sexta-feira, 27 de agosto de 2021

António-Pedro Vasconcelos

 


Fotografia partilhada na página de APV

O realizador português veste uma camisola com Tintin e Milou

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Manuel António Pina

Interessante artigo de Manuel António Pina, em que se apresenta como esclarecido tintinófilo, fazendo a análise, entre outras coisas, das duas edições do episódio de Tintin no Congo que conhece.

in suplemento/revista do Jornal de Notícias, Notícias Magazine, 20 Set.09

http://fanzinesdebandadesenhada.blogspot.com/2009/10/folha-volante-n-239-outubro-2009.html


Ectoplasmas! Analfabetos! Cretinos dos Andes!

Hei-de ter por aí, perdidas nas estantes, duas diferentes edições de Tintin no Congo, uma em que Tintin, numa escola repleta de «pretinhos», diante de um mapa, lhes diz algo do género: «Agora vou falar-vos da vossa Pátria, a Bélgica» e uma outra em que o mapa se transformou numa lousa e Tintin está a dar uma aula de... Matemática.

Hergé redesenhou e reescreveu muitos dos seus álbuns, principalmente os primeiros. Assim aconteceu com a versão a cores de 1946 de Tintin no Congo (o seu segundo álbum, editado em 1931, depois de Tintin no País dos Sovietes), que foi completamente redesenhada, bem como expurgada de muitos dos preconceitos culturais da edição original. O próprio Hergé reconheceria que, como «Tintin no País dos Sovietes, Tintin no Congo estava cheio dos preconceitos do meio em que eu vivia em 1930», insistindo para que a obra fosse lida «no seu contexto histórico».

Só que as brigadas policiescas do politicamente correcto não são dadas à História e, sobretudo, confiam pouco na inteligência crítica dos leitores. Há dois anos, a British Commission on Racial Equality tentou que Tintin no Congo fosse proibido na Grã-Bretanha e, recentemente, em Bruxelas, um indivíduo ameaçou proceder judicialmente contra os gestores dos direitos de Hergé por ser uma obra «colonialista» (só quem nunca leu O Lótus Azul poderia acusar Tintin de colonialista»). Agora, em Nova Iorque, a Biblioteca de Brooklyn, pressionada, decidiu pura e simplesmente, retirar Tintin no Congo das prateleiras.

Ao longo de noites intermináveis, metido debaixo dos cobertores com uma lanterna para que meus pais não se apercebessem de que não estava a dormir, fui com Tintin à Lua e aos confins dos Andes, subi aos Himalaias e desci ao fundo dos mares, atravessei desertos e tempestades, enfrentei gangsters de Chicago e ditadores sul-americanos, persegui assassinos, e traficantes, falsificadores, desmascarei traidores e corruptos, naufraguei, fui preso, condenado à morte, e defendi fracos e oprimidos em todo o mundo, muçulmanos, negros, camponeses chineses, indios norte-americanos. É por isso que, vendo Tintin censurado, me apetece, co-mo o Capitão Haddock, praguejar: «Selvagens! Ectoplasmas! Tratantes! Analfabetos!»

Porque, a seguir, virão as mulheres a acusar Tintin de «sexista» e «misógino» por causa da Castafiore, e depois os gregos de «xenofobia» por causa de Rastapopoulos (ou até os bordúrios, quem quer que sejam, por causa do infame Mustler); e os médicos alemães por causa de J. W. Muller; os judeus por causa de Blumenstein (ou Bohlwinkel); os defensores dos animais pelas chocantes cenas de caça de Tintin no Congo...

Vivemos tempos negros (adjectivo politicamente incor-recto), em que os mais absurdos crimes contra a liberdade são, como sempre, justificados com os melhores propósitos. Um dia ainda veremos a mesma malta que conseguiu agora a censura de Tintin no Congo exigir quotas de mulheres, negros, ciganos, deficientes, homossexuais, esquimós e mais todas as dispersas minorias, na BD e na literatura em geral.

