubro de 2025

A Estrela Misteriosa

«... Numa noite de inverno, que história estarei eu a evocar? O fim do mundo está próximo. Havia um careca e um cientista, uma expedição pelo mar. Um cão branco, whisky...? Mas o cientista também era careca...! Algo que comi...?»


Nos 25 anos da Bedeteca - Leituras Desenhadas, aqui em boa companhia. O cogumelo e o cientista da Estrela Misteriosa da série Tintin por Hergé, entraram-me pelos sonhos e pesadelos dentro, 1977 - dos 7 aos 77 anos. Aqui também a revista [Tintin] original que ainda possuo. Haverá uma edição em papel para breve. Boas leituras.



Os 25 dos 25 pelos 25

Depois da divulgação da obra Leituras Desenhadas : Uma celebração dos 25 anos da Bedeteca de Lisboa, a Junta de Freguesia dos Olivais – que gere a Bedeteca de Lisboa e que tem como logotipo institucional um desenho digno para uma cabeleireira –  continua o seu ciclo de apresentações com alguns dos artistas envolvidos. O terceiro encontro foi ontem com Filipe Abranches no Facebook da JFO. Fique a conhecer um pouco do seu percurso artístico, da sua ligação à Bedeteca e à obra/ autor escolhidos como inspiração para este projeto – neste caso A Estrela Misteriosa de Hergé (1907-83). Entretanto amanhã já há o quarto autor: André Carrilho que escolheu A Balada do Mar Salgado de Hugo Pratt (1927-95). Uns clássicos estes rapazes…

Filipe Abranches é um dos participantes na publicação comemorativa dos 25 anos da Bedeteca, que junta páginas de BD criadas por 25 autores, inspiradas nas suas obras de referência.



quinta-feira, 2 de outubro de 2025

João Victor Teixeira

A exposição organizada pelo projecto Conversas de Ilustradores esteve em 2020 no Coimbra BD – 5ª Mostra Nacional de Banda Desenhada para ser apreciada.

Eis a lista dos 18 ilustradores que participaram:

1 - Delfim Ruas - desenha Corto Maltese

2 - João Victor Teixeira - desenha Tintin


3 - André Caetano - desenha Hellboy

4 - Hugo Besteiro - desenha Mafalda

5 - Antó Monteiro - desenha Batman

6 - Miguel De Veneza Ruivo - desenha Blacksad

7 - Guilherme Albino - desenha Spawn

8 - Alya Kuznetsova - desenha Snoopy

9 - Paulo Costa - desenha Head lopper

10 - Gabriela Torres - desenha i kill giants (Barbara)

11 - Diogo Carvalho - desenha Dr. Strange

12- @Joana Lopes - desenha Taako de TAZ

13 - Luis Miguel Fernandes - desenha tio patinhas 

14 - Rossella Conversano - desenha Dylan Dog

15 - Abel Costa - desenha Pokémon

16- biakosta - desenha Mónica

17 - Ricardo Baptista- desenha Bone

18 - Paul Hardman - desenha Akira

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Numa Sadoul


Comemorando os 50 anos da sua publicação, em 1975, foi agora reeditada pela Moulinsart e pela Casterman, a edição original ilustrada de 'Tintin et Moi - Entretiens Avec Hergé', de Numa Sadoul, esgotada há vários anos e apenas disponível em formato de bolso, só com texto.

É uma das obras fundamentais da bibliografia sobre Tintin e Hergé, reunindo as entrevistas que Sadoul lhe fez ao longo de quatro dias, em 1971. O livro demorou quatro anos a publicar, porque foi difícil achar um editor interessado, e porque Numa Sadoul teve que reescrever muita coisa até que Hergé aprovasse a versão final das conversas.

A obra deu origem a um documentário do mesmo título em 2003, realizado por Anders Ostergaard, narrado por Numa Sadoul e por Fanny Rodwell, a viúva de Hergé, e que usa excertos das gravações feitas por aquele em 1971.