Manuel António Pina, Notícias Magazine, 20/09/2009

Artigo do jornalista Manuel António Pina in suplemento revista do Jornal de Notícias, Notícias Magazine - 20 Set. 09

folha volante – n° 239 – 6 Outubro 2009 – fanzine aperiódico - tiragem 100 ex.

distribuição gratuita na Tertúlia BD de Lisboa

editor: geraldes lino - apartado 50273 - 1707-001 Lisboa.

Tintin octogenário

Foi a 10 de Janeiro de 1929 que o "Le petit Vingtième" publicou a primeira prancha de Tintin, dando início a uma aventura cuja actualidade, 80 anos depois, se faz cada vez mais distante da BD.

Nessa primeira prancha, a preto e branco, tal como as oito aventuras que se lhe seguiram, mais tarde redesenhadas a cores, Tintin partia de comboio para o País dos Sovietes, onde escreveria a sua primeira e única reportagem. Era um início marcado pela ingenuidade e pelo desenvolver do argumento ao correr dos desenhos, mas onde Hergé já revelava as qualidades - legibilidade, domínio da planificação, dinamismo do traço, construção da trama - que fariam dele um dos nomes maiores da 9ª arte.

Depois da Rússia, retratada de forma crítica e parcial, por influência do director do jornal católico que o publicou, Hergé levaria o seu herói a África e aos Estados Unidos, à América do Sul, um pouco por toda a Europa e mesmo à Lua, 20 anos antes de Armstrong. Com Tintin, construiu uma obra equilibrada e deslumbrante, traçada num primoroso estilo linha clara, tendo por principais vectores a aventura, a amizade, a lealdade e o sentido de justiça.

E que hoje em dia permanece perfeitamente legível - e inalterada devido à vontade expressa nesse sentido por Hergé - e na qual se encontram algumas obras-primas da BD. Mas que, nalguns casos, necessita de ser lida e interpretada à luz da época e do contexto em que foi criada, para evitar acusações ridículas e ignorantes como "racista", "defensor de maus tratos aos animais" ou "colaboracionista", que regularmente são feitas a Hergé, quase sempre por gentinha em bicos-de-pés em busca de 15 minutos de (triste) fama à sombra de Tintin. O caso mais recente veio esta semana à luz nas páginas do respeitável "The Times", num artigo (risível) de Matthew Parris, antigo deputado britânico, intitulado "Claro que Tintin é gay. Perguntem a Milu", de imediato desmontado por estudiosos e defensores da obra de Hergé.

Pedro Cleto, Jornal de Notícias, 10/01/2009

(...)

É também incrível que um crítico defenda explicitamente a alienação tornando-se cúmplice desta autêntica doutrinação encapuçada. Pedro Cleto é, aliás, useiro e vezeiro neste tipo de branqueamento (caso do racista Hergé, na primeira fase da sua carreira: Jornal de Notícias, 10 de Janeiro). Idem Manuel António Pina (Notícias Magazine, 20 de Setembro): o autor argumenta que se deve fazer uma contextualização histórica da atitude de Hergé; de acordo: havia muitos racistas e Hergé era um deles – está feita... (Já que ando por estas bandas corrijo o seguinte: J. W. Müller não foi inspirado em ninguém de nacionalidade alemã; o nome J. W. Müller foi inspirado no bem português Adolfo Simões Müller.)

Domingos Isabelinho, Dossiê da Bedeteca - 2009

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Rafael Sales


"Se os heróis da BD fossem portugueses" (R'Sales - 2016)

Este projecto tem por base a questão "E se os heróis da BD fossem portugueses?"

Assim, peguei em algumas das personagens mais conhecidas da BD, principalmente super-heróis mais mainstream como é o caso do Superman ou Spider Man, e adaptei-as aos trajes e profissões tipicamente portugueses (pela simples razão de ser essa a minha nacionalidade).

 O conceito surge da tentativa de recriar as personagens e atribuir-lhes novas personalidades, onde o verdadeiro vilão é o trabalho árduo e o dia-a-dia.

Personagens utilizadas (por ordem):

Superman - Wonder Woman - Batman - Spider Man - Thor - Tintin




segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Sérgio Luiz



Sérgio Luís Henriques de Almeida Fernandes, seu nome completo, nasceu a 20 de Setembro de 1921, na Praia da Granja, perto do Porto, por «acidente», já que toda a sua família é natural de Leiria. Desde muito novo mostrou a tendência para o desenho, aliás o que não era de admirar, pois seu pai era o famoso escultor e também professor de desenho, Luís Fernandes Carvalho e Reis.