Esta reedição é, sem qualquer dúvida, um dos acontecimentos deste ano em termos de livros sobre banda desenhada, e sobre Tintin e Hergé.

Eurico de Barros, Facebook, 25/09/2025

Trata-se da versão facsimile da edição original de 1975 com a vantagem de ser ilustrada com muitos desenhos inéditos ao contrário da outra reedição.

A imagem da capa é uma foto de Steve Raviez reproduzida com autorização da revista HAAGSE POST, de Amesterdão.

Entrevista de Carlos Pessoa a Numa Sadoul https://tintinemportugal.blogspot.com/1993/03/um-autor-para-eternidade-numa-sadoul-o.html

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Explorando o filão Tintim (2004)

No ano em que se comemora o 75º aniversário da criação de Tintin, o herói de Hergé é notícia em Portugal, por várias razões, entre as quais, a publicação de “Tintin e a Alph-Art”, o álbum que a morte de Hergé em 1983 deixou inacabado, ainda em estado de esboço e que agora surge com a mesma apresentação gráfica do resto da colecção.

Apesar do estado ainda demasiado embrionário do álbum deixar apenas adivinhar que poderíamos estar perante uma boa aventura de Tintin, em que Hergé guia o seu herói pelos meandros da arte contemporânea, este “Tintin e a Alph-Art” revela-se uma óptima forma de o leitor descobrir as várias etapas do método de trabalho de Hergé e a complexidade dos trabalhos preparatórios que o depuramento e a aparente simplicidade da “linha clara” escondem.

Igualmente revelador da evolução do estilo de Hergé é a versão facsimilada da edição original a preto e branco de “Os Charutos do Faraó”, que a Verbo lançou no Verão passado e que, se não tem ainda a perfeição do traço e a eficácia narrativa da nova versão redesenhada e colorida pelos Estúdios Hergé, tem uma espontaneidade ingénua e dimensão da aventura em estado puro, que de alguma forma se perdeu na versão que a maioria dos leitores conhecem.

O aparecimento destas duas edições, prova que há público interessado e entusiasta em número suficiente para justificar o lançamento de obras destinadas mais ao coleccionador informado do que ao leitor casual, o que não é de estranhar pois Portugal foi o primeiro país não-francófono a publicar as aventuras de Tintin. E isso aconteceu a partir de Abril de 1936 no “Papagaio”, revista dirigida por Adolfo Simões Muller, onde Tintin apareceu a cores, numa altura em que na própria Bélgica as suas histórias ainda eram publicadas a preto e branco, tornando-se rapidamente num dos símbolos da revista, com participações especiais em outras séries (de que Hergé não deve ter tido conhecimento) como o fabuloso “Boneco Rebelde”, de Sérgio Luís.

Mas, apesar da popularidade da série em Portugal e do herói de Hergé ter dado o nome a uma revista que formou toda uma geração de leitores, actualmente entre os trinta e os quarenta anos, a verdade é que a bibliografia sobre Hergé em português é reduzidíssima. As (honrosas) excepções são o rebuscado “Tintin no Psicanalista” de Serge Tisseron, o excelente dossier sobre os 70 anos da série no nº 1 da 3ª série da revista “Quadrado” e o livro “As Aventuras de Hergé”, de Bocquet, Fromental e Stanislas, já aqui abordado nestas páginas (ver “Diário As Beiras” de 13/09/2003).

Assim, permanecem inéditas em português obras fundamentais como “Le Monde d’Hergé” e “Hergé, Fils de Tintin”, de Benoit Peeters; “Tintin et Moi” de Numa Sadoul; “Le Coloque de Moulinsart”, de Henry Van Lierde e Gustave du Fontbare; a biografia de Hergé, escrita por Pierre Assouline; “Tintin chez Jules Verne”, de J.P. Tomasi e M. Deligne, “Tracé RG: Le Phénomène Hergé”, de H. Van Opstal; “Tintin et les Heritiers”, de Huges Dayez e “Les Dupondts sans Peine”, de Albert Algoud, pelo que a publicação em livro dos textos que no jornal Público acompanharam a publicação da série, podia de alguma forma ajudar a minorar esta lacuna.

Infelizmente, o que “As Aventuras de Tintin no Público” recolhe, são precisamente os textos menos interessantes sobre os álbuns, em que Carlos Pessoa se limita, de forma algo acrítica e superficial, a debitar algumas banalidades sobre cada título, ficando ausente, talvez por uma questão de direitos, as bem mais interessantes declarações de Hergé a Numa Sadoul a propósito de cada história. Assim, este livro soa um pouco a oportunidade perdida, feita mais com o intuito de aproveitar o sucesso da colecção vendida com o “Público”, do que de constituir uma opção importante em termos da bibliografia nacional dedicada ao criador de Tintin.

(“Tintin e a Alph-Art”, de Hergé, Difusão Verbo, 56 pags, 14,50 €

“As Aventuras de Tintin no Público”, de Carlos Pessoa, Público/Oficina do Livro, 64 pags, 4 €

“Os Charutos do Faraó” (edição facsimilada), de Hergé, Difusão Verbo, 130 pags, 18 €).

João Miguel Lameiras, Diário As Beiras, 25/09/2004

Copyright: © 2004 Diário As Beiras; João Miguel Lameiras


NUMA SADOUL

Também sobre o universo de Tintin (ou Tintim?) e sobre o seu criador – entrando um pouco no domínio da investigação que se segue (entrevistas, inquéritos e dados estatísticos) - foram publicadas no jornal Público ao longo do ano de 2003 (continuando em 2004) 17 entrevistas de Numa Sadoul a Hergé sobre as diferentes histórias do Tintim que iam sendo publicadas juntamente com o jornal. De notar que todas as entrevistas se encontram disponíveis quer no site do Público, quer no site da Bedeteca.

Adalberto Barreto, 2004

«ficando ausente, talvez por uma questão de direitos, as bem mais interessantes declarações de Hergé a Numa Sadoul a propósito de cada história». JML

Entrevista de Carlos Pessoa a Numa Sadoul (1993)

A COLECÇÃO DO PÚBLICO



- Explorando a Lua 26-09-2003

- A Ilha Negra 03-10-2003

- O Ceptro de Ottokar 10-10-2003


- A Estrela Misteriosa 24-10-2003


- O Tesouro de Rackham o Terrivel 07-11-2003


- O Lótus Azul 21-11-2003

- Voo 714 Para Sydney 28-11-2003

- Tintim na América 05-12-2003

- Carvão no Porão 12-12-2003

- Tintim no Tibete 19-12-2003

- Tintim no Congo 26-12-2003

- A Orelha Quebrada 02-01-2004


- O Caso Girassol 16-01-2004


- Tintim E o Lago dos Tubarões 30-01-2004


- Templo do Sol 13-02-2004

- Tintim No País dos Sovietes 20-02-2004

- Tintim E Os Pícaros 27-02-2004



Informações complementares:

1 - entretanto terão surgido outras obras fundamentais que poderiam ter edição portuguesa.

2 - a edição portuguesa de "Hergé, Filho de Tintim" foi editada em 2007.

3 - Foram editadas em português duas edições anteriores de Albert Algoud dedicadas a Tournesol e Haddock. O autor lançou uma obra em francês sobre Oliveira da Figueira.