Com 2/3 anos de idade já se mostrava interessado pelas revistas, recortando toda a qualidade de figuras que nelas via retratadas. Isto serviu-lhe de ajuda futuramente, pois que recortando as silhuetas que se lhe ofereciam aos seus olhos, permitiram, em pouco tempo e ao longo da sua curta vida, poder executar os seus trabalhos de desenho, já com uma certa qualidade estética.

Aos 4 anos de idade pintava aguarelas, que a sua mãe, hoje com 80 anos, conserva preciosamente. Notam-se nelas um certo movimento e a concepção da cor é notável para a idade. O tema é a pesca na Nazaré, numa altura em que seus pais passaram umas férias naquela praia.

Em Leiria onde residiam, Sérgio iniciou os seus estudos normais até à 4.ª classe e mais tarde o liceu. Aos 13 anos adoece, com uma doença que só mais tarde se detectou como tuberculose renal. Naquele tempo a medicina não possuía os recursos de hoje, pelo que foi uma vida de sofrimento que o esperava. Embora doente, conseguiu fazer o 6.º ano do liceu (naquele tempo só havia em Leiria o 6.º), com a média de 16 valores. Era o melhor aluno do liceu. Ir para engenharia era o seu sonho.

No liceu chegou a fazer conferências sobre a Arte, a convite dos professores e nelas deu já mostras da sua excelente qualidade de escritor, além de desenhador, pois elas eram acompanhadas de ilustrações que executava num quadro, para completa elucidação dos presentes.

Na altura em que acabou o liceu em Leiria, tinha 16 anos de idade e a sua saúde não era a melhor. A doença continuava a miná-lo. Teve que aguardar que seu irmão mais novo, o Guy, na altura no 5.º ano do liceu, acabasse os seus estudos, para que então toda a família pudesse vir para Lisboa. O Sérgio para continuar o seu tratamento, já que o médico o tinha proibido de prosseguir seus estudos e o Guy, precisamente para acabar o 7.º ano do Liceu.

Ainda em Leiria, lê um anúncio na revista infantil «O Papagaio», em que era solicitada a colaboração dos leitores. Sérgio mandou uns desenhos para Adolfo Simões Müller, director da revista, que rapidamente aceitou e pediu que enviasse mais.

Seu pai ajudou-o bastante, pois proporcionou-lhe todos os meios necessários para executar o que a sua capacidade criativa lhe ditasse. No entanto, Sérgio Luís não deixava de executar primeiro o trabalho do liceu e só depois se dedicava à sua actividade artística. E era, acima de tudo, extremamente metódico.

Sua colaboração para «O Papagaio» é na verdade razoável, pelo menos enquanto lhe permite a pouca saúde que dispõe.

Suas histórias mais famosas, isto já sem contar com a sua colaboração para «O Engenhocas» e para o «Pim-Pam-Pum», é a série «Aventuras de um Boneco Rebelde», que rapidamente alcança sucesso nos leitores da época.

Embora ainda jovem, suas concepções de prancha, ideias e temas das suas histórias, eram na verdade excepcionais, isto já sem salientar o seu arranjo gráfico.

Em Agosto de 1938, com 17 anos, vem para Lisboa com a família e cumpre os 18 anos, um mês depois.

Durante o resto da sua vida, distribuiu a sua actividade pela Banda Desenhada e dedica-se às actividades que mais lhe agradam, principalmente a música, de que gostava imenso. Não que se interessasse pela sua execução, unicamente lhe interessavam os artistas, os compositores e as árias de ópera ou sinfonias que conhecia de ouvido. Era um erudito em música, embora adolescente.

Monta um telescópio na sua casa, deliciando-se com a visão dos astros, a que se dedicava assiduamente.

Também monta um microscópio e mais tarde faz dois filmes de desenhos animados, sobre o Boneco Rebelde.