4 - A edição ilustrada de “Tintin Et Moi : Entretiens Avec Hergé” de Numa Sadoul foi reeditada em Maio de 2025. 






sexta-feira, 19 de setembro de 2025

O Papagaio


 “O PAPAGAIO” (1935 – 1949)

Um ano antes do aparecimento da famosa revista portuguesa de banda desenhada “O Mosquito”, surgia, a 18 de Abril de 1935, o jornal infantil católico “O Papagaio”, dirigido pelo prestigiado escritor/poeta/pedagogo Adolfo Simões Muller e pelo excelente artista gráfico Tom. A aventura de “O Papagaio” duraria 14 anos, sempre numa edição semanal (às quintas feiras), tendo chegado ao fim no nº722, a 10 de Fevereiro de 1949. A partir deste número, “O Papagaio” desaparece como revista autónoma, passando a constituir uma secção da revista católica “Flama”.

Deve-se afirmar, desde já, que nunca antes se haviam reunido tantos e tão bons escritores/autores e artistas/desenhadores numa só revista, tendo “O Papagaio” passado a constituir-se numa espécie de revista-modelo da imprensa infantil católica.

No que diz respeito ao trabalho gráfico, este estava a cargo de Tom, o qual era responsável por várias tarefas, entre as quais se destacavam as seguintes: maquetização inicial, capas, cabeçalhos, ilustrações soltas e histórias aos quadradinhos.

Pode-se afirmar, com toda a propriedade, que Adolfo Simões Muller e Tom formavam uma dupla que se complementava na perfeição, pois ambos partilhavam de um ideal estético comum e eram portadores de opiniões coincidentes relativamente à forma e conteúdo que “O Papagaio”. devia adoptar.

Os vários directores que passaram pela revista “O Papagaio” sempre apostaram em apoiar e incentivar os jovens valores nacionais que iam despontando, quer para a técnica da escrita, quer para a arte do desenho, nomeadamente das histórias aos quadradinhos. Neste âmbito, surgiram grandes desenhadores na revista, dos quais se destacam, por exemplo, os seguintes: em 1936, surgem Vasco Costa, Vasco Lopes de Mendonça e Arcindo Madeira; em 1937, aparecem Ilberino dos Santos, Rudy, Ruy Manso e José Viana.

Também Júlio Resende Dias, que, mais tarde, virá a tornar-se num nome grande da moderna pintura portuguesa, aparece pela primeira vez no nº32 de “O Papagaio”, em 21 de Novembro de 1935, criando dois heróis, “Freitas” e “Arrepiado”, primeiro através de diversas histórias cómicas e curtas aos quadradinhos, e depois em histórias em continuação.

Outro dos grandes desenhadores que trabalhou na revista “O Papagaio” foi José de Lemos, autor de histórias aos quadradinhos inventadas por si ou por Adolfo Simões Muller, tendo aquele criado o herói “Bambino, o Cão Ladino”.

António Serra Alves Mendes, mais conhecido pelo nome de Méco, foi autor das mais belas ilustrações infantis portuguesas. Sendo mais um artista do que propriamente um narrador, a sua melhor obra gráfica encontra-se dispersa pelas gravuras de contos de várias revistas da época, entre as quais “O Papagaio”, mas também em livros infantis, capas de romances e de almanaques.

Na revista “O Papagaio” foram ainda publicadas as inesquecíveis “Aventuras do Boneco Rebelde” de Sérgio Luís, artista genial com uma enorme capacidade inventiva e criativa, que viria a falecer com apenas 21 anos de idade, em 1943, vítima de uma tuberculose renal. O herói criado por Sérgio Luís é um garoto vestido com um bibe e calções, de cara redonda e cabelo com risco ao lado, visivelmente inspirado na imagem e figura do herói belga “Tintin”, criado por Hergé. Nestas histórias, o “Boneco Rebelde” revolta-se contra o seu desenhador, procurando descobrir, por todos os processos possíveis, uma forma de fugir do seu dono.

Também o seu irmão mais novo, Guy Manuel, colaborou na revista “O Papagaio”, vindo igualmente a falecer muito novo (6 meses depois do irmão), também com a mesma doença e com a mesma idade de Sérgio Luís, numa coincidência trágica. Enquanto que Sérgio Luís destacava-se, como atrás foi referido, pela sua inspiração inventiva e criativa, Guy Manuel salientava-se pela sua brilhante faceta artística.

Foram também inúmeros os escritores e colaboradores que a revista teve ao seu serviço, entre os quais se podem destacar os seguintes: Acácio de Paiva, Padre Moreira das Neves, Armando Ferreira, Luís Forjaz Trigueiros, António Botto, Aníbal Nazaré, Guedes de Amorim, o próprio Adolfo Simões Muller, entre muitos outros.

O conhecido autor e desenhador José Ruy, que se destacou ao serviço de grandes publicações, como “O Mosquito” e o “Cavaleiro Andante”, iniciou precisamente a sua carreira na banda desenhada na revista “O Papagaio”, em 1944.

A 16 de Abril de 1936 (nº53 da revista), um ano após o seu aparecimento, “O Papagaio” começa a publicar histórias de “Tintin” (a primeira aventura é “Tintin na América”), graças à decisão tomada por Adolfo Simões Muller de importar aquela série, após uma visita sua à Bélgica, onde teve oportunidade de apreciar as enormes qualidades narrativa e gráfica da obra de Hergé.

É pois de destacar e de sublinhar o facto de Portugal ter sido um dos primeiros países, fora das regiões francófonas, onde foi conhecido e divulgado aquele que se viria a tornar no mais famoso herói da banda desenhada europeia. Apenas na década de 50 é que o herói belga “Tintin” chegaria a Espanha, depois a Inglaterra, Brasil e EUA.

Entretanto, diga-se de passagem que, ao contrário do que se passou noutras revistas, as histórias aos quadradinhos de origem estrangeira apareceram, na revista “O Papagaio”, sempre em reduzida quantidade, ocupando uma parcela diminuta e quase insignificante no espaço da revista, à excepção, como já foi dito, das histórias de “Tintin” e de mais uma ou outra banda desenhada importada.

No nº 303 de “O Papagaio” (30 de Janeiro de 1941), o Director Adolfo Simões Muller abandona a revista indo dirigir, nesse mesmo ano, uma nova revista, chamada “Diabrete”. A direcção de “O Papagaio” passa então para Artur Bívar que se manterá no cargo até ao nº588, passando então o testemunho a José Rosa Ferreira, que, por sua vez, o transmitirá, no nº593, a Laurinda Borges Magalhães. Já nesta altura a revista entrara em declínio, vindo a terminar no nº722, a 10 de Fevereiro de 1949.

Em jeito de síntese e de balanço final, pode-se afirmar que “O Papagaio” manteve um excelente nível nos primeiros 5 anos da sua existência, até 1940. Contudo, o ano de 1941 marca, de certa forma, uma viragem em termos de qualidade da revista, a que não é alheia a saída de Adolfo Simões Muller para o “Diabrete” e, coincidência ou não, é a partir daí que a revista vai perdendo paulatinamente qualidade, até porque não se pode esquecer que, já nesta altura, “O Papagaio” tinha passado a contar com dois concorrentes de peso: “O Mosquito” há já algum tempo atrás e o recém chegado “Diabrete”.

De qualquer forma, é indiscutível e consensual considerar que o jornal infantil “O Papagaio” constituiu um marco incontornável e uma referência de qualidade na história da banda desenhada em Portugal, no que diz respeito especificamente ao universo das publicações infantis, ao mesmo tempo que marcou fortemente uma geração de crianças do nosso país.

Alexandre Morgado, 19 de Setembro de 2005

https://tintinofilo.weebly.com/o-papagaio.html

sapo.pt 401/500

(A Estrela Misteriosa - 501)


(A Estrela Misteriosa - 506)


terça-feira, 16 de setembro de 2025

Philippe Goddin (1944-2025)


O universo de Tintin perdeu um dos seus nomes maiores: o belga Phillipe Goddin, erudito enciclopédico da obra de Hergé e do seu herói, morreu aos 81 anos. Entre outros títulos de referência, Goddin escreveu a monumental 'Hergé-Chronologie d'Une Oeuvre', em sete volumes, a biografia 'Hergé: Lignes de Vie-Biographie' e 'L’Aventure du journal Tintin'.