Um deles é projectado no cinema Europa, durante o intervalo. Trata-se de uma sequência de desenhos que serviram para a sua execução. Neles o «Boneco Rebelde» puxa da sua algibeira de um relógio que vai aumentando sistematicamente até que a personagem acaba por ficar para trás, enquanto os ponteiros vão surgindo e marcam o tempo que durará o intervalo. Para a elaboração destes filmes, criou um estúdio na dispensa da sua casa. Tudo foi organizado por si.

Durante este período poucas vezes sai de casa. Uma vez por outra ia ao cinema Europa ou ao Jardim da Parada, que ficava perto da casa que habitava em Campo de Ourique.

Tudo servia para o entreter e o seu saber, aliado a uma fecunda imaginação, permitiam-lhe mais facilmente suportar a doença que o afligia, sem que a sua irmã, a professora Lia Fernandes ou sua mãe, ouvissem da sua boca um queixume que fosse.

Infelizmente a doença encontrava-se já no seu desenlace fatal e enquanto ainda lhe restavam forças, montava um sistema de morse e dedicava-se às construções eléctricas, mas a 24 de Janeiro de 1943 morre com 21 anos de idade.

As últimas pranchas de uma das histórias do «Boneco Rebelde», que a revista «O Papagaio» apresentava naquela altura ao público leitor, foram publicadas postumamente até Maio daquele ano.

Carlos Gonçalves / CORREIO da BANDA DESENHADA, 01/03/1981

+ Coordenada pelo Clube Português de Banda Desenhada

domingo, 8 de agosto de 2021

O Egiptólogo


"O Boneco Rebelde" de Sérgio Luiz era quase uma versão portuguesa de Tim-Tim. O herói belga aparecera apenas três anos antes em "O Papagaio" e entra mesmo nas três folhas iniciais da primeira aventura do Boneco Rebelde.

Isso já era conhecido mas ao consultar o blog https://largodoscorreios.wordpress.com/2021/05/05/a-bd-vista-por-carlos-goncalves-115/ deparamos com um artigo sobre Sérgio Luiz e na imagem "A história do Egipto" percebe-se algumas ligações à obra de Hergé.

Aparece a personagem ainda sem nome (e que só a partir da versão colorida de 1955 passará a ser Philemon Siclone) e o símbolo da organização.

Foi a primeira prancha de Sérgio Luiz publicada em Dezembro de 1938.

Trata-se de uma história publicada pelo autor, onde assinava ainda Sérgio Fernandes, no Papagaio nº 190 de 1 de Dezembro de 1938. "O Papagaio" tinha publicado "Os Charutos do Faraó entre 24/06/1937 e 12/05/1938.

https://biblioteca.cm-amadora.pt/uploads/9f134daf72e4acc05acdef85c51286a2.pdf

Tintin visto por Sérgio e pelo irmão Guy Manuel na revista «O Papagaio» (António Dias de Deus):

#190; 1 Dezembro 1938; Intervenção do egiptólogo dos «Charutos do Faraó» na «História do Egipto; Sérgio Luiz

#199; 2 Fevereiro 1939; Banda Título; Tintim; Arcindo (Sérgio)

#224; 27 Julho 1939; Intervenção na BD «Aventuras do Boneco Rebelde; Tintim; Sérgio Luiz

#237; 26 Outubro 1939; Banda Título; Tintim e Milou; Guy Manuel

#244; 14 Dezembro 1939; Página dos leitores; Tintim e Milou; Sérgio Luiz (245?)

#251; 1 Fevereiro 1940; Capa; Tintim, Milou e os Dupond(t); Sérgio Luiz - Página dos Leitores;

#366; 16 Abril 1942; Capa; Tintim e Milou; Guy Manuel

mais alguma informação sobre os dois irmãos:

https://digitarq.adlra.arquivos.pt/details?id=1070935

O Papagaio - incluindo lista dos desenhadores portugueses com desenhos alusivos ao universo de Tim-Tim.

https://tintinofilo.weebly.com/o-papagaio.html



sexta-feira, 30 de julho de 2021

António Martinó


Com a lamentável caligrafia que jamais consegui corrigir, escrevi numa carta datada de 23 de Agosto de 1948, em Ermesinde, quando aí passava férias com o avô e o irmão, em casa da Tia Aurora: “Minha querida Mãezinha. Agora é a minha vez de escrever, mas não sei o que hei-de dizer.