O incansável "hergeólogo", como era conhecido, estava agora a publicar, com a colaboração de Dominique Maricq, a série de livros 'Tintin-Hergé: Les Coulisses d'Une Oeuvre', sobre os bastidores da criação dos álbuns de Tintin, um por álbum, tendo saído há pouco tempo o trabalho relativo a 'A Ilha Negra'.

Especialista também em Paul Cuvelier, o "pai" de Corentin, e grande apreciador de Edgar P. Jacobs e 'Blake e Mortimer', Philippe Goddin foi Secretário Geral da Fondation Hergé e era uma das figuras de proa da Association Les Amis d’Hergé, em cuja revista escrevia há várias décadas. Como escreveu Didier Pasamonik no site 'ActuaBD', "a sua desaparição deixa um vazio imenso (...) voltou-se uma página, é o fim de uma época".

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Abecedário ilustrado




Na edição nº 196 de O Papagaio, datada de 12 de Janeiro 1939 foi publicado um Abcedário ilustrado de  um desenhador não identificado. Aparecem Tim-Tim (Letra T) e Rom-Rom (Letra R).

imagem cedida por AG (Loja Timtimportimtim)


quarta-feira, 10 de setembro de 2025

David & Hergé


O encontro estava marcado para as 12h40. Cheguei à baixa trinta minutos antes, mas queria aproveitar a ida ao Porto para fazer algumas compras a granel. Corri entre a Rua do Rosário e o Centro Comercial Miguel Bombada e pelo rabo do olho entrevi dois leitores, sentados no interior de dois cafés distintos, junto às montras. A câmara fotográfica, fechada dentro da mala que levava ao ombro, pedia-me que parasse e aproveitasse as oportunidades — afinal de contas estava sem conteúdo para o Acordo Fotográfico havia quase dois meses. Mas o meu sentido de pontualidade falou mais alto e segui em frente. Quando por fim, já de compras feitas, entrei no restaurante Sabores & Açores, que era o meu ponto de encontro, parecia que o David esperava por mim, para me oferecer a fotografia e a conversa de que eu tanto precisava.

“Estou a ler um livro teórico, chamado “The comics of Hergé – When the lines are not so clear”, que saiu há dois anos sobre a obra do Hergé, o autor do Tintin. Estou a fazer um doutoramento sobre Banda Desenhada e esta leitura é uma atualização científica. Consiste num conjunto de ensaios, de vários autores. Estou a gostar muitíssimo, porque é uma perspetiva de fora, uma visão americana sobre uma obra que é belga, e há sempre novos detalhes em cada ensaio. É muito interessante mesmo!”

O David formou-se na área da Literatura e do Cinema. Também por isso, lê muito e de tudo um pouco, embora admita que não se dedica tanto à poesia e a textos dramáticos. Naturalmente, no meio dos muitos livros que já leu, torna-se difícil eleger um que tenha sido determinante, mas a este propósito David consegue surpreender-me ainda assim:

“Bem, já que tenho nas mãos um livro sobre o Hergé, devo dizer que as aventuras de Tintin foram sem dúvida importantes, porque foi com elas que aprendi a ler, tinha três ou quatro anos. Agora leio esses álbuns com uma perspetiva crítica e teórica que não tinha na altura, obviamente, mas continuam a ser tão maravilhosos e emocionantes como dantes. Levaram-me a viajar e deixaram-me este sonho de viajar a sério quando crescesse. E é isso que eu tenho vindo a fazer constantemente.”

Posted on November 19, 2018 by acordofotografico *

Acordo Fotográfico - Sandra Barão Nobre - David Pinho Barros - Hergé - 4

* Livros, pessoas e fotografias numa homenagem ao ato de ler.