Há tanto tempo já que não vejo nem Mosquitos, Diabretes e Camaradas. Mande dizer se já começou alguma história nova ou qualquer coisa engraçada que tenha vindo”…

Creio que este banal escrito resume com rigor as vivências pessoais dominantes. Os quadradinhos continuavam a marcar a minha vida.

Como que premiando esta fidelidade, O Diabrete devolver-me-ia em Março de 1949 o contacto com Tintin. Em vez de fragmentos soltos das suas aventuras nas Américas do Norte e do Sul, na China, no Oriente, em Angola e cá pela Europa, em especial na Escócia, agora viajaria com ele pela Bordúria e pela Sildávia, por terra e mar na busca do tesouro de Rackham, o Terrível, e envolvido no mistério das 7 Bolas de Cristal… 

Tinha perdido o vibrante colorido d’O Papagaio mas conquistado o direito às histórias continuadas semana a semana. Tim-Tim era o mesmo mas Rom-Rom tinha passado de cadela a cão… 

Pormenores, apenas.

https://largodoscorreios.wordpress.com/2018/05/07/pedagogia-aos-quadradinhos-memorias-dos-outros-tempos-nove/

O meu filho, que regularmente corre o mundo, sabe como poucos do meu gosto por estas coisas dos quadradinhos. Há uns anos, por exemplo, trouxe-me de Paris o fabuloso catálogo da mais completa exposição organizada sobre Hergé, na passagem dos 100 anos da sua vida e obra, um “cubo” densamente recheado de imagens e textos únicos que reflectem o que foi a mostra patente no Centre George Pompidou, entre Dezembro de 2006 e Fevereiro de 2007.

https://largodoscorreios.wordpress.com/2012/06/26/167/

loja

https://largodoscorreios.wordpress.com/2018/04/08/tintin-em-portugal/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2018/05/02/tintin-em-lisboa/

colecao

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/02/14/para-os-amigos-arranja-se-sempre-um-cantinho/

CG

https://largodoscorreios.wordpress.com/2018/08/15/a-bd-vista-por-carlos-goncalves-cinquenta-e-tres/

camaradagens

https://largodoscorreios.wordpress.com/2015/01/15/camaradagens-03/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/01/11/marcelices/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2013/04/18/uma-data-de-datas-xxiii-o-papagaio/

quinta-feira, 22 de julho de 2021

80 Anos de Tintim - Lousã 2009


Exposição Museu Dr. Louza Henriques, Lousã 16/01/2009 - 15/02/2009
Organização Cooperativa Trevim

Na Lousã está patente ao publico (até ao final do mês de Fevereiro, e não até 15 de Fevereiro como estava previsto inicialmente) uma magnifica, para não dizer excelente exposição sobre a iconografia de Tintim e Hergé. Organizada pela cooperativa Trevim, tendo como comissário Carlos Sêco, nesta exposição pode-se viajar pela obra de Hergé e por toda a iconografia e merchandising criada à sua volta. Muito bem estruturada e documentada é uma exposição a não perder para quem é admirador das aventuras de tintim. Seguem fotos da exposição complementadas com fotos do encontro que se realizou no dia 24 de janeiro à mesa das dissertações teóricas de Osvaldo de Sousa e Geraldes Lino.


O Museu Dr. Louzã Henriques, na Lousã, recebeu uma carta da Fundação Moulinsart a solicitar o cancelamento da exposição "80 anos de Tintim" por isso a mesma teve de ser cancelada antes do fim de fevereiro.


Mas o que me importa frisar é o facto de os organizadores desta exposição não terem tido problemas (ainda bem!) com os herdeiros dos direitos autorais de Hergé, Fanny Vlamynck e Nick Rodwell.
Isto porque na Lousã, uma simples exposição organizada pelo professor, jornalista e cartunista CarloSêco, tintinófilo compulsivo, foi mandada desmontar exactamente pela Fondation des Studios Hergé, por alguém, que faz parte do grupo de portugueses pertencente ao clube belga Amis d'Hergé, ter tido o "descaramento" de a ter montado, e ainda por cima, inocentemente, lhes ter dado conhecimento.

A exposição estava bonita, incluía livros sobre o autor e respectiva personagem, pertencente à colecção pessoal de Carlos Sêco, uns objectos de merchandising do mesmo coleccionador, e umas tantas imagens, entre as quais uma cópia digital do episódio criado para o meu fanzine Efeméride (nº4 - Jan.09), também publicada no jornal Trevim, da Lousã, e houve pessoas (eu incluído) a apresentar trabalhos relacionados com o tema.

Foi uma situação desgostante para o entusiasta organizador, de que me lembrei agora, igualmente algo entristecido, pelo desagradável acontecimento, (...)


Os 80 anos de Tintim em exposição na Lousã
Publié le 14 février 2009 par Zetantan

Por gentileza do tintinófilo Jorge Macieira, eis a reportagem em vídeo da exposição dos «80 anos de Tintin», realizada este mês na Lousã, sob a organização de Carlos Seco. Para verem um mostra fotográfica do evento, eis o link também de Jorge Macieira:

 
Fotos e um pequeno vídeo da Exposição "80 anos de Tintin" que se realizou em 2009 na Lousã.
Na página de facebook "Tintin News" tem várias imagens dessa exposição.

«Gostei de rever a exposição. Passados oito anos, fiz algumas novas aquisições. Quem sabe se em 2019 o Tintin não volta à Lousã. Só não sei se a Moulinsart aprova.»


As fotos estavam também disponíveis em
http://my.opera.com/macieira_law/albums/show.dml?id=695429

Algumas das imagens da exposição "80 Anos de Tintim - Lousã 2009" que ainda faltava partilhar:




















cartoon de Eduardo esteves


um cartoon de Zé Oliveira

















imagem com um cartoon de Rodrigo e outra imagem de Alex Gaspar

TREVIM

O n.º 2 do "BronKit", suplemento do jornal "Trevim", dirigido por Carlos Sêco, foi dedicado na totalidade aos 80 anos do Tintim e inclui os cartunes/BD's que estiveram na exposição "Lousã 2009". 

O n.º 3 do "BronKit" incluiu mais dois desenhos alusivos ao Tintim (de Carlos Sêco e César Évora) que tinham ficado esquecidos na gaveta.





Gon

Carlos Laranjeira



Eduardo Esteves

Bruno Taveira

Alex Gaspar - O Pasquim - cópia retirada do suplemento










80 anos de Tintim na Museu Dr. Louzã Henriques na Lousã
Publié le 14 novembre 2009 par Zetantan

Uma reportagem fotográfica sobre a exposição tintinófila realizada no início deste ano na Lousã. - Blog Humorgrafe de Osvaldo Sousa


15 FEBRERO, 2009
Datos sobre la exposición en Lousa
Por lo que he podido ver en las imágenes que han colgado (http://my.opera.com/macieira_law/albums/show.dml?id=695429), la exposición no era gran cosa. No había nada especialmente resaltable.

Lo que me llama la atención es que Moulinsart pidiese la cancelación de esa exposición, literalmente:

O Museu Dr. Louzã Henriques, na Lousã, recebeu uma carta da Fundação Moulinsart solicitando o cancelamento da exposição «80 anos de Tintim», alegando não terem sido consultados, o que imediatamente foi acedido.

Visto en: http://tintinofilo.over-blog.com/

 
(comentário de um conhecido fã espanhol que já conhece a maior parte dos objectos por isso não seria surpreendente para ele)
 
Em maio de 2007 tinha havido uma exposição menos ambiciosa na Biblioteca Municipal da Lousã.
 

 exposição de 2007
 
 

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Manuel António Pina

A LINHA CLARA

"Sou pouco dado a efemérides. As efemérides têm, porém, uma virtude: a da memória. Na terça-feira passaram 100 anos sobre o nascimento de um belga chamado George Remi, autor de duas personagens que marcaram profundamente a minha memória e a da minha geração, uma um autor de BD, Hergé ('erre' de Remi mais 'gê' de Georges), outra, espécie de alter-ego de um alter-ego, Tintin, um desenho de coração puro.

Tintin e os outros (Haddock, Milou  Tournesol, os Dupont/d, a Castafiore, Tchang, Oliveira de Figueira ...) chegaram à minha vida na Infância com o 'Cavaleiro Andante' e, como na canção de Maria Bethânia, instalaram-se para sempre feitos posseiros dentro do meu coração. Com eles fui à Lua e viajei por todos os mares do mundo, subi aos Himalaias e desci aos negros porões da alma humana, atravessei os desertos da Arábia e as estepes da Rússia, defendi os fracos e enfrentei opressores e ricaços sem escrúpulos, persegui 'gangsters', traficantes, escroques, usurários, assustei-me, enterneci-me, comovi-me, ri, chorei, convivi com guerrilheiros, com tiranos, com comerciantes, com sábios, com iluminados 

... Se algo essencial aprendi (e acho  que aprendi) das minhas aventuras com Tintin foi o desprezo da infâmia e a 'linha clara' da coragem e da justiça."

Manuel António Pina, JN, 24/05/2007

(Em  CRÓNICA, SAUDADE DA LITERATURA, Assírio & Alvim, 2013)

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UMA VIDA DE AVENTURAS

O meu nome é Manuel António Pina. Nasci numa terra com um grande castelo. Nas margens de um rio onde, no Verão, passeávamos de barco e nadávamos nus. Chama-se Sabugal e fica na Beira Alta, perto da fronteira com Espanha. Quando era pequeno, olhava para o mapa e pensava que, por um centímetro, podia ter nascido em Espanha.

Mais tarde descobri que as fronteiras são linhas inventadas que só existem nos mapas. E que o Mundo é só um e não tem linhas a separar uns países dos outros a não ser dentro da cabeça das pessoas.

A verdade é que pela profissão de meu pai, vivi (depois de ter nascido, antes não me lembro) em muitas diferentes terras e, por isso, não tenho só uma terra, tenho muitas. Uma delas é o Porto, onde vivi mais tempo do que em qualquer outra, onde nasceram as minhas filhas e provavelmente morrerei um dia.

Como fui muitos anos jornalista, mais de trinta, viajei um pouco por todo o Mundo, da América ao Japão,  da China ao Brasil, da África ao Alaska. E como sou escritor tenho viajado também por dentro de mim mesmo. E por dentro das palavras. 

Assim, apesar de ter nascido numa terra com um grande castelo, nas margens de um pequeno rio, não pertenço a lugar nenhum mas pertenço a muitos lugares ao mesmo tempo. Alguns desses lugares só existem na minha imaginação. Porque a imaginação,  descobri-o também, é o modo mais fantástico de viajar.

De facto, os lugares mais distantes e mais belos onde eu alguma vez estive não vêm nos mapas. Quando tinha a tua idade, viajei pelo fundo dos mares, e desci ao centro da Terra, e fui à Lua, e aos pólos, e ao passado e ao futuro, dentro dos livros de Júlio Verne, de Jack London, de Emílio Salgari. À noite, quando todos se iam deitar e a casa silenciosamente adormecia, partia eu para as mais emocionantes aventuras, às vezes só regressando já de madrugada. Combati nos mares do Sul contra piratas e flibusteiros, ao lado de Sandokan; persegui Moby Dick, a baleia branca no tempestuoso barco do Capitão  Acab, desci o Mississipi na jangada de Huckleberry Finn, cacei búfalos nas imensas pradarias do Oeste; e, com Tintin fui preso e condenado à morte em Chicago, na China, nos Andes, e salvei-me sempre no último momento, e com ele e com o Capitão  Haddock, e com a cadela Milou, perdi-me nas neves do Tibet e nos desertoa da Arábia, e fui à Lua e voltei.

Como vês, tenho tido uma vida emocionante e aventurosa. Hoje lembro-me das grandes viagens e das aventuras que todas as noites começavam  no meu quarto e tenho medo de não ser já capaz de vencer tantos perigos e tantas emoções. De qualquer maneira, continuo a ter livros na mesa de cabeceira, e quando saio de casa gosto de levar um comigo. Porque me pode apetecer voltar a partir ...

MAP. Netescrit@ - 2010  -  Nónio - Capela Arraiana - Livro Aberto

quarta-feira, 7 de julho de 2